Moratória contra a abertura de escolas médicas




21 de novembro de 2017 0

A Associação Médica Brasileira (AMB) expressa seu total apoio à moratória decretada pelo Ministério da Educação, que proíbe a criação de novas escolas de medicina no país por um prazo de cinco anos. A medida foi um dos pleitos levados pela AMB ao ministério, em reuniões realizadas no mês de outubro. O objetivo é solucionar um problema grave: a má formação de médicos oriundos de escolas de medicina abertas sem condições mínimas necessárias para a formação de profissionais qualificados para atender a população de maneira adequada. 

“Formar médicos custa caro. Formar maus médicos custa muito mais caro. E por um longo período. Médicos mal formados são mais inseguros, solicitam exames desnecessários, não utilizam os tratamentos apropriados, não seguem os protocolos corretos, aumentando o tempo de internação dos pacientes e de intervenção médica sem real necessidade. Sobrecarregam o sistema de saúde, principalmente o público, que carece de mecanismos de gestão, precarizam a prevenção dos agravos e, pior, colocam em risco a vida dos brasileiros”, afirma Lincoln Ferreira, presidente da AMB. “Agora é fundamental que o decreto seja assinado pelo presidente da República, com a agilidade que o tema merece”, alerta Lincoln.A moratória na abertura de novas escolas médicas é um passo importante para a resolução dos problemas de qualidade na formação desta área. Não é uma demanda da classe médica. É uma demanda de todos os que se debruçam sobre o assunto e avaliam os riscos de criar escolas sem a garantia capacitação correta de seus profissionais. 

Outros passos precisam ser dados na sequência, visando garantir a preparação de bons médicos. “Precisamos cancelar os editais lançados durante o governo anterior e que ainda estão em andamento. Eles foram concebidos com os mesmos vícios que causaram os problemas que temos visto em diversas escolas inauguradas recentemente”, avalia o presidente da AMB.

Também é fundamental resolver a situação das faculdades já abertas nos últimos anos e que estão operando sem as condições necessárias para a formação  de profissionais competentes. Estes estabelecimentos precisam ser avaliados constantemente, assim como seus alunos, de forma seriada. Para Lincoln Ferreira, “as escolas que não estão atuando dentro de um determinado padrão de qualidade precisam sofrer sanções e readequações”. E acrescenta: “Não podemos permitir a existência de médicos de primeira e de segunda classe. A população precisa ter certeza de que, se um médico está formado e com um diploma, ele tem totais condições de atendê-la, independentemente de onde tenha estudado”.  Esta fiscalização de controle de qualidade é uma bandeira de longa data da AMB, inclusive para médicos formados antes da abertura indiscriminada de novas escolas. 

Mercado da educação médica

Há bons cursos de medicina inaugurados nos últimos anos, mas, na maioria dos casos, as novas escolas médicas têm sido criadas por interesses políticos ou econômicos de alguns grupos e sem uma visão estratégica sobre o atendimento à população.

Cidades escolhidas para este fim, às vezes muito distantes de uma capital, onde não existem médicos qualificados e habilitados sequer para atender à população,s quanto mais para exercer a docência e formar outros médicos. Aulas com professores inexperientes e sem a competência necessária obviamente gerarão profissionais despreparados. Há registros, inclusive, de escola de medicina que teve aulas transferidas para o período noturno por não haver professor para dar aula durante o dia. 

A estrutura física também deixa muito a desejar. Em várias dessas escolas não há hospital universitário, sendo aceitos convênios com a rede pública de saúde (hospitais e outras unidades), entidades que não têm a vocação para o ensino, deixando descoberto importante aspecto do ensino médico: a convivência, orientada desde cedo, para casos reais.

Fonte: AMB


9 de novembro de 2017 0

A SBD comunica que abrirá a partir desta sexta-feira (10/11) o período para recadastramento do associado que deseja alterar o status (associado eletrônico ou padrão). O associado eletrônico tem 15% de desconto na anuidade de 2018 da sua categoria e acesso às revistas científicas e ao JSBD apenas nas versões on-line, não recebendo as versão impressas.

Caso você tenha interesse em fazer a alteração do seu status atual, acesse seu cadastro na área restrita do site da SBD e informe sua opção de 10 a 30 de novembro de 2017.

É importante lembrar que o associado que não realizar o recadastramento on-line será mantido no status em que se encontra no ano de 2017.

* Salientamos que não haverá mudança de status para o ano de 2018 após o período mencionado acima. 


8 de novembro de 2017 0

A cada edição da Reunião Anual de Dermatologistas Latino-Americanos (Radla) são oferecidas bolsas de estudo a jovens dermatologistas para a participação no encontro. O objetivo é incentivar a atualização científica e promover a educação médica continuada desses especialistas. Para o XXXVI Radla, a ocorrer de 28 de abril a 1º de maio, em Cancún, no México, haverá o total de 210 bolsas para serem distribuídas aos países Radla, sendo 30 bolsas destinadas ao Brasil. A bolsa contempla inscrição e hospedagem em apartamento duplo, no período da XXXVI Radla (5 diárias), sendo o transporte de responsabilidade do bolsista.

Segundo o regulamento, podem participar os médicos em processo regular de formação na especialidade de dermatologia ou dermatologistas com até 5 anos do término da sua formação. Para concorrer, o candidato deve obrigatoriamente apresentar na XXXVI Radla, um trabalho científico, na condição de autor – apresentação oral ou pôster – em qualquer uma das categorias: investigação científica, mini-caso/comunicação livre ou dermatologista jovem. 

O resumo, em português, deverá ser enviado para o e-mail cientifico@intimeeventos.com.br e conter os seguintes tópicos, na ordem: título do trabalho, autor e co-autores (e-mail e telefone para contato), instituição onde foi realizado, resumo. No resumo de mini-caso e mini-comunicação devem constar: fundamentos, motivo da apresentação, apresentação clínica do caso e discussão. No resumo de investigação devem constar: fundamentos, objetivos, métodos, resultados, discussão e conclusões. 

O texto do resumo deverá ter no máximo 2.500 caracteres incluindo os espaços.

A data-limite para o envio é 5 de dezembro de 2017.

A seleção dos trabalhos será feita pelo Comitê Radla Brasil, levando em consideração o mérito científico. O resultado será divulgado até o dia 11 de dezembro de 2017.

Para obter informações sobre regulamento, benefícios, deveres e outros, consulte o site da Radla. (estatutos-becados).

 

Comitê Radla-Brasil


28 de outubro de 2017 0

A Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD) informa que o prazo para submissão de projetos de pesquisa técnico-científica para concorrer ao financiamento do Fundo de Apoio à Dermatologia (Funaderm) vai de 1º de novembro a 1º de dezembro. Estarão aptos a participar os associados titulares quites com as obrigações associativas.

Os projetos de investigação devem ser submetidos em formato PDF pelo e-mail funaderm@sbd.org.br, acompanhado da documentação descrita e publicada nos termos do regimento. Serão financiados projetos de pesquisa em todas as áreas da dermatologia, com orçamentos de até 25 mil reais (R$ 25.000,00), e com prazo de execução de até dois anos.

Os recursos do Funaderm são provenientes da arrecadação de doações, legados, auxílios, subvenções, contribuições e outras aquisições proporcionadas por quaisquer pessoas físicas ou jurídicas. De acordo com o regimento, haverá repasse anual relativo aos projetos de pesquisa de até 10% do resultado financeiro positivo da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD).

O Funaderm é presidido por Antonio D'Acri, tem como secretario-geral, Flavio Luz, segundo secretário, Helio Miot, e coordenador de ética, Vidal Haddad.

Acesse o regimento e veja os requisitos para inscrição.
 


27 de outubro de 2017 0

A Regional Mato Grosso da SBD realizou ação especial de conscientização dos cuidados com cabelos e unhas no Bem Estar Global, no Parque das Águas, em Cuiabá, nesta sexta-feira (27/10). Na Tenda da Pele, o público teve acesso também a orientações sobre diversas doenças dermatológicas. Foram 200  atendimentos, cerca de 20% a mais que no ano passado, das 7h às 13h.

"Nosso principal objetivo foi oferecer ao público informação, ressaltando a necessidade da prevenção e orientando onde procurar tratamento adequado. Quadros clínicos identificados como doenças infecciosas, inflamatórias e casos de câncer da pele tiveram prioridade e encaminhamento para hospitais universitários da região", detalha o presidente da Regional da SBD-MT, Renato Roberto Liberato Rostey.

O vice-presidente da Regional da SBD em Mato Grosso, Igor Bottura, reforçou que é fundamental buscar o dermatologista para cuidar de cabelos e unhas. "Muitas vezes, as pessoas tratam problemas relacionados a cabelos e unhas sem um especialista e isso pode trazer efeitos colaterais prejudiciais à saúde", alerta. Para a dermatologista Noemy Sônia Ueno, que também participou da ação Bem-estar Global na tenda da SBD, "participar é uma forma de mostrar à população que o dermatologista também cuida de cabelos e unhas e que essa é uma especialidade médica que ajuda a identificar uma série de problemas de saúde, não só doenças dermatológicas como doenças clínicas, como câncer, anemia e casos de tireoide", explica.

Diagnóstico preciso que nem sempre todas as pessoas conseguem ter, conseguiram hoje com exclusividade. É o caso de Zilmeire Lourenço da Silva, de 48 anos, com suspeita de psoríase. "É difícil ter acesso a atendimento especializado e essa ação facilita o acesso à informação e à orientação médica. Fui atendida por um dermatologista e consegui encaminhamento para o Hospital Universitário Júlio Müller", conta.

A aposentada Paula Pereira (foto abaixo), 63 anos, ressaltou a importância da iniciativa para a cidade, que passa por dificuldade de atendimento da rede pública na região. "O médico dermatologista (Dr. Renato) me deu orientação sobre o que devo ou não fazer em relação às manchas de pele que tenho", revela, aproveitando a oportunidade para passar na Tenda da Acupuntura e da Alimentação Saudável para buscar orientações sobre prevenção da obesidade.

 

Os casos suspeitos foram encaminhados para o Hospital Universitário Júlio Müller, Hospital Geral de Cuiabá e Hospital Universitário de Várzea Grande. Também participou da ação a médica residente do Hospital Universitário Júlio Müller, Vivian Galindo.


5 de outubro de 2017 0

O vice-presidente da SBD, Sérgio Palma; o ministro da Educação, Mendonça Filho; e o presidente da SBD, José Antonio Sanches, discutem os desafios e as perspectivas dos cursos de pós-graduação lato sensu em dermatologia

 

O presidente da SBD, José Antonio Sanches, e o vice-presidente da SBD, Sérgio Palma, participaram de importantes reuniões com a secretária-executiva da Comissão Nacional de Residência Médica (CNRM), Rosana Leite de Melo, o ministro da Educação, Mendonça Filho, e o secretário nacional da Secretaria de Educação Superior (Sesu), Paulo Monteiro Barone, nesta quarta-feira (4/10), em Brasília. Foram os primeiros encontros do ano com os representantes do Ministério, desde a posse da nova Diretoria da SBD, para o debate de temas de interesse da dermatologia, como o ensino e cursos de pós-graduação em dermatologia e os sistemas de avaliação dos estudantes. 

Durante o encontro com Rosana de Melo, os dirigentes enfatizaram a valorização da Residência Médica como padrão-ouro de formação para assistência à saúde e proteção da população. A secretária solicitou a elaboração da Matriz de Competências da Dermatologia pela SBD, levando o pleito à Secretaria da CNRM para aprovação em plenário. Rosana também falou sobre a avaliação das instituições de ensino em residência médica (Cerem/Coreme) e elaboração de relatório conjunto, reunindo avaliador do MEC e avaliador da Sociedade. 

O presidente Sanches informou que a Diretoria da SBD promoverá em breve um Fórum de Debates sobre a Residência em Dermatologia, no qual serão discutidos tópicos como o acesso à residência de dermatologia (pré-requisito), a duração do curso e o número de bolsas ofertadas. 

Com o ministro Mendonça Filho, a conversa foi sobre a proliferação dos cursos de pós-graduação lato sensu com baixa carga horária e treinamento teórico-prático insuficiente, além da falta de fiscalização de vários programas de pós-graduação, da emissão dos certificados e a terceirização do ensino. A preocupação da SBD é com as consequências dessa situação no exercício da profissão.

O ministro ressaltou que há interesse em estabelecer um canal de diálogo com a dermatologia, e que seu compromisso é o de melhorar o ensino médico no país, impedindo prejuízos maiores ao processo de ensino-aprendizagem e ao atendimento disponibilizado à população.

Também foram apresentadas as consequências de inserção no mercado de trabalho de profissionais mal qualificados na área e sem aprovação em Exame de Título de Especialista em Dermatologia (TED). “A população ainda confunde especialista médico com médico que concluiu uma especialização lato sensu sem qualidade e sem obtenção do TED”, explica Palma. 

Sobre o assunto, a diretora da Secretaria de Regulação e Supervisão da Educação Superior (Seres), Patrícia Augusta Vilas Boas, informou que o MEC realizará campanha de esclarecimento à população sobre as instituições de ensino e as ações de supervisão. 

Na reunião com o secretário nacional da Secretaria de Educação Superior (Sesu), Paulo Monteiro Barone, definiu-se novo encontro com os dirigentes da SBD, a ser realizado no fim de outubro, para o debate das Diretrizes Nacionais para os Cursos de Pós-Graduação Lato Sensu Especialização estabelecidas pelo Ministério da Educação – Conselho Nacional de Educação (CNE) – Câmara de Educação Superior (CES). A pauta incluirá a revisão da resolução CNE/CES 1/2007, que estabelece normas para o funcionamento de cursos de pós-graduação lato sensu em nível de especialização.

 

 

 


29 de setembro de 2017 0

A Equipe Editorial dos ABD anuncia que, a partir de 16 de outubro, mudanças importantes visando aumentar a qualificação dos artigos, começam a valer para os autores de língua portuguesa, que devem enviar seus manuscritos também na língua inglesa. A publicação bilíngue é passo fundamental para o crescimento da presença e visibilidade do periódico e, consequentemente, para o impacto internacional de seus artigos. Com isso, a qualificação do periódico na Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) também tende a ser maior, contribuindo para o fortalecimento do ensino na área da dermatologia no país.
 
Para os autores que não têm o domínio no inglês, a empresa American Journal Experts (AJE), parceira do SBD Care, oferece desconto de 15% aos associados para traduções de trabalhos científicos, e a Blue Pencil Science, dá 10% de desconto nas traduções e 15% nas edições. Os trabalhos são traduzidos por editores especialistas de acordo com a área de estudo e depois revisados por pesquisadores que têm o inglês como língua nativa.
 
Há novidades também em três seções dos ABD. São elas:
 
– Cartas:
a) Cartas/Caso clínico (Case letters) – breves relatos de casos ou de novas reações adversas a drogas;
b) Cartas/Investigação (Research letters) – trabalhos de investigação de menor complexidade, como pequenas séries de casos, divulgação de resultados preliminares de pesquisas originais e relatórios iniciais de ensaios terapêuticos.
O texto deve ser contínuo, sem divisão por tópicos, com no máximo 750 palavras, sendo permitidas três ilustrações (não subdivididas) e cinco referências.
 
–  Correspondência:
A seção admite comentários, opiniões ou respostas a questionamentos decorrentes de artigos publicados neste periódico, até dois números precedentes, cujo texto deve ser contínuo e não exceder 400 palavras. Toda correspondência estará sujeita à análise, revisão e aprovação da Equipe Editorial.
 
–  Dermatologia Tropical/Infectoparasitária (Imagens, Investigação):

A seção destina-se a privilegiar a publicação de trabalhos que têm como ênfase as doenças infecciosas e parasitárias com repercussão dermatológica, incluindo a hanseníase, a leishmaniose tegumentar, as doenças sexualmente transmissíveis e AIDS, entre outras. Compreende documentações por imagens clínicas, histopatológicas ou de outros exames complementares representativas de casos clínicos relevantes, assim como trabalhos de investigação referentes a essa área do conhecimento. O corpo do texto poderá ser contínuo, com no máximo 500 palavras, ou subdividido em tópicos, com no máximo 750 palavras, se no formato de investigação. Deve-se incluir resumo não estruturado, em inglês e português, com máximo de 100 palavras, sendo permitidas quatro ilustrações e dez referências.


22 de setembro de 2017 0

 

Dermatologistas da SBD da Regional AM participaram do Bem Estar em Manaus, nesta sexta-feira (22/9), em Ponta Negra, das 7h às 13h. Na Tenda da Pele, aproximadamente 420 pacientes receberam orientações sobre doenças tropicais ligadas à dermatologia, como a leishmaniose, hanseníase, além das manifestações cutâneas da dengue, zika e chikungunya. Os casos detectados foram encaminhados para acompanhamento nos ambulatórios credenciados pela SBD no Amazonas. Atuaram na ação residentes dos Serviços de Dermatologia da Fundação Alfredo da Matta, Fundação de Medicina Tropical do Amazonas e Hospital Universitário Getúlio Vargas.

“Este trabalho envolve toda uma equipe de médicos dermatologistas, residentes e acadêmicos de medicina para examinar e ao mesmo tempo orientar os pacientes com relação à prevenção, além do serviço de exame. É uma importante prestação de serviço à população, já que hoje somos 111 dermatologistas no AM e as pessoas aproveitam essa oportunidade para um primeiro olhar do dermatologista”, comentou a presidente da Regional Amazonas, Monica Nunes.

Pacientes com suspeitas de doenças como a psoríase e o câncer da pele também tiveram prioridade no atendimento. Oito casos de câncer da pele foram diagnosticados, dos quais dois serão operados já amanhã no Hospital e Pronto-Socorro (HPS) Delphina Rinaldi Abdel Aziz.

“O atendimento foi rápido e preciso. Neste sábado, minha mãe [80 anos de idade] fará um procedimento de retirada de câncer da pele, algo que normalmente demoraria de 4 a 5 meses na rede pública de saúde para uma resolução”, disse Neuza Souza Silva, de 54 anos. 

 

Com manchas no braço e na coxa que geram muita coceira, José Francisco Vieira, 61 anos, aproveitou a ação para tentar identificar o problema com um dermatologista. “Fui encaminhado para uma avaliação mais precisa da coceira e fiquei muito satisfeito com a qualidade das informações que recebi dos especialistas”, disse. “Quero agradecer pela atenção, organização e tratamento humanizado para essas doenças tão estigmatizadas”,  afirmou a professora Lucilene Barbosa , 42 anos. 

Folhetos explicativos sobre doenças tropicais com a chancela da SBD foram distribuídos pelos especialistas durante o evento. Além da presidente Mônica Nunes, a ação contou com a presença da assessora de pesquisa da SBD-AM, Silmara Pennini.

 


21 de setembro de 2017 0

Maria Fernanda Ziegler | Agência FAPESP – O número de artigos publicados por pesquisadores brasileiros cresceu muito nos últimos 20 anos. Porém, o impacto dessas pesquisas não acompanhou o mesmo crescimento. Para pensar em maneiras de reverter o cenário, especialistas se reuniram no 1st Symposium on High Impact Publications, no Instituto Butantan. O evento, dia 1º de setembro, teve o intuito de debater estratégias para que a ciência praticada no país conquiste mais relevância.

“Em 20 anos tivemos pouca evolução de impacto e os problemas estão em todas as áreas. É verdade que algumas conquistaram mais espaço, como é o caso de Clínica Médica e Física. No entanto, o fato é que, na média, nunca o impacto dos artigos brasileiros foi maior do que a média do impacto mundial”, disse Carlos Henrique de Brito Cruz, diretor científico da FAPESP.

Para Brito Cruz é possível observar uma relação entre colaboração internacional e o aumento do impacto dos artigos. “Acredito que a colaboração internacional seja uma boa estratégia, uma delas, para se ter mais impacto. Olhando o histórico de Espanha e Itália, que cresceram muito nesse quesito nos últimos anos, a colaboração parece funcionar, mas isso não deve virar um dogma. De qualquer forma, antes de ter publicações de impacto, é preciso ter pesquisa de impacto”, disse.

No simpósio, os especialistas, além de estimular a colaboração internacional, destacaram a importância de aumentar o impacto das revistas científicas brasileiras e a oferta de melhores condições para a realização de projetos de pesquisa de maior ousadia e duração.

Eduardo Magalhães Rego, chefe do Serviço de Hematologia e Oncologia Clínica do Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto e editor de quatro revistas científicas com diferentes índices de impacto, concorda que é importante haver maior integração.

“É claro que antes de iniciar um projeto de pesquisa é preciso fazer uma ampla revisão da literatura, mas vejo que é importante também o pesquisador discutir sua hipótese com pessoas-chave da sua área. Principalmente na investigação clínica, em que o estudo multicêntrico é muito importante e é essencial que a hipótese seja discutida por várias pessoas. Isso resulta em perguntas mais inovadoras e na identificação dos pontos críticos da pesquisa”, disse à Agência FAPESP.

Magalhães Rego destaca também o cuidado com as estatísticas. “Às vezes a gente acha que sabe, mas ter alguém da área de Exatas que possa olhar para os dados ajuda muito a desenhar o modelo da pesquisa e até a melhorar a maneira de estruturar a pergunta”, disse.

Para ele, o que torna uma pesquisa clínica em um artigo relevante são itens como: modificar a prática clínica; trazer novos entendimentos ou insights sobre a patogênese ou a história natural da doença; oferecer um novo entendimento sobre mecanismos de ação da droga ou da interação da droga ou medidas preventivas.

O que tem de novo?

Para publicar nas revistas de alto impacto, é preciso buscar originalidade e também conhecer as publicações. “Cada revista tem um perfil, um escopo. Os pesquisadores devem ler pelo menos as seis últimas edições da revista na qual almejam ter o artigo publicado para saber o que os editores estão interessados em publicar naquele momento”, disse Philippa Benson, editora executiva da Science Advances.

Benson também destacou que caso o artigo já tenha sido rejeitado por uma revista científica, o pesquisador precisa ter mais cuidado quando for escolher outra. “Mude o paper para que ele se encaixe na linha editorial da publicação. E nunca mande o mesmo manuscrito e a carta de apresentação para outra revista”, disse.

Em uma palestra bem-humorada. Glenn King, editor-chefe da revista Toxicon, destacou as 10 maneiras de um pesquisador ter o artigo rejeitado pela publicação.

Não ter revisado a literatura, plagiar, omitir componentes-chave do artigo, escorregar na gramática, ser desrespeitoso com os pares, fazer declaração sem suporte, dar preferência a declarações subjetivas, ser ambíguo ou inconsistente, pesquisar “mais do mesmo” e ignorar os comentários dos editores e revisores é o que não deve ser feito, segundo King. 

Fonte: Agência FAPESP

 





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