De cara limpa



De cara limpa

22 de maio de 2010

Engana-se quem pensa que a acne ataca somente os adolescentes.Mulheres adultas precisam lidar com esse mesmo problema: espinhas que insistem em aparecer

A confraternização de fim de ano estava próxima e todos os amigos do novo trabalho do marido de Cleide Formentini estariam lá. Ninguém a conhecia, exceto pelos intermináveis elogios que o companheiro fazia de sua esposa perfeita. A estudante de Direito realmente tinha um corpo de dar inveja, traços faciais bem delineados, cabelos brilhantes e compridos e dentes de um branco invejável. Apenas uma característica destoava de toda a beleza da mulher de 30: as temidas espinhas. Elas vinham aos montes. Cada olhada ao espelho contemplava um novo pontinho vermelho em seu rosto que, aos poucos, inundava bochechas, testa e queixo. Desesperada, por várias vezes Cleide espremeu as espinhas na esperança de que fossem eliminadas, mas não tinha sucesso. Agora, no lugar de pontinhos vermelhos, haviam hematomas causados pela pressão dos dedos.

Quando o dia da confraternização chegou, a acne ainda marcava presença, mas agora estava visivelmente coberta com maquiagem. Tudo em vão. Persistentes, passado o efeito do corretivo e da base no rosto, as espinhas não demoraram a dar o ar da graça novamente.

DESAGRADÁVEL SURPRESA

De acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), 80% dos jovens entre 12 e 21 têm espinhas. Mas como explicar o caso de Cleide, uma mulher de 30 anos, com acne? Segundo a Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD), o problema pode atingir até 5% das mulheres adultas, perdurando até os 35 anos de idade. A dermatologista Daniela Nunes, membro da SBD, afirma que as espinhas aparecem, na maioria das vezes, devido às alterações hormonais decorrentes da puberdade, na adolescência. No caso da mulher adulta, o problema também se relaciona aos hormônios, mas está ligado a alterações fisiológicas, como a síndrome dos ovários policísticos.

A dermatologista Carolina Marçon ensina como surgem essas “pequenas gigantes” capazes de aniquilar a autoestima de quem as tem como pano de fundo no rosto. “Tudo começa na unidade pilossebácea, ou seja, no orifício formado por pelo e a glândula sebácea, que é responsável por secretar o sebo que protege a nossa pele. Assim, quando há uma mudança no padrão de secreção, formam-se ‘tampões’ — os chamados comedões (cravos) — que representam as ‘bombas-relógios’ da acne”, explica a médica. Sob a influência dos hormônios sexuais (androgênios) que estimulam as glândulas sebáceas a produzir maiores quantidades de sebo, esses tampões encontram na pele mais um fator para o surgimento das espinhas: as bactérias. O resultado é um só: inflamação e, consequentemente, a acne.





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