
As novas estratégias para prevenção, diagnóstico e tratamento das infecções sexualmente transmissíveis (ISTs) estão entre os assuntos de destaque do 79º Congresso da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD), realizado de 10 a 12 de setembro, em Fortaleza (CE). O tema “Novas perspectivas no diagnóstico e tratamento das ISTs” discute avanços que vêm ampliando as possibilidades de prevenção e tornando mais ágil a condução dos casos suspeitos.
De acordo com o coordenador do Departamento de ISTs e Aids, Dr. Andre Costa Beber, o painel está dividido em três grandes frentes: estratégias de prevenção, abordagem sindrômica das ISTs e atualizações sobre vacinação contra o HPV e tratamento do herpes genital.
Entre os assuntos abordados estão a PrEP (profilaxia pré-exposição) e a PEP (profilaxia pós-exposição), estratégias utilizadas para reduzir o risco de infecção pelo HIV. A PrEP é indicada para pessoas que apresentam risco aumentado de exposição ao vírus e consiste no uso preventivo de medicamentos antes de uma possível exposição. Já a PEP é utilizada após uma situação de risco e deve ser iniciada o mais rapidamente possível.
“A profilaxia pré-exposição é utilizada antes de a pessoa se expor ao HIV, enquanto a profilaxia pós-exposição é indicada depois de uma situação de risco, que pode ocorrer, por exemplo, em uma relação sexual, em um acidente ocupacional ou após uma violência sexual”, explica o médico dermatologista.
O especialista destaca ainda que as estratégias de prevenção vêm avançando e incluem também o uso de antibióticos em situações específicas para reduzir o risco de algumas ISTs, como a sífilis.
Tratamento pode ser iniciado antes da confirmação pelos exames
A chamada abordagem sindrômica, estratégia utilizada quando há suspeita de uma IST a partir dos sinais e sintomas apresentados pelo paciente é especialmente importante porque os testes diagnósticos podem não apresentar resultado positivo imediatamente após a infecção, de acordo com Dr. André Costa Beber.
“Quando existe uma lesão genital suspeita, nem sempre o exame estará positivo naquele primeiro momento. Por isso, o médico precisa avaliar os sinais e sintomas apresentados pelo paciente e, a partir deles, seguir um protocolo de tratamento”, explica o médico dermatologista.
Segundo Beber, a abordagem considera manifestações como feridas, corrimentos e bolhas, que podem estar associadas a diferentes infecções. No congresso, são apresentados estudos que avaliam a eficácia dessa abordagem, utilizada em diferentes partes do mundo.
A programação também conta com uma atualização sobre as vacinas contra o HPV, uma das principais ferramentas de prevenção de infecções pelo papilomavírus humano, além das opções terapêuticas disponíveis atualmente para o herpes genital.
“O congresso reforça a importância de manter profissionais de saúde atualizados diante das mudanças nas estratégias de prevenção e tratamento das ISTs. A combinação entre prevenção, reconhecimento precoce dos sinais clínicos, diagnóstico adequado e tratamento oportuno é fundamental para reduzir a transmissão e as complicações associadas a essas infecções”, reforça o presidente da SBD, Dr. Carlos Barcaui.


