Cicatrizes emocionais



Cicatrizes emocionais

22 de maio de 2010

Professora norte-americana conclui pesquisa que mostra o tamanho do estrago emocional nos jovens atingidos pela acne

Tão desconcertantes quanto as dúvidas e os conflitos naturais da adolescência, as espinhas comprometem não apenas a aparência, mas a autoestima de meninos e meninas que enfrentam a ebulição hormonal própria da transição para a vida adulta. Uma pesquisa norte-americana revela que a maior parte dos jovens que sofrem com a acne tornam-se introvertidos e retraídos, porque sentem dificuldades em interagir — tanto com amigos quanto com desconhecidos. O estudo, resultado de uma parceria entre a Sociedade Americana de Acne e Rosácea e a fabricante de produtos dermatológicos Galderma, evidencia que a doença influencia a percepção e a formação da imagem dos indivíduos. Os pesquisadores ouviram 1,2 mil pessoas de etnias variadas, entre 12 e 22 anos e das classes A a D.

Os participantes foram convidados a revelar suas percepções a respeito de um grupo de adolescentes com base em fotos de rostos com pele saudável ou modificados digitalmente para simular a acne. O resultado indicou que, comparados aos jovens com a pele sem espinhas, aqueles atingidos pela mazela têm maior probabilidade de serem percebidos como tímidos (39% versus 27%), nerds (31% versus 17%) e solitários (23% versus 13%). Quem sofre com a doença tem menos chance de ser visto como líder (29% versus 49%).

Para Eva Ritvo, psiquiatra e professora do Departamento de Psiquiatria da Faculdade de Medicina da Universidade de Miami, que desenvolveu a pesquisa, a aparência, mais do que nunca, é um fator determinante na sociedade globalizada. “Verificamos que adolescentes com pele saudável arrumam emprego com maior facilidade também. No convívio familiar, os parentes nem sempre entendem os problemas que as espinhas causam na vida dos jovens, que, em sua maioria, preferem ficar reclusos em casa aos fins de semana”, observa.

A médica explica que os adolescentes com acne são mesmo mais tímidos devido ao comprometimento da pele e ao fato de serem julgados desfavoravelmente tanto por adultos quanto por colegas da mesma faixa etária. “Essa é a principal conclusão do estudo. Vivemos em um mundo extremamente competitivo. Para o jovem, a imagem que os outros têm do seu exterior exerce enorme impacto na maneira como ele vê a si próprio. As marcas dos problemas decorrentes da acne ficam não apenas na pele, elas comprometem o lado emocional”, avalia Ritvo.

DESCONFORTO

No Brasil, a história não é diferente. Para o estudante Hudson Felipe dos Santos Soares, 16 anos, as espinhas eram, de certa forma, esperadas. A mãe dele passou pelo mesmo problema na adolescência. “Elas chegaram de mansinho, mas causaram estragos. Quando percebi, já estava com espinhas grandes no rosto. Fiquei apavorado, pois minha pele era lisin…





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