
As doenças bolhosas autoimunes são condições raras, geralmente crônicas, em que o sistema imunológico passa a atacar estruturas do próprio organismo, provocando a formação de bolhas, erosões e feridas na pele e, em alguns casos, nas mucosas. O tema está entre os assuntos abordados no 79º Congresso da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD), que reúne mais de três mil especialistas para discutir avanços no diagnóstico e no tratamento das doenças dermatológicas.
De acordo com a Dra. Paula Marsillac, coordenadora do Departamento de Doenças Bolhosas da SBD, as doenças bolhosas autoimunes compreendem diferentes condições, cuja classificação e manifestações na pele ou nas mucosas variam de acordo com o local de ação dos anticorpos. Os principais representantes desses grupos são os pênfigos e os penfigoides.
“Nas formas mais graves a internação pode ser necessária para administração de medicamentos por via endovenosa, investigação de outras doenças associadas ou tratamento de infecções”, explica a especialista.
Um dos principais desafios é a perda da integridade da pele, que funciona como uma importante barreira de proteção do organismo. Com áreas extensas de pele lesionada, aumenta o risco de infecções bacterianas. Além disso, muitos pacientes precisam utilizar medicamentos imunossupressores, o que pode aumentar a vulnerabilidade a infecções.
Quando as mucosas são afetadas, equipe multidisciplinar é fundamental
O comprometimento das mucosas pode tornar o quadro ainda mais complexo e exigir a participação de diferentes especialidades médicas e profissionais de saúde.
Dependendo da região afetada e da intensidade da doença, o paciente pode apresentar dificuldade para engolir. Quando os olhos são acometidos, há risco de complicações graves, inclusive de perda da visão. Já o comprometimento da laringe e da traqueia pode provocar obstrução das vias aéreas e dificuldade para respirar.
“Nesses casos é necessário tratamento mais agressivo junto a outras especialidades como oftalmologistas, otorrinolaringologistas, odontologistas, nutricionistas e psicólogos”, destaca a dermatologista.
A atuação multidisciplinar também é importante nos cuidados com as lesões extensas da pele. Segundo a especialista, uma equipe médica e de enfermagem treinada é fundamental para a realização adequada dos curativos e para o acompanhamento da evolução das feridas.
Tratamento avança com novas estratégias
O tratamento das doenças bolhosas autoimunes varia conforme o tipo de dermatose e a gravidade do quadro. De modo geral, são utilizados medicamentos capazes de controlar a resposta do sistema imunológico, associados a cuidados locais com a pele e as mucosas.
“A corticoterapia ainda é a base do tratamento para algumas doenças, mas por conta de seus efeitos colaterais já conhecidos, medicações imunomoduladoras vêm sendo estudadas, como os imunobiológicos e pequenas moléculas. A escolha da medicação deve ser sempre individualizada e acompanhada por uma equipe especializada”, explica Dra. Paula.
“A discussão sobre novas alternativas terapêuticas e o papel da abordagem multidisciplinar reforça a importância de ampliar o conhecimento sobre essas doenças, que, apesar de raras, podem provocar impactos significativos na qualidade de vida e demandar acompanhamento médico contínuo”, reforça o presidente da SBD, Dr. Carlos Barcaui.


