Fórum Saúde da Pele: Segunda mesa aborda a importância da informação no combate ao preconceito



Fórum Saúde da Pele: Segunda mesa aborda a importância da informação no combate ao preconceito

30 de outubro de 2017
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Com cerca de 25 mil casos por ano, o Brasil é o segundo país no mundo, depois da Índia, em diagnósticos de hanseníase, doença negligenciada e considerada um problema de saúde pública. Atualmente, são cerca de 30 mil casos por ano, principalmente no Norte, Nordeste e Centro-Oeste. Segundo os palestrantes, além da hanseníase, doenças como a psoríase, o vitiligo, doenças bolhosas e dermatite atópica precisam de mais atenção de médicos, da indústria farmacêutica, da mídia e do governo. Apesar da alta relevância epidemiológica e social, há pouco interesse no desenvolvimento de novos estudos de medicamentos no campo da ciência.

“Precisamos avançar muito, pois são grandes os desafios para chegar a eliminação desse problema de saúde pública”, ponderou Carmelita Ribeiro, coordenadora da área referente a essa patologia no Ministério da Saúde, completando que muitas pessoas preferem fazer o tratamento num hospital longe de casa, às vezes até em outro município, para que ninguém saiba, tamanho é o preconceito. A médica defende um trabalho mais eficiente na Atenção Básica à Saúde para a hanseníase e também mais preparo na formação de estudantes, pois a qualidade do serviço tem sido prejudicada. “Temos que aumentar o número de médicos de Atenção Básica à Família e atenção primária que saibam reconhecer os sintomas.”

Na sua exposição, o médico responsável pelo ambulatório de psoríase do Departamento de Dermatologia do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP, Ricardo Romiti, comentou que a atenção do médico é na saúde do ser humano, de acordo com o compromisso assumido pelos profissionais no Código de Ética.

"As doenças são comuns na nossa rotina em consultórios e hospitais, mas existe muito desconhecimento fora deles. Tomar sol é ótimo para diminuir os sintomas de doenças como a psoríase, mas o paciente acaba cobrindo as lesões e não frequentando diversos ambientes, causando sequelas psicológicas e sociais", explica Romiti. O dermatologista citou o trabalho realizado pela SBD para estimar a prevalência da psoríase, e chegou ao índice de 1,3% da população brasileira. “Esse número vem aumentando, o que talvez possamos atribuir aos hábitos de vida. Só quem tem a doença sabe o que ela representa. Então, o que podemos fazer como médicos é mostrar ao paciente que ele tem alguém com quem contar.”

Para a dermatologista do Hospital das Clínicas e especialista em doenças bolhosas Claudia Giuli Santi, há uma falta de empatia no combate ao preconceito, que deve ser resgatada na escola médica. "A propedêutica médica já sensibiliza e educa a empatia. Se colocar no lugar do paciente é fundamental. O próprio médico precisa ser educado, pois o que vemos é um distanciamento entre quem trata e quem é tratado. Outra questão é sensibilizar o estudante de medicina a comprometer-se mais com os problemas de saúde da população”, salientando a importância da bagagem clínica do ponto de vista do conhecimento geral.

Para combater a discriminação, a criação de grupos de pais, pacientes e médicos, fora do ambiente de hospital é uma ideia que atua na disseminação de ações não apenas de saúde, mas de educação e cultura, segundo o fundador da Associação de Apoio à Dermatite Atópica (Aada), o dermatologista Roberto Takaoka.

"A experiência do paciente é diferente da visão científica do médico. É preciso aproximar as duas, e grupos de apoio para pacientes e familiares podem ajudar no desenvolvimento e qualidade de vida dessas pessoas", considera.

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