Dermatologistas esclarecem principais dúvidas sobre prevenção, diagnóstico e tratamento da hanseníase



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Dermatologistas esclarecem principais dúvidas sobre prevenção, diagnóstico e tratamento da hanseníase

20 de setembro de 2022
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Todos os anos, o Brasil registra quase 30 mil novos casos de hanseníase, mas mesmo assim a doença é ainda pouco falada. Quer entender por que isso ocorre e o que é esse problema de saúde pública? Então, confira o episódio do canal Palavra de Dermato desta sexta-feira (16). Em linguagem acessível, especialistas da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD), que montou essa plataforma para esclarecer a população sobre diferentes doenças de pele, abordam as formas de contaminação, os sinais de alerta e o que fazer em caso de suspeita, entre outros tópicos.

O bate papo informal contou a participação da coordenadora do Departamento de Hanseníase da SBD, Sandra Durães, e do vice-presidente da SBD, Heitor de Sá Gonçalves. Conforme eles explicam, a hanseníase está entre as doenças que acometem, em geral, as populações negligenciadas. Questões como saneamento, escolaridade e renda estão diretamente ligadas a esse problema de saúde. No Brasil, as regiões Norte e Centro-Oeste apresentam maior número de casos, seguidas pelas regiões Nordeste, Sudeste e Sul.

OUÇA AQUI O PROGRAMA COMPLETO

Doença – A hanseníase é uma doença infectocontagiosa transmitida por uma bactéria. O contágio ocorre quando uma pessoa infectada respira muito próximo de outra, ou seja, a transmissão se dá pelo contato com gotículas que ficam suspensas no ar. Outro ponto enfatizado pelos especialistas é que a doença não leva à morte, mas tem alto potencial de causar incapacidades físicas e deformidades. Além disso, suscita preconceito, inclusive por parte de familiares. Por isso, com o programa, a intenção e ajudar a desfazer mitos e boatos que confundem.

De acordo com os especialistas da SBD, o mycobacterium leprae (bactéria causadora da hanseníase) possui afinidade pelos nervos periféricos e pela pele. Estudos mostram que o período de incubação da doença (tempo entre infecção e surgimento de manifestações clínicas) é longo, podendo chegar a sete anos ou mais.

Além disso, as manifestações clínicas variam muito, conforme a resistência imunológica do paciente, frente à doença e do tempo de sua evolução. Entre os sinais e sintomas, podem aparecer manchas brancas ou avermelhadas na pele; congestão nasal; dormência; dificuldade em perceber pelo contato com a pele variações térmicas; entre outros.

Sandra Durães orienta: se uma pessoa suspeitar de hanseníase deve se dirigir à unidade de saúde para fazer um exame dermato-neurológico. Pela sua percepção, na maior parte das vezes pelo exame clínico o diagnóstico pode ser confirmado. Porém, em alguns casos, serão necessários exames complementares, como baciloscopia e biopsia da pele.

Tratamento – Com a evolução do conhecimento e das tecnologias, surgiram novas opções de tratamento.  Atualmente, há um esquema baseado na administração de antibióticos, chamada de poliquimioterapia, considerada eficaz e com condições de interromper o ciclo de transmissão da doença em mais de 95% dos casos. Ou seja, a hanseníase se tornou uma doença curável.

Após diagnóstico e orientação do dermatologista, o paciente positivado começa a tomar as doses dos medicamentos prescritos de forma gratuita em postos do Sistema Único de Saúde (SUS), sempre na presença de médico ou enfermeiro, associada a doses autoadministradas diárias no domicílio do paciente. A medicação é geralmente tolerada, com poucos efeitos colaterais descritos, que são monitorados nas consultas mensais com auxílio laboratorial, se necessário.

Cuidados – Para finalizar, os participantes do Palavra de Dermato abordaram a dinâmica em torno das orientações dadas às pessoas que tiveram contato com o paciente de hanseníase. Conforme os dermatologistas da SBD explicam, não é necessária qualquer medida higiênica ou de isolamento domiciliar, como separação de talheres, mudança de quarto, por exemplo. Eles lembram que estudos comprovam que após a primeira dose supervisionada a chance de contágio diminui de forma considerável.

No entanto, orientam que contato com os pacientes deve acontecer após o exame: comparecer a uma unidade de saúde para realizar exame dermato-neurológico e verificar presença de algum sinal. Neste processo, ainda vale destacar, que pessoas encaminhadas ao tratamento precisam tomar a vacina BCG.

Podcast – O Palavra de Dermato é o canal de podcasts voltado à população da SBD. A cada sexta-feira, tem episódio novo no ar, mostrando o cotidiano das pessoas e os esclarecimentos e respostas para dúvidas, sempre com base científica. O projeto conta com o apoio institucional da Vichy, Skinceuticals, La Roche Posay e Cerave.





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