Sociedade Brasileira de Dermatologia promove Seminário na Câmara dos Deputados, como parte do Dezembro Laranja, campanha de prevenção do câncer de pele



Sociedade Brasileira de Dermatologia promove Seminário na Câmara dos Deputados, como parte do Dezembro Laranja, campanha de prevenção do câncer de pele

4 de dezembro de 2025
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A Câmara dos Deputados sediou, em 3 de dezembro, o seminário “Dezembro Laranja: câncer de pele no Brasil – um desafio de saúde pública”, organizado pela Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD) em parceria com as Comissões de Participação Legislativa e de Saúde. O encontro, aberto ao público, reuniu especialistas, parlamentares e representantes do setor para discutir prevenção, acesso ao diagnóstico, impacto econômico e medidas concretas para conter o avanço da doença: o tipo de câncer mais frequente no país. 

A abertura foi conduzida pelo presidente da Comissão de Legislação Participativa, deputado Fred Costa (PRD-MG), acompanhado do deputado Dr. Frederico (PRD-MG), autor dos requerimentos para a realização do seminário, e do Dr. Carlos Baptista Barcaui, presidente da SBD. 

Um dos temas centrais foi a necessidade de regulamentar a Lei 14.758/2023, que institui a Política Nacional de Prevenção e Controle do Câncer (PNPCC) no SUS. O presidente da SBD, Dr. Carlos Barcaui, destacou a magnitude do problema. “De cada três casos de câncer diagnosticado no Brasil, um deles é de pele”, afirmou. Ele lembrou ainda que o SUS gasta cerca de R$ 3,9 bilhões por ano com câncer, e que melhorias na prevenção podem gerar economia significativa ao Estado. 

Dr. Barcaui também apresentou os tipos mais comuns de tumores: o carcinoma basocelular, o carcinoma espinocelular e o melanoma, este último mais agressivo. O médico citou dados da Organização Mundial da Saúde, de acordo com ele “se nada for feito, a expectativa para 2040 é um aumento de 80% no número de mortos por melanoma no Brasil”. 

Ele chamou atenção para os desafios no acesso ao diagnóstico e ao tratamento, mencionando a Lei dos 60 dias, que estabelece o início do tratamento oncológico nesse intervalo após o laudo da biópsia. “Não temos dados claros sobre o cumprimento da lei. E, muitas vezes, até mesmo chegar à etapa da biópsia já representa um percurso difícil para o paciente”, afirmou.
Segundo ele, os atrasos podem contribuir para afastamentos do trabalho, perda de produtividade e grande sofrimento na vida das famílias.  

O médico dermatologista lembrou que 2025 é o ano em que a OMS classificou a saúde da pele como parte essencial da saúde global. “Não existe saúde integral sem a saúde da pele”, disse. Entre as medidas necessárias, citou a oficialização do Dezembro Laranja, ações educativas nas escolas, ampliação do acesso à dermatologia no SUS, campanhas para grupos de risco e combate ao exercício irregular da medicina. 

Dr. Carlos Barcaui também destacou que o mutirão de atendimento gratuito, realizado pela SBD, entrou para o Guinness Book em 2009 como a maior campanha médica realizada em um único dia. Em 2025, a mobilização nacional ocorrerá em 13 de dezembro, com mais de 100 postos de atendimento pelo país. Os locais podem ser consultados no site da campanha dezembrolaranja.com.br. 

Dr. Jadivan Leite, do Instituto Nacional do Câncer (Inca), apresentou o cenário mundial do câncer de pele e os casos avançados que chegam no Inca. Também mostrou os principais fatores de risco para a doença, entre eles a exposição à radiação ultravioleta, radiação ionizante, tabagismo, uso de imunossupressores e infecções pelo HPV. Ele ainda chamou atenção para “a trend que afirma que o protetor solar não seria eficaz e que ainda causaria câncer, algo que, obviamente, é um desserviço à sociedade leiga”. Segundo ele, “se a epidemiologia continuar evoluindo dessa forma, podemos chegar a 510 mil casos de melanoma e a um risco potencial de quase 100 mil mortes até 2040”. 

Dr. Sergio Palma, membro da diretoria da SBD, apresentou dados da pesquisa Datafolha, feita pela Sociedade Brasileira de Dermatologia em parceria com a divisão de Beleza Dermatológica do Grupo L’Oréal no Brasil. Os dados mostram que 54% dos brasileiros nunca consultaram um dermatologista. 

“O desconhecimento sobre a formação do dermatologista e a ausência de políticas públicas de rastreamento e educação contribuem para esse quadro. Fortalecer o SUS na prevenção e no diagnóstico precoce é indispensável para reduzir o impacto social e econômico do câncer de pele”, disse o especialista. 

A secretária-geral da SBD, Dra. Regina Carneiro, reforçou a importância do diagnóstico precoce. “Se detectarmos esse câncer precocemente, o paciente vai sair da sala de cirurgia curado. Nosso objetivo é tratar no ambulatório, sem necessidade de hospitalização. No SUS, a biópsia não é feita no mesmo local. O paciente é encaminhado, perde tempo. Na rede privada, geralmente tudo é feito no mesmo lugar e a fila anda mais rápido”, explicou. 

O deputado Dr. Frederico reforçou o papel do Legislativo no enfrentamento da doença, agradeceu ainda a SBD pelo trabalho técnico e destacou a importância de manter a pressão social pela implementação das medidas discutidas. 

O seminário também abordou a proposta de inclusão do filtro solar na lista de itens considerados essenciais dentro da Reforma Tributária, distribuição via SUS, subsídios para trabalhadores expostos ao sol e regulamentação mais rígida para garantir equipamentos de proteção solar.  

A presidente da SBD Regional Brasília, Dra. Letícia Oba, apresentou dados sobre o peso econômico da fotoproteção. “Um protetor com FPS 30 custa entre R$ 40 e R$ 120. Uma família de quatro pessoas gastaria pelo menos dois mil reais por ano, isso é 18% de um salário mínimo”, afirmou. 

Com a redução de impostos, estima-se uma queda de custos o que ampliaria o acesso da população ao produto. 





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