Sociedade Brasileira de Dermatologia reforça alerta sobre esmaltação em gel após proibição de substâncias pela Anvisa 



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4 de novembro de 2025

A Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD) alerta a população e os profissionais da área de beleza sobre os riscos associados ao uso de esmaltes e unhas em gel, especialmente após a recente decisão da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) de proibir duas substâncias químicas, o TPO [óxido de difenil (2,4,6-trimetilbenzol) fosfina] e o DMPT (N,N-dimetil-p-toluidina), também conhecido como dimetiltolilamina (DMTA), utilizadas nesse tipo de produto. 

A medida segue o que já havia sido determinado pela União Europeia e se baseia em estudos com animais que apontaram alterações na fertilidade relacionadas ao TPO e possível desenvolvimento de câncer associado ao DMPT.  

De acordo com a Dra. Rosana Lazzarini, membro da SBD, os estudos foram realizados em cobaias e, até o momento, não há evidências de que essas substâncias causem alterações diretamente na pele humana. Ainda assim, os resultados justificam a substituição por compostos mais seguros e reforçam a importância de precaução. 

A especialista destaca que o maior risco recai sobre as profissionais que aplicam esses produtos, devido à exposição repetida e prolongada. “Essas profissionais manipulam as substâncias várias vezes ao dia, durante anos. Isso aumenta o risco de desenvolver doença ocupacional relacionadas à exposição química, ”, afirma a Dra. Rosana. 

Riscos dermatológicos da esmaltação em gel 

Mesmo com a retirada das substâncias proibidas, a SBD alerta que o uso frequente de esmaltes e unhas em gel pode causar danos fisicos para as unhas e reações alérgicas. As resinas acrílicas utilizadas nesses procedimentos, que precisam ser endurecidas com radiação ultravioleta (UV), são as principais responsáveis por alergias muitas vezes graves, tanto nas usuárias quanto nas profissionais aplicadoras. 

Outros problemas associados incluem: fragilidade, deformidades e manchas nas unhas; infecções bacterianas ou fúngicas, resultantes de aplicação  ou remoção agressiva; reações alérgicas  nos dedos e mãos.  

“A identificação de reações não é simples para o público em geral. Qualquer vermelhidão, descamação ou alteração na textura da unha deve servir de alerta para procurar um dermatologista”, orienta a médica. 

SBD reforça que os cuidados preventivos são fundamentais e recomenda: 

  • Verificar se os produtos utilizados estão regularizados pela Anvisa  
  •  Evite unhas de gel ou similares; 
  • Faça pausas entre uma esmaltação e outra; 
  • Procure sempre profissionais qualificados e locais adequados para realizar os procedimentos; 
  • Profissionais devem utilizar equipamentos de proteção individual (EPIs) e limitar a exposição direta às substâncias químicas. 
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3 de novembro de 2025

Uma tendência que vem ganhando espaço nas redes sociais tem preocupado especialistas em saúde.

Vídeos com a hashtag #AntiSunscreen, que já ultrapassa 6 milhões de visualizações no TikTok, e #NoSunscreen, com mais de 12 milhões, incentivam jovens (especialmente da geração Z) a trocar o protetor solar por óleos e manteigas vegetais ou até a abandonar completamente o uso.

A justificativa mais comum é a busca por uma rotina “natural” de cuidados com a pele e a crença de que isso favoreceria a absorção de vitamina D.

O movimento, no entanto, pode ter consequências sérias. No Brasil, país de clima tropical marcado pela forte incidência solar em todas as estações do ano, o tema merece atenção redobrada: o câncer de pele corresponde a cerca de 30% de todos os tumores malignos diagnosticados no país.

Pesquisas já mapearam a tendência perigosa nos Estados Unidos. Segundo o jornal americano The New York Times, uma pesquisa online com mais de 1.000 pessoas, publicada no ano passado pela Academia Americana de Dermatologia, mostrou que 28% dos jovens de 18 a 26 anos disseram não acreditar que o bronzeamento causa câncer de pele. E 37% disseram que usavam protetor solar apenas quando eram incomodados por outras pessoas a respeito.

Já o Instituto do Câncer de Orlando Health mostrou, em um outro estudo, que 14% dos adultos com menos de 35 anos acreditavam no mito de que usar protetor solar todos os dias é mais prejudicial do que a exposição direta ao sol.

Mais que estética, uma questão de saúde

Os riscos de não usar protetor solar vão muito além da estética.

“A ausência da proteção favorece o envelhecimento precoce da pele —com rugas, manchas e perda de elasticidade—, mas também aumenta o risco de queimaduras que danificam diretamente o DNA das células e pode desencadear surtos de doenças de pele sensíveis à luz, como melasma, lúpus, porfirias e outras fotodermatoses”, alerta Elimar Gomes, dermatologista membro da SBD (Sociedade Brasileira de Dermatologia).

“A pessoa que opta por não usar protetor solar regularmente fica mais propensa a desenvolver câncer de pele não melanoma, principalmente no Brasil, onde a exposição solar é intensa, especialmente em regiões litorâneas”, completa o oncologista Ramon Andrade de Mello, vice-presidente da Sociedade Brasileira de Cancerologia.

Ele lembra que o efeito cumulativo da exposição é um dos principais fatores de risco: “Ao longo dos anos, o excesso de sol sem proteção também pode causar carcinoma basocelular e espinocelular. É fundamental entender que o filtro solar é prevenção, não apenas vaidade”.

Toxicidade: mito ou realidade?

Grande parte da resistência ao uso do protetor vem da preocupação com uma possível toxicidade. A dermatologista Leiliane Bregalda Alves, também membro da SBD, esclarece:

“É verdade que alguns ingredientes presentes em protetores solares, especialmente filtros químicos, como octinoxato, avobenzona e homosalato, podem ser absorvidos pela pele e detectados no sangue após o uso repetido. Mas a presença desses compostos na circulação não indica, por si só, toxicidade ou risco comprovado à saúde.”

Ela explica que as concentrações encontradas são extremamente baixas e, até o momento, não há evidências científicas de que causem efeitos adversos em humanos nas quantidades usadas em produtos cosméticos. “Agências regulatórias como a FDA, nosEUA, a Anvisa, no Brasil, e a EMA, na Europa, seguem considerando esses filtros seguros.”

Óleos e manteigas: falsa proteção

Outro ponto que chama a atenção é a substituição do filtro solar por óleos ou manteigas vegetais. Para a dermatologista Mayara Carvalho, formada pela Estácio de Sá, essa prática é perigosa.

“Nenhum óleo ou manteiga vegetal disponível comercialmente apresenta fator de proteção solar (FPS) adequado, estabilidade à radiação UV ou testes dermatológicos que validem sua segurança para esse fim”, diz.

Segundo ela, o uso desses produtos como substitutos de protetor solar pode provocar uma falsa sensação de segurança. “Além de não protegerem efetivamente contra os danos causados pela radiação UV, eles ainda podem gerar acne, manchas e outras dermatites.”

Vitamina D e sol: o equilíbrio possível

Entre os argumentos mais repetidos pelo movimento está a ideia de que o protetor solar impediria a produção de vitamina D. Para o presidente da SBD, Carlos Barcaui, essa preocupação é exagerada.

“A fotoproteção não significa evitar totalmente o sol. Bastam de 10 a 15 minutos de exposição em braços e pernas, fora dos horários de pico (antes das 10h ou após as 15h), para que a maioria das pessoas produza vitamina D suficiente.”

Mayara Carvalho acrescenta que estudos mostram que o uso do filtro não compromete de forma relevante a absorção da vitamina. “Uma revisão publicada no British Journal of Dermatology em 2019 concluiu que o protetor não reduz significativamente os níveis de vitamina D. Em casos de deficiência, a recomendação é fazer reposição oral, e não abrir mão da proteção da pele”, explica.

Escolhendo o protetor certo

A variedade de produtos disponíveis pode gerar dúvidas. Carlos Barcaui ressalta que mais importante do que escolher um FPS altíssimo é aplicar a quantidade correta e reaplicar na frequência adequada.

“Um FPS 30 já bloqueia cerca de 97% da radiação UVB, enquanto o FPS 50 chega a 98%. O ganho não é proporcional ao número. O que realmente garante uma boa proteção é usar o produto da forma correta.”

Também é essencial verificar se ele é de amplo espectro, ou seja, se protege tanto contra os raios UVB quanto contra os UVA.

Mayara Carvalho recomenda avaliar o tipo de pele antes de comprar: “Peles oleosas devem preferir fórmulas oil-free e não comedogênicas (que podem obstruir os poros). Já peles sensíveis se beneficiam de filtros físicos, com toque seco e antioxidantes. Além disso, vale observar se o produto é resistente à água, um diferencial para quem transpira muito, nada ou pratica esportes”.

Fonte: https://www.uol.com.br/vivabem/noticias/redacao/2025/10/07/o-movimento-anti-protetor-solar-e-os-riscos-de-abrir-mao-da-protecao.htm

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3 de novembro de 2025

Em poucos anos, inteligência artificial estará presente em todas as etapas: desde a triagem até o suporte à decisão clínica nos tratamentos mais complexos

A inteligência artificial (IA) deixou de ser uma promessa distante para se tornar realidade nos consultórios dermatológicos brasileiros. Esse é um dos destaques do 78º Congresso da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD), que reúne, no Rio de Janeiro, especialistas de todo o país para discutir os avanços e desafios da área.

A IA já vem sendo incorporada como uma ferramenta de apoio na prática clínica, principalmente por meio do diagnóstico por imagem. Hoje conseguimos treinar algoritmos capazes de diferenciar lesões benignas de melanomas (tipo de câncer de pele) com sensibilidade e acurácia superiores à observação clínica isolada.

Além disso, a IA tem se mostrado útil na análise de margens cirúrgicas, no acompanhamento de pacientes com múltiplas lesões e até na teledermatologia, onde auxilia na triagem de casos que necessitam de atenção prioritária. No campo terapêutico, embora ainda em fase inicial, há pesquisas que buscam associar a IA a protocolos de imunoterapia e de terapia-alvo, ajudando a prever resposta ao tratamento e personalizar condutas em casos de melanoma avançado.

Os dados confirmam a urgência do tema. De acordo com o Inquérito Dermatológico da SBD, publicado em 2024, os cânceres de pele representaram 6,9% dos atendimentos dermatológicos no Brasil, sendo que 58,3% desses casos foram diagnosticados na rede pública. Isso reforça o papel central do SUS na detecção de casos graves, ao mesmo tempo em que evidencia a necessidade de tecnologias capazes de otimizar a triagem, sobretudo em regiões com poucos dermatologistas.

O uso da inteligência artificial tende a crescer e se diversificar. O futuro aponta para uma medicina cada vez mais personalizada e integrada. Em poucos anos, a IA estará presente em todas as etapas: desde a triagem automatizada em regiões remotas, passando pelo diagnóstico precoce em consultórios, até o suporte à decisão clínica nos tratamentos mais complexos. Novas possibilidades surgirão, como modelos preditivos que avaliam risco individual com base em fatores genéticos, ambientais e de estilo de vida. Isso permitirá que a prevenção seja ainda mais direcionada, reduzindo a incidência dos tumores de pele mais graves.

Brasil e o cenário internacional
No cenário internacional, países como Estados Unidos, Alemanha e Austrália lideram o uso da IA na dermatologia e em programas nacionais de rastreamento de câncer de pele. Ainda assim, o Brasil não fica para trás. Temos grupos de pesquisa de excelência, acesso a imunoterapias modernas no tratamento do melanoma e iniciativas pioneiras de rastreamento populacional. Nosso maior desafio ainda é a desigualdade de acesso.

A IA pode promover maior acesso ao diagnóstico em regiões com poucos especialistas, detecção precoce de cânceres agressivos como o melanoma, redução de custos para sistemas de saúde e suporte ao médico na tomada de decisão. Para países com grande extensão territorial como o Brasil, a IA pode ser uma ferramenta poderosa para reduzir desigualdades regionais, mas precisamos ser críticos.

Embora otimista com os avanços, é preciso estarmos atentos aos riscos da adoção indiscriminada de novas tecnologias. A IA pode reproduzir vieses dos bancos de dados com os quais foi treinada, o que impacta diretamente na segurança do paciente. Além disso, há questões éticas ligadas à privacidade de dados, responsabilidade legal em caso de erro e risco de substituir o julgamento clínico pelo automatismo. A tecnologia deve ser uma aliada, nunca um substituto do olhar humano.

Enquanto a ciência avança, o desafio continua sendo levar informação, diagnóstico e tratamento a todos os brasileiros. A tecnologia pode ser uma ponte nesse caminho, mas o compromisso com a saúde da pele ainda começa na conscientização.

Importância da conscientização e os desafios
Mas nem tudo é tecnologia. Campanhas de conscientização, como o Dezembro Laranja, também desempenham papel crucial na prevenção. Na última edição, em 2024, a ação nacional da SBD realizou cerca de 18 mil atendimentos com o objetivo de diagnosticar precocemente lesões suspeitas e orientar a população sobre a exposição solar segura. Os resultados chamam a atenção:

– O carcinoma basocelular (CBC) foi detectado em 14,84% dos pacientes e outras pré-neoplasias representaram 11,51% dos casos
– O diagnóstico de carcinoma epidermoide (CEC) ocorreu em 4,68% dos casos, enquanto melanomas malignos (MM) em 2,31% e outros tipos de tumores malignos em 1,21% dos consultados
– Com outras dermatoses, foram diagnosticados 41,22%, seguidos pela ausência de dermatoses em 24,23% dos casos

Além disso, os hábitos de exposição solar seguem sendo motivo de alerta: 62,51% dos atendidos declararam se expor ao sol sem proteção, enquanto apenas 31,63% afirmaram usar protetor solar regularmente. Há pessoas e até médicos que ainda duvidam do uso do protetor solar, questionando eficácia, necessidade e até mazelas que o produto pode causar.

Essa dúvida é alimentada muitas vezes pela desinformação, pela circulação de conteúdos não científicos em redes sociais. E também porque os resultados do uso do protetor não são imediatos. Trata-se de uma prevenção de longo prazo, o que pode gerar descrédito, porém a literatura científica é unânime ao afirmar que o uso regular de filtros solares reduz significativamente o risco de câncer de pele, sendo uma medida segura e eficaz, sem contraindicações relevantes para a população em geral.

As raras reações de sensibilidade a determinados filtros podem ser resolvidas com a escolha de produtos alternativos. O grande desafio é criar o hábito diário de fotoproteção, assim como escovar os dentes ou usar o cinto de segurança.

Apesar da prevalência do câncer de pele no Brasil, ainda há grandes desafios de acesso à dermatologia. Um levantamento inédito da SBD em parceria com o Instituto Datafolha e a divisão de Beleza Dermatológica do Grupo L’Oréal no Brasil revelou que cerca de 90 milhões de brasileiros com 16 anos ou mais, o equivalente a 54% da população, nunca consultaram um médico dermatologista.

Esses dados mostram uma realidade preocupante: ainda falta à população a consciência de que a pele pode ser um sinal de alerta para diversas doenças, das mais simples às mais graves. Estar atento a qualquer mudança e procurar um dermatologista para check-up anual deve ser um hábito. Cuidar da pele vai muito além da estética, é uma questão de saúde.

*Carlos Barcaui é presidente da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD)

Fonte: https://veja.abril.com.br/coluna/letra-de-medico/como-a-ia-pode-auxiliar-no-diagnostico-precoce-do-cancer-de-pele/

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29 de outubro de 2025

Embora muitas vezes confundida com uma simples condição dermatológica, a Psoríase é uma doença crônica, imunomediada e sistêmica que vai muito além da pele. Neste Dia Mundial da Psoríase, celebrado em 29 de outubro, a Sociedade Brasileira de Dermatologia amplia o debate sobre essa doença que se manifesta principalmente na pele dos joelhos, cotovelos, couro cabeludo e unhas, mas que também pode atingir outros órgãos do corpo.  

A SBD vem, há mais de 20 anos, por meio de médicos associados, atuando de forma ativa para ampliar o acesso ao tratamento da doença no país, combatendo o estigma e garantindo que pacientes tenham atendimento digno ao diagnóstico e aos cuidados necessários.  

Segundo o Dr. André Carvalho, dermatologista da SBD, a doença ocorre por um desbalanço do sistema imunológico, que passa a reagir de forma exagerada a estímulos externos ou até a estruturas naturais da pele. “Ela tem base genética e é uma doença crônica e sistêmica. Ou seja, a inflamação que vemos na pele também pode atingir outros órgãos”, explica.  

A boa notícia é que a Psoríase tem tratamento. Nos casos mais leves, terapias tópicas costumam ser eficazes. Já quadros moderados a graves ou com artrite psoriásica associada exigem terapias sistêmicas, como imunobiológicos, metotrexato ou fototerapia. “Hoje já contamos com 12 imunobiológicos aprovados para a Psoríase, além de novas medicações orais em estudo. Apesar de ainda não haver cura definitiva, estudos recentes indicam que o tratamento precoce com imunobiológicos pode normalizar a resposta imune e levar alguns pacientes à remissão prolongada”, destaca o Dr. André    

Desde os anos 2000, a SBD tem sido protagonista em debates e ações sobre políticas públicas voltadas à psoríase. A entidade, por meio de seus associados, participou da elaboração dos primeiros Protocolos Clínicos e Diretrizes Terapêuticas junto ao Ministério da Saúde, garantindo que o Sistema Único de Saúde (SUS) ofereça não só terapias tópicas, mas também sistêmicas.  

“De 2009 a 2019, a entidade defendeu ativamente a atualização desses protocolos, contribuindo para a inclusão de terapias biológicas, consideradas essenciais no tratamento de casos mais graves”, explica Dr. Paulo Oldani, médico dermatologista da SBD, que participou dos debates.   

E, de 2020 a 2025, a SBD intensificou sua atuação ao lado de gestores públicos e entidades de pacientes, promovendo capacitações médicas, campanhas educativas e ações contra o estigma.  

Para o Dr. Carlos Barcaui, presidente da SBD, o desafio vai além da incorporação de novos medicamentos. É preciso garantir acesso à informação e à assistência dermatológica, especialmente na rede pública. “Lançamos neste mês o Dossiê Brasil à Flor da Pele, em parceria com a L’Oréal Beleza Dermatológica. O estudo nacional revela que um em cada quatro brasileiros não sabe que o dermatologista é o especialista médico da pele, cabelos e unhas; e apenas 12% foram ao dermatologista no último ano. Entre os jovens de 16 a 24 anos, 70% nunca passaram por atendimento dermatológico”, afirma.  

“Precisamos ampliar esse acesso, principalmente no SUS. Sabemos que quanto mais cedo a descoberta de problemas com a saúde da pele, cabelos e unhas, maiores são as chances de evitar consequências graves. E a SBD tem se empenhado para isso”, completa Barcaui.  

Atualmente, a SBD segue firme no compromisso de orientar, formar e cuidar. A missão é clara: assegurar que pessoas com Psoríase em todo o Brasil recebam diagnóstico precoce, tratamento adequado e respeito. “Vale ressaltar que a Psoríase não é contagiosa, mas sim uma doença que exige acolhimento, informação e acesso ao cuidado”, conclui Dr. Carlos Barcaui.  

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24 de outubro de 2025

Um dos destaques do 4th ILDS World Skin Summit, que ocorre em Cape Town, na África do Sul, é a resolução da OMS que reconhece as doenças de pele como prioridade global de saúde pública, reafirmando a importância de políticas integradas, investimentos sustentáveis e da dermatologia na promoção do bem-estar global.  

Estão presentes no congresso, que começou nesta quinta-feira (23) e vai até sábado (25), o presidente da SBD Dr. Carlos Barcaui e a secretária-geral Dra. Regina Carneiro, representando a entidade. Dr. Ricardo Romiti, associado da SBD, integra o board da ILDS e também marca presença no evento. 

Na plenária da manhã desta sexta-feira (24), líderes internacionais discutiram temas como mudanças climáticas, crises socioeconômicas e a necessidade de ampliar o acesso a medicamentos essenciais.  

A sessão foi aberta por Claire Fuller e Jennifer Austin, que destacaram o avanço histórico da resolução da OMS que reconhece as doenças de pele como prioridade global de saúde pública — um marco que reforça a importância de políticas integradas e investimentos sustentáveis no setor. 

Na sequência, Abel Onunu apresentou evidências sobre as ameaças à saúde decorrentes das mudanças climáticas, incluindo o aumento de infecções, fotodermatoses e cânceres de pele em regiões vulneráveis. 

Salim Abdool Karim discutiu as grandes ameaças globais e riscos previsíveis, apontando a interação entre pandemias, desigualdade e instabilidade geopolítica como desafios críticos para os sistemas de saúde. 

Valeska Padovese trouxe uma análise sobre os efeitos das crises socioeconômicas, dos deslocamentos forçados e das guerras sobre a incidência de doenças dermatológicas, ressaltando a necessidade de solidariedade e resposta humanitária coordenada. 

Já Quarraisha Abdool Karim enfatizou o impacto das doenças infecciosas e da pobreza sobre a saúde cutânea, defendendo ações conjuntas entre dermatologia, epidemiologia e políticas sociais. 

O papel das organizações de pacientes também foi destaque, com Toni Roberts e Ritu Jain mostrando como essas entidades têm sido fundamentais na educação, defesa de direitos e apoio a populações vulneráveis. 

Encerrando, Lorenzo Moja alertou para a urgência de tornar os medicamentos essenciais mais acessíveis e sustentáveis, especialmente em países de baixa e média renda. 

O encontro foi concluído com uma reflexão comum a todos os palestrantes:  “Cuidar da pele é cuidar das pessoas — e isso exige uma visão global, colaborativa e humana da saúde.” 

 

 

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21 de outubro de 2025

Mais de quinhentos dermatologistas de todo o Brasil estiveram reunidos em São Paulo para o 3º Imuno&Derma, evento promovido pela Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD) com foco nas doenças imunomediadas da pele. O evento ocorreu nos dias 17 e 18 de outubro (Dia do Médico). Entre os principais temas discutidos estiveram os tratamentos imunológicos para Psoríase e Hidradenite Supurativa.  

A Psoríase, segundo o dermatologista Dr. André Esteves, é uma condição que vai muito além da pele. “É uma doença imunomediada, causada por um desbalanço do sistema imune que reage mais do que o necessário a estímulos externos ou até a estruturas da própria pele. Ela tem base genética e é uma doença crônica e sistêmica. Ou seja, a inflamação que vemos na pele também pode atingir outros órgãos”, explica.  

As lesões mais comuns acometem joelhos, cotovelos, couro cabeludo e unhas. De acordo com o especialista, a doença pode ser classificada como leve ou grave a depender da extensão e impacto na qualidade de vida.  

“A Psoríase leve responde bem aos tratamentos tópicos, mas quando há acometimento maior da pele ou presença de artrite psoriásica, é necessário partir para terapias sistêmicas, como imunobiológicos, metotrexato ou fototerapia. Hoje já contamos com 12 imunobiológicos aprovados para Psoríase, além de novas medicações orais em estudo”, destaca o Dr. André.  

De acordo com ele, ainda não há cura definitiva, mas estudos mostram que o tratamento precoce com imunobiológicos pode normalizar a resposta imune e levar alguns pacientes à remissão prolongada. “Já se discute, inclusive, terapias gênicas que atuam diretamente no genoma do paciente”, afirma o médico.  

Assumindo uma postura ativa de interlocução com os órgãos reguladores e de incorporação tecnológica, em especial Conitec (Sistema Único de Saúde) e ANS (planos privados), a SBD tem atuado em prol da incorporação de terapias para Psoríase, incluindo biológicos, e Dermatite Atópica, além de outras demandas dermatológicas.   

O objetivo é assegurar que a população possa acessar com equidade os tratamentos para doenças imunomediadas da pele, ampliando o acesso aos cuidados dermatológicos.  

“Na última semana, lançamos o Dossiê Brasil à Flor da Pele, em parceria com a L’Oréal Beleza Dermatológica. O estudo nacional revela que um em cada quatro brasileiros não sabe que o dermatologista é o especialista médico da pele, cabelos e unhas; e apenas 12% foram ao dermatologista no último ano. Entre os jovens de 16 a 24 anos, 70% nunca passaram por atendimento dermatológico. Precisamos ampliar esse acesso, principalmente no SUS. Sabemos que quanto mais cedo a descoberta de problemas com a saúde da pele, cabelos, unhas, maiores são as chances de evitar consequências graves. E a SBD tem se empenhado para isso”, diz o Dr. Carlos Barcaui, presidente da entidade. 

Hidradenite Supurativa: diagnóstico precoce é essencial  

Outra doença em destaque no encontro foi a Hidradenite Supurativa, enfermidade inflamatória crônica de forte impacto social e emocional.  

Segundo a dermatologista Dra. Renata Magalhães, o atraso no diagnóstico ainda é um dos maiores desafios. “É uma doença que muitas vezes começa na adolescência, mas estudos mostram que o tempo médio até o diagnóstico pode chegar a 12 anos. O paciente costuma chegar ao especialista já com lesões graves e sequelas”, alerta.  

Caracterizada por nódulos dolorosos, abscessos recorrentes e formação de túneis sob a pele, a Hidradenite Supurativa afeta principalmente axilas e virilha, podendo evoluir para fístulas profundas e infecções secundárias.  

“O tratamento envolve antibióticos de longo prazo, imunossupressores e imunobiológicos. Já temos dois medicamentos biológicos aprovados no Brasil para Hidradenite Supurativa e novas moléculas estão em estudo com resultados promissores.  A remoção cirúrgica de lesões crônicas  recidivantes pode ser necessária”, afirma a Dra. Renata.  

Ela reforça que medidas complementares também fazem parte do cuidado. “Controle de peso, manejo da dor e cessação do tabagismo são fundamentais para melhorar a resposta ao tratamento e reduzir a recorrência das crises”, orienta.  

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18 de outubro de 2025

No Dia do Médico, celebrado em 18 de outubro, a Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD), em parceria com a divisão de Beleza Dermatológica do Grupo L’Oréal no Brasil, lança o dossiê “Brasil à Flor da Pele”. O estudo investiga os hábitos de cuidado com a pele da população brasileira e destaca a importância da dermatologia para a saúde, autoestima e bem-estar. A iniciativa reforça a necessidade de ampliar o acesso à especialidade que cuida da pele, maior órgão do corpo humano. De acordo com o levantamento, a renda é um forte preditor de acesso, já que as classes A e B (69% e 66%, respectivamente) apresentam taxas significativamente maiores de acesso à especialidade do que as classes C (46%) e D/E (32%).  

O estudo, realizado pelo Instituto Datafolha em 136 municípios de todas as regiões do país, traz dados inéditos e mostra um Brasil atento, mas ainda distante do cuidado especializado. O levantamento aponta que 1 em cada 4 pessoas não sabe que o dermatologista é médico e apenas 12% dos brasileiros se consultaram com um médico dermatologista no último ano. A iniciativa também visa orientar a população sobre os riscos de se consultar com profissionais não habilitados. Afinal, nem todo “doutor” é médico e entender essa distinção é fundamental para a segurança dos pacientes.  

“Precisa estar muito claro para a população que o dermatologista é médico. O cuidado com a pele vai muito além da estética: envolve saúde, diagnóstico e tratamento de doenças. No entanto, ainda vemos muitas pessoas sendo atendidas por profissionais sem formação em medicina, o que coloca vidas em risco. Nosso papel como entidade médica é alertar: sempre verifique se o profissional é médico, com CRM ativo, ou seja, se tem o registro no Conselho Regional de Medicina e Registro de Qualificação de Especialista (RQE). Essa é uma das mensagens centrais que queremos levar à sociedade neste 18 de outubro com o lançamento deste Dossiê, diz o presidente da SBD, Dr. Carlos Barcaui. 

Entre os jovens de 16 a 24 anos, 70% nunca passaram por atendimento dermatológico, mesmo sendo o grupo mais afetado por acne e suas consequências emocionais. Outro dado relevante mostra que 86% entendem que problemas dermatológicos devem ser tratados por um especialista, enquanto 43% raramente observam pele, cabelos e unhas em busca de sinais de doença. Entre os homens, apenas 37% já consultaram um dermatologista, contra 55% das mulheres. O dado também mostra que 58% das pessoas brancas já foram a uma consulta, contra 41% das pessoas negras.  

As conclusões reforçam a importância da informação científica confiável e da valorização do dermatologista como referência médica em saúde pública, especialmente em um cenário onde 54% da população nunca teve acesso à especialidade. 

Um movimento pela saúde da pele 

“O dossiê Brasil à Flor da Pele é um marco porque transforma dados em direção. Pela primeira vez, conseguimos mapear como a desigualdade de acesso e a desinformação impactam a saúde da pele no Brasil. Esses números nos convocam a agir não apenas como indústria, mas como agentes de transformação social. Cuidar da pele é cuidar da saúde, da dignidade e da autoconfiança das pessoas”, afirma Hanane Saidi, Diretora Geral da divisão de Beleza Dermatológica do Grupo L’Oréal no Brasil. 

Promover uma dermatologia mais diversa e acessível também passa por fortalecer a produção científica sobre grupos historicamente invisibilizados. ‘’No Brasil, atuamos há 25 anos ao lado da comunidade médica. Considerando que o nosso país é um dos mais diversos do mundo em tipos de pele e cabelo, lideramos frentes como o Dermatologia + Inclusiva, que incentiva financeiramente pesquisas que tragam respostas às realidades brasileiras. Reconhecer essa pluralidade e investir em ciência local é o que nos permite inovar com responsabilidade e colocar a dermatologia a serviço de todos os brasileiros’’, complementa. 

Procedimentos invasivos exigem preparo médico e atenção da população 

Embora cuidados e doenças da pele sejam as atribuições mais conhecidas da prática dermatológica (86%), aproximadamente 50% da população ainda desconhece que o dermatologista também realiza cirurgias na pele e trata de doenças capilares, além de cuidar das unhas e mucosas na sua rotina de atendimento a pacientes. 

Para Dr. Carlos Barcaui, presidente da SBD, é fundamental conscientizar a população sobre os riscos envolvidos em procedimentos invasivos. 

“Preenchimentos, toxina botulínica, lasers, peelings profundos e bioestimuladores, apesar de não serem cirurgias, são procedimentos invasivos que envolvem riscos reais. Quando mal indicados ou realizados por pessoas sem formação médica, podem causar consequências graves e permanentes ou até mesmo levar a óbito caso não sejam tratadas de imediato. O médico dermatologista é o profissional com formação específica para avaliar a pele, indicar o melhor tratamento e, principalmente, prever e tratar possíveis complicações”, diz Dr. Barcaui. 

Ele reforça ainda que, mais do que uma questão estética, esse é um tema de saúde pública. O paciente deve fazer check-up anual, uma forma eficaz de prevenir e tratar precocemente doenças graves, como o câncer de pele.  

“O Brasil ainda convive com desigualdades históricas de acesso à dermatologia, especialmente entre homens, jovens e a população negra. Essas desigualdades não impactam apenas o acesso aos serviços, mas também à informação, por isso é importante reforçar que o médico dermatologista é o profissional capacitado para cuidar não só da pele, mas também dos cabelos, das unhas e mucosas. Os dados do dossiê Brasil à Flor da Pele mostram que há interesse e atenção da população, mas falta orientação qualificada. Por isso, essa parceria entre a SBD e a L’Oréal Beleza Dermatológica é tão importante: ajuda a transformar conscientização em prática, unindo ciência, educação e responsabilidade social em torno da saúde integral”, afirma Dr. Carlos Barcaui. 

Veja aqui o Dossiê na íntegra.

Sobre a Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD) 

A SBD com 113 anos de existência reúne mais de 12 mil dermatologistas associados em todo o país e é a única sociedade de dermatologia reconhecida pelo Conselho Federal e Medicina e Associação Médica Brasileira. Com forte atuação científica, seus membros contribuem continuamente para o avanço da especialidade, especialmente por meio de estudos originais nas áreas de doenças infectocontagiosas, tropicais e dermatologia clínica, cirurgia dermatológica e cosmiatria. Essa produção reconhecida internacionalmente reforça o papel da dermatologia brasileira como referência global, destacando sua relevância na pesquisa, formação médica qualificada e no desenvolvimento ético e técnico da especialidade. 

A entidade é responsável por campanhas públicas de grande impacto, como a Campanha Nacional de Prevenção ao Câncer da Pele (CNPCP), criada em 1987 e institucionalizada em 1999, que realiza atendimentos gratuitos a cerca de 30 mil pessoas por ano, e a Campanha Nacional de Psoríase, promovida desde 2006 com ações educativas em todo o país. Coordena também a concessão do Título de Especialista em Dermatologia (TED), criado em parceria com a Associação Médica Brasileira (AMB), que assegura a qualificação técnica dos profissionais da área. Conta com 96 Serviços Credenciados, fundamentais para a formação de novos especialistas, e mantém iniciativas como o Programa de Educação Médica Continuada (EMC-D) e o fortalecimento das Sociedades Regionais, consolidando sua missão de promover o conhecimento científico e garantir o acesso da população a cuidados dermatológicos de excelência. 

Sobre o Grupo L’Oréal  

O Grupo L’Oréal se dedica à beleza há 115 anos. Com seu portfólio internacional único de 38 marcas  diversas e complementares, o Grupo gerou vendas no valor de 43.48 bilhões de euros em 2024 e conta  com mais de 90 mil colaboradores em todo o mundo. Como líder mundial em beleza, a empresa está  presente em todas as redes de distribuição: mercados, lojas de departamento, farmácias e drogarias,  cabeleireiros, varejo de viagens, varejo de marca e e-commerce. Pesquisa & Inovação, e uma equipe  de pesquisa dedicada de 4.000 pessoas, estão no centro da estratégia da L’Oréal, trabalhando para  atender as aspirações de beleza em todo o mundo. Reforçando seu compromisso de sustentabilidade,  a L’Oréal anunciou o programa L’Oréal Para o Futuro e estabeleceu metas ambiciosas de  desenvolvimento sustentável em todo o Grupo para 2030, visando capacitar seu ecossistema para  uma sociedade mais inclusiva e sustentável.   

No Brasil, o quarto maior mercado de beleza do mundo, a companhia completou 65 anos em 2024 e é  uma das líderes entre as empresas de beleza, com um portfólio de 22 marcas no país, como L’Oréal  Paris, Maybelline, Garnier, Niely, Colorama, Kérastase, L’Oréal Professionnel, Matrix, RedKen, La Roche Posay, Vichy, SkinCeuticals, CeraVe, Lancôme, Giorgio Armani, Yves Saint Laurent, Ralph Lauren,  Cacharel, Prada, Azzaro, Valentino e Mugler.  

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12 de outubro de 2025

Com a chegada do Dia das Crianças, celebrado em 12 de outubro, a Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD) faz um alerta importante: a exposição solar na infância e na adolescência exige atenção especial. 

Segundo a coordenadora do Departamento de Dermatologia Pediátrica da SBD, Dra. Sílvia Soutto Mayor, a exposição ao sol é benéfica e necessária na infância, mas precisa ser feita de forma segura. 

“A diferença entre a exposição solar na infância e na idade adulta é que a criança, em geral, costuma ser mais exposta à radiação ultravioleta, porque brinca mais ao ar livre e tem atividades fora de casa”, explica a especialista.  

Segundo ela, o sol tem papel essencial na síntese da vitamina D e na absorção de cálcio, fundamentais para o crescimento ósseo nesta faixa etária. No entanto, o excesso traz riscos sérios a longo prazo. 

“Mais da metade da radiação ultravioleta acumulada ao longo da vida ocorre na infância e na adolescência. Em alguns estudos, esse índice chega a 80%. Quanto mais queimaduras solares a criança tiver, maior o risco de desenvolver câncer de pele na idade adulta”, ressalta a médica dermatologista.  

Dra. Silvia alerta que as queimaduras solares na infância, aquelas que deixam a pele vermelha, quente, com febre ou até bolhas, podem alterar o DNA das células e aumentar as chances de câncer de pele no futuro. “O maior problema da exposição exagerada ao sol é justamente essa alteração celular que favorece o aparecimento de câncer de pele lá na frente”, explica. 

Proteção desde cedo  

Para garantir uma exposição solar saudável, a médica orienta que bebês com menos de seis meses não usem protetor solar químico. “Nessa fase, a pele é muito fina e permeável. A fotoproteção deve ser mecânica, com roupas, chapéus, bonés e o uso de guarda-sol”, recomenda. 

A partir dos seis meses, o uso de filtros solares infantis passa a ser indicado em casos de exposição prolongada, como idas à praia, piscina ou parques. 

“Os filtros solares infantis são testados para a pele da criança, que é mais sensível. Eles contêm mais componentes físicos do que químicos, sendo menos irritantes e mais seguros”, afirma a dermatologista. 

Ela destaca que, mesmo com protetor solar, é essencial evitar o sol entre 9h e 15h, período em que a radiação ultravioleta B é mais intensa e prejudicial. 

A especialista também chama atenção para o trabalho do dermatologista pediátrico, que tem formação voltada ao diagnóstico e tratamento de doenças de pele típicas da infância. 

“Qualquer dermatologista pode atender crianças, mas o dermatologista pediátrico tem maior experiência em doenças genéticas e mesmo as inflamatórias da pele, como dermatite atópica, psoríase e vitiligo nas crianças e adolescentes”, explica. 

Neste Dia das Crianças, a SBD alerta: brincar ao ar livre faz bem, mas com proteção e responsabilidade. 

“A infância é a fase em que mais acumulamos radiação solar. Cuidar da pele desde cedo é o primeiro passo para prevenir doenças e garantir um crescimento saudável”, conclui Dra. Sílvia Soutto Mayor. 

Dezembro Laranja: a campanha de conscientização do câncer de pele da SBD está chegando! 

Observar as pintas e sinais na pele é um passo importante na prevenção. Valorize o autocuidado e fique atento à saúde da sua criança. A prevenção começa com o olhar. O seu e o de quem está por perto! Observe. Cuide. Previna. 

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24 de setembro de 2025
“Quando descobri o Xeroderma Pigmentoso, ainda na infância, os médicos disseram que eu viveria até os 7 anos de idade. Neste ano completo 31, então para mim, isso é uma vitória e tanto. Para quem tinha uma expectativa de vida tão baixa, me sinto muito grato”, diz Julimar Flôres, um dos pacientes da Expedição Recanto das Araras. Presente desde a primeira edição, em 2015, ele celebra não só a própria trajetória de superação, mas também as conquistas que a comunidade vivenciou ao longo desses 10 anos.

Promovida pela Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD), em parceria com a La Roche Posay e com o apoio da SAS Brasil – organização que atua levando saúde especializada a populações em situação de vulnerabilidade -, a iniciativa realiza o diagnóstico precoce, o acesso a cirurgias e a transformação da qualidade de vida de uma comunidade inteira afetada pelo Xeroderma Pigmentoso (XP), uma condição genética rara que torna a pele extremamente sensível à luz solar e aumenta em até mil vezes o risco de câncer de pele.

Com uma taxa inédita de incidência no mundo, um caso para cada 40 habitantes, segundo a Associação Brasileira de Xeroderma Pigmentoso (AbraXP), Araras, localizada no município de Faina (GO), é considerada a maior comunidade com XP do planeta, atraindo o olhar de médicos e pesquisadores do Brasil e do exterior.
Desde 2015, quando foi realizada a primeira edição da expedição, centenas de lesões cancerígenas foram removidas, casos foram identificados precocemente e os pacientes passaram a contar com acompanhamento regular.

“A cada dois anos, dermatologistas voluntários de diversos estados se deslocam até a comunidade, levando não apenas conhecimento técnico e equipamentos de ponta, mas também empatia, acolhimento e esperança”, diz o presidente da SBD, Dr. Carlos Barcaui, que estará na ação.

A edição de 2025, marcada para os dias 26 e 27 de setembro, contará com um centro cirúrgico montado no próprio povoado, consultórios móveis, exames de imagem, além da distribuição de roupas de proteção e protetores solares da La Roche-Posay (linha Anthelios UVmune KA+ FPS 99), desenvolvidos especialmente para peles sensíveis e com alta proteção contra os raios UVA. A entrega gratuita dos produtos será realizada em sinergia com as orientações médicas e o trabalho educativo conduzido em parceria com a SAS Brasil.

De atendimento emergencial ao impacto estrutural

Ao longo dos 10 anos, a expedição evoluiu de uma ação médica pontual para um movimento contínuo de transformação social. O envolvimento de parceiros permitiu ampliar o impacto da iniciativa para além da saúde: foram doadas centenas de cestas básicas, roupas especiais e insumos essenciais para as famílias, muitas delas sem acesso a trabalho formal ou serviços públicos básicos.

Um dos resultados mais expressivos foi a construção de 50 moradias destinadas a pacientes com XP e suas famílias, concluída recentemente após uma década de articulações e mobilização. Outro avanço importante é a retomada da obra da Unidade Básica de Saúde (UBS) local, prometida desde 2014 e finalmente viabilizada com apoio de programas federais, graças à visibilidade gerada pelo projeto.

“Cada edição é uma chance de dar voz a uma comunidade invisibilizada. Graças à visibilidade conquistada, conseguimos abrir portas e conquistar melhorias que antes pareciam impossíveis”, afirma Gleice Machado, secretária de saúde de Faina e mãe de um paciente com XP, envolvida desde a primeira edição da ação.
Além disso, ações de educação ambiental transformaram a paisagem local, com o plantio de árvores e criação de espaços sombreados, ajudando a criar um ambiente mais seguro para quem vive sob risco constante ao sol.

Uma história que nasceu do olhar atento de uma médica

A origem da expedição remonta a 2009, quando a dermatologista Sulamita Chaibub atendeu uma criança com sinais levemente suspeitos. Depois de alguns meses, um exame de biopsia confirmou tratar-se de um tumor maligno. Com o  diagnóstico de XP e a descoberta de outros casos semelhantes na região, ela iniciou um trabalho de vigilância ativa em Araras. A situação sensibilizou a comunidade médica e resultou na organização da primeira expedição em 2015.
Desde então, Dra. Sulamita continua atuando como coordenadora voluntária do projeto. “Hoje, somos melhores do que ontem, e amanhã seremos melhores do que hoje. Com união, ciência e humanidade, estamos construindo uma nova história para Araras. Uma onda do bem por múltiplas mãos”, afirma a médica dermatologista.

Ação de 2025

A expedição deste ano contará com nove especialistas, incluindo Dr. Carlos Barcaui, presidente da SBD, além de médicos do Rio de Janeiro, Piauí e Goiás. Eles irão realizar cirurgias, aplicar terapias tópicas, fazer exames de imagem com dermatoscópios digitais e orientar os moradores sobre a importância da proteção solar diária e uso de barreiras físicas como roupas especiais, bonés e óculos escuros.
“Estamos diante de um cenário onde a genética, o contexto social e a exclusão se encontram. Em Araras, a situação exige diagnóstico precoce e intervenções rápidas, portanto, nossa missão é ir além dos consultórios e levar a medicina onde os pacientes têm pouco ou nenhum acesso a especialistas”, explica Dr. Carlos Barcaui, presidente da SBD.

Sobre o Xeroderma Pigmentoso (XP)

O Xeroderma Pigmentoso é uma condição genética rara que torna a pele extremamente sensível à radiação ultravioleta, presente na luz solar e em algumas fontes artificiais. Essa sensibilidade provoca danos cumulativos ao DNA das células da pele, o que aumenta de forma significativa o risco de desenvolver câncer cutâneo, especialmente em idade precoce. Embora seja uma condição rara, pode ocorrer em qualquer pessoa, independentemente de sexo ou etnia. A proteção solar precisa ser contínua e rigorosa, combinando filtros solares de alta eficácia, barreiras físicas (chapéus, roupas, óculos) e, quando necessário, intervenções médicas para remoção de lesões.
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23 de setembro de 2025

A Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD), entidade representativa dos dermatologistas em todo o território nacional, vem a público manifestar sua profunda preocupação com as recorrentes situações de interferência indevida na autonomia médica, praticadas por auditorias de operadoras de planos de saúde.

Essas condutas, que incluem a recusa de medicamentos prescritos e até a substituição unilateral de tratamentos — muitas vezes comunicadas diretamente ao paciente, sem ciência do médico — comprometem a essência do ato médico e a qualidade da assistência. Não raramente, tais práticas são acompanhadas de ameaças ou constrangimentos aos profissionais, configurando violação ao Código de Ética Médica e colocando em risco a relação de confiança entre médico e paciente.

A SBD reconhece o papel importante da auditoria na sustentabilidade do sistema de saúde suplementar. No entanto, observa-se que algumas operadoras vêm impondo protocolos de tratamento baseados exclusivamente em critérios econômicos, sem participação de especialistas e em desacordo com as melhores evidências científicas. Tal conduta limita a autonomia médica, compromete o acesso às melhores opções diagnósticas e terapêuticas e fere o princípio da medicina centrada no paciente.

Fundamentação Ética e Legal

O Código de Ética Médica estabelece que:

· Cap. I – Princípios Fundamentais, VIII: o médico não pode renunciar à sua liberdade profissional, nem aceitar restrições que prejudiquem a correção de seu trabalho.

· Cap. III – Responsabilidade Profissional, Art. 20: é vedado permitir que interesses de qualquer natureza interfiram na escolha dos melhores meios de prevenção, diagnóstico ou tratamento.

· Cap. VII – Relação entre Médicos, Art. 52: é vedado desrespeitar a prescrição ou o tratamento determinado por outro médico, inclusive em função de auditoria, salvo em benefício inequívoco do paciente.

Além disso, a Resolução CFM nº 1.614/2001 é clara ao definir que a auditoria é ato médico, devendo ser exercida por profissional habilitado e sujeito às mesmas normas éticas. O auditor não pode intervir ou modificar procedimentos instituídos, exceto em situações de urgência, emergência ou iminente risco de morte, e sempre com comunicação ao médico assistente.

Posicionamento da SBD

Diante deste cenário, a Sociedade Brasileira de Dermatologia:

· Repudia toda forma de interferência indevida na prescrição médica, que comprometa o cuidado centrado no paciente.

· Defende a autonomia profissional e o direito dos pacientes de receberem tratamentos baseados nas melhores evidências científicas.

· Convida os órgãos reguladores, entidades médicas e operadoras de saúde a se engajarem em diálogo construtivo para garantir a sustentabilidade do sistema sem comprometer a ética médica.

· Incentiva médicos e pacientes a reportarem casos de interferência, para que sejam devidamente apurados e corrigidos.

Nosso compromisso é com a ética profissional, a medicina de qualidade e a dignidade do paciente. Reiteramos que nenhuma decisão administrativa deve se sobrepor à prescrição fundamentada em evidências científicas.

Carlos Baptista Barcaui

Presidente da Sociedade Brasileira de Dermatologia Gestão 2025-2026





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