Campanha de combate à hanseníase quer estimular o debate sobre essa doença negligenciada



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Campanha de combate à hanseníase quer estimular o debate sobre essa doença negligenciada

6 de janeiro de 2022
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No Brasil, a cada ano, mais de 30 mil pessoas são diagnosticadas com hanseníase. Esse índice deixa o País no segundo lugar do ranking mundial dessa doença, superado somente pela Índia. Contudo, especialistas acreditam que o número de pessoas acometidas pode ser ainda maior. Para reverter esse quadro, a Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD) realiza em janeiro uma campanha sobre o tema.

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O mote – “Precisamos falar sobre hanseníase” – é um estímulo ao debate desse problema de saúde pública. A intenção é alertar e conscientizar a população, além de combater o estigma e o preconceito sobre essa doença negligenciada.

Conscientização – Durante o Janeiro Roxo (cor que simboliza a luta contra a hanseníase), os dermatologistas brasileiros divulgarão informações de utilidade pública, preparadas pelos especialistas para conscientizar a população sobre a doença. Além de peças distribuídas nas redes sociais, serão divulgados vídeos e podcasts sobre o assunto e realizadas lives nas quais a população e profissionais de saúde poderão assistir e encaminhar suas dúvidas. Médicos também poderão participar de cursos de capacitação assistindo aulas sobre a clínica, exame neurológico simplificado, reações e tratamento da doença.

“A hanseníase é infecção curável, de prognóstico muito bom, na maior parte dos casos. Isto acontece pois está diretamente ligada ao tempo de evolução da doença, ou seja, quanto mais tarde for o diagnóstico, maior a possibilidade de dano neural, às vezes, irreversível. Portanto, é muito importante que a população seja informada sobre os principais sinais e sintomas da doença e procure assistência médica o mais precocemente possível. Neste sentido, a campanha do Janeiro Roxo tem papel importante”, observa o vice-presidente da SBD, Heitor Gonçalves.

Segundo Heitor, a SBD tem papel essencial nesse processo, especialmente na capacitação das equipes que atuam nos postos de saúde. “Atualmente, a maioria dos casos são diagnosticados na Atenção Primária. E durante este processo, a colaboração dos dermatologistas da SBD, que possuem acurácia mais desenvolvida no diagnóstico das lesões cutâneas, tem sido fundamental no treinamento destes profissionais, principalmente, para o diagnóstico precoce. Contudo, a alta rotatividade das equipes treinadas gera a necessidade contínua de novas capacitações”, acrescentou o presidente da SBD, Mauro Enokihara.

Ações 2022 – Além da campanha digital e dos vídeos e podcasts, a SBD lançará ao longo do mês um Guia Ilustrado sobre a hanseníase, que terá como público alvo a população leiga e trará orientações gerais sobre sinais, sintomas, diagnóstico e tratamento. Outra iniciativa é a distribuição de uma Nota Técnica destinada aos médicos e equipes de saúde, com orientações gerais sobre o esquema terapêutico recentemente atualizado.

Os agentes públicos concordaram em iluminar vários prédios e monumentos de roxo, como forma de adesão à iniciativa que terá como ponto alto o dia 30 de janeiro (último domingo do mês), quando se comemora o Dia Mundial contra a Hanseníase e o Dia Nacional de Combate e Prevenção da Hanseníase, data instituída pela Lei nº 12.135/2.009.

Heitor de Sá Gonçalves ressalta a importância dessas datas, na simbologia da luta contra a hanseníase. Ele lembra que desde 2016, o Ministério da Saúde oficializou o mês de janeiro como o período dedicado à conscientização sobre essa doença, tendo escolhido a cor roxa para marcar a realização das diferentes atividades. “Desde o início, a SBD tem se engajado fortemente nessa campanha, fazendo chegar mensagens educativas à população e aos profissionais da saúde de todas as regiões do País”, arrematou.

A coordenadora do Departamento de Hanseníase da SBD, Sandra Durães, salienta que a informação é a chave para superar o desafio que a doença representa à saúde da população brasileira. “É importante que todos os profissionais de saúde saibam reconhecer os sinais e sintomas, como é feito o diagnóstico e apoiar o tratamento precoce. Com isso, podemos desarticular o preconceito que é injustificado e prejudica bastante”, frisa.

Sinais e sintomas – Doença infecciosa crônica, a hanseníase causa lesões de pele e danos aos nervos. Os principais sinais são manchas na pele, mais claras, vermelhas ou escuras; diminuição da sensibilidade no local das lesões, onde também pode haver a redução de pelos e diminuição/ausência de transpiração. As alterações dos nervos periféricos se manifestam também nas áreas onde não há lesões de pele com sensação de dormência e formigamento e/ou perda de força muscular nos olhos, nas mãos e nos pés. Nas fases agudas, podem aparecer caroços e/ou inchaços nas orelhas, nas mãos, nos cotovelos e nos pés.

O contágio pela hanseníase depende de contato direto e constante com um portador do bacilo, sem tratamento. A transmissão ocorre por meio de gotículas de saliva ou secreções do nariz, porém, tocar na pele não transmite a doença. Além disso, o risco aumenta em populações de maior vulnerabilidade social.

O contágio pela hanseníase depende de contato direto e constante com um portador sem tratamento. A transmissão ocorre por meio do contato com gotículas de saliva ou secreções do nariz, porém tocar na pele não transmite a doença. De modo geral, as populações com maior vulnerabilidade social são as mais suscetíveis a desenvolverem a doença.

Sandra Durães diz que o melhor caminho para conter o avanço da doença está no diagnóstico e tratamento precoces dos doentes. Ela ressalta que os pacientes com diagnóstico confirmado de hanseníase devem orientar pessoas próximas, como familiares, amigos e colegas de trabalho, para que sejam examinadas por um médico. “Esse cuidado é importante para identificar de forma precoce outros casos dentro de um mesmo grupo”, orienta.

Ela ressalta que o diagnóstico é feito em 70% dos casos pelo médico da Atenção Primária e envolve avaliação clínica e testes de sensibilidade e, em alguns casos, biópsia das lesões cutâneas e até mesmo de nervos periféricos. No Brasil, o Sistema Único de Saúde (SUS) oferece tratamento gratuito – que varia de seis meses a um ano – nos postos de saúde.





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