Novas fronteiras no tratamento da acne e da rosácea ampliam olhar sobre inflamação e cuidados com a pele



Novas fronteiras no tratamento da acne e da rosácea ampliam olhar sobre inflamação e cuidados com a pele

15 de setembro de 2026
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A acne e a rosácea, além de serem condições frequentes na prática dermatológica, têm em comum um importante componente inflamatório. O entendimento mais amplo sobre os mecanismos envolvidos nessas doenças vem mudando a forma de abordar os pacientes, com maior atenção não apenas ao controle das lesões, mas também à preservação da barreira cutânea, à prevenção de cicatrizes e ao impacto das doenças na qualidade de vida. 

Esses são alguns dos temas que integraram as discussões sobre as novas fronteiras em acne e rosácea no 79º Congresso da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD). O evento reuniu mais de três mil especialistas, em Fortaleza, para debater avanços e estratégias no cuidado dermatológico. 

“Por muitos anos, a acne esteve associada principalmente à oleosidade da pele e à obstrução dos poros. Hoje, a inflamação ocupa papel central na compreensão e no tratamento da doença. Como diminuir essa inflamação é importante para controle do quadro e para o tratamento”, explica Dra. Alessandra Romiti, assessora do Departamento de Cosmiatria da SBD. 

Essa mudança de perspectiva também reforça a importância do tratamento precoce e adequado. A inflamação persistente pode favorecer a formação de cicatrizes, que podem permanecer mesmo depois que a acne deixa de estar ativa. 

“Prevenir e tratar essas marcas é parte importante da estratégia para o cuidado de longo prazo. A gente tenta fazer o tratamento da forma mais precoce, mais eficaz”, afirma Dra. Alessandra. 

A preocupação vai além da aparência. As cicatrizes de acne podem ter impacto significativo na autoestima e na qualidade de vida, o que torna a prevenção uma das prioridades no acompanhamento desses pacientes. 

Outro conceito que ganhou força é a importância da rotina de cuidados com a pele durante o tratamento da acne. A ideia de que uma pele acneica deveria ser excessivamente ressecada, com produtos capazes de remover intensamente a oleosidade, vem sendo substituída por uma abordagem que valoriza a preservação da barreira cutânea. 

“Manter a pele hidratada, manter a pele íntegra, acaba facilitando, inclusive, a melhora do quadro por diminuir a inflamação e também a tolerância dos pacientes aos tratamentos que vão ser usados”, explica a médica dermatologista. 

Ela ressalta ainda que a acne na mulher adulta apresenta características que podem diferir da observada na adolescência. Em muitos casos, há uma relação importante com fatores hormonais, além de particularidades relacionadas ao tipo de pele e ao próprio processo de envelhecimento. 

Por isso, a avaliação precisa considerar a paciente de maneira integral, inclusive quando existe interesse ou necessidade de tratar simultaneamente sinais de envelhecimento e acne. 

“A acne piora o envelhecimento, o envelhecimento piora a acne, então a gente precisa olhar essa mulher adulta como um todo,” ressalta, Dra. Alessandra. 

Quando acne e rosácea aparecem juntas 

A relação entre acne e rosácea também ganha espaço nas discussões dermatológicas. Embora sejam doenças diferentes, as duas podem apresentar manifestações semelhantes e, em alguns pacientes, coexistir, tornando o diagnóstico e a escolha do tratamento mais desafiadores. 

A dermatologista da SBD Dra. Ediléia Bagatin, que participa do painel com foco na mulher adulta, destaca justamente esses casos de sobreposição. “São duas doenças que acometem a unidade pilo-sebácea, e que têm algumas características em comum e outras específicas de cada uma das condições”, explica. 

De acordo com Dra. Ediléia, reconhecer as particularidades de cada doença é fundamental para definir a melhor estratégia terapêutica. Há tratamentos que podem ser utilizados em ambas as condições, enquanto outros são específicos para acne ou rosácea. 

As especialistas esclarecem ainda que a rosácea também é compreendida atualmente como uma doença inflamatória crônica. O quadro pode apresentar diferentes manifestações, entre elas vermelhidão persistente ou episódios de rubor, e pode ser agravado por fatores como exposição solar, calor, frio, estresse, bebidas alcoólicas e alimentos condimentados. 

Esses fatores, no entanto, não explicam sozinhos o desenvolvimento da doença. Existe também uma predisposição individual que contribui para o processo inflamatório. 

“O paciente com rosácea precisa não só controlar o vermelho da pele, mas precisa que toda essa inflamação seja controlada com os medicamentos adequados e com a rotina de skincare também”, afirma Dra. Alessandra. 

Nesse contexto, a proteção da barreira cutânea volta a ocupar papel central. Produtos formulados para pele sensível ou sensibilizada, hidratação adequada e uso de protetor solar podem complementar o tratamento prescrito pelo dermatologista.. 

“A tendência, portanto, é de uma dermatologia cada vez mais individualizada: em vez de tratar apenas uma lesão ou um sintoma isolado, o objetivo é compreender o conjunto de fatores envolvidos, preservar a saúde da pele e considerar também as necessidades e expectativas de cada paciente”, explica Dra. Ediléia. 

Nesse cenário, o tratamento precoce da acne, a prevenção de cicatrizes, o controle da inflamação na rosácea e a incorporação adequada do skincare aparecem como estratégias que ampliam o cuidado e podem contribuir para melhores resultados no longo prazo. 





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