Vaidade em risco




3 de agosto de 2018 0

Casos recentes de erros médicos e óbitos decorrentes de cirurgias plásticas expuseram os riscos de uma atividade que tem atraído uma parcela crescente da população, sobretudo feminina. Dados do Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo (Cremesp) mostram uma explosão de queixas envolvendo a especialidade. Em 2015, foram 10 denúncias. O número saltou para 27 em 2016 e chegou a 68 no ano passado. Apesar do aumento, as reclamações ainda não refletem a realidade: muitos pacientes prejudicados preferem o silêncio. Não denunciam seus médicos e nem ingressam com ação judicial, mesmo quando há comprovação de erro durante o procedimento. As razões para não levar processos adiante são muitas.

“Há descrença no Judiciário, indisposição para enfrentar um processo que pode ser custoso e demorado, além da falta de estrutura emocional para as vítimas reviverem os fatos infelizes e trágicos pelos quais passaram”, diz Fernando Polastro, voluntário responsável pelos primeiros atendimentos, triagem e direcionamento de pacientes que procuram a Associação Brasileira de Vítimas de Erro Médico (Abravem). “Outros não denunciam por desconhecimento de seus direitos ou dúvida sobre ter havido ou não erro médico em seu caso”.

Como resultado dessa omissão, mais e mais pessoas se tornam sujeitas a procedimentos inseguros, negligência, imperícia e imprudência de médicos. A falta de bom sendo na busca por um corpo perfeito, modelado por implantes de silicone ou lipoesculturas é outro fator que contribui para o aumento de casos sem final feliz. Para atender a uma crescente demanda por transformações estéticas, surgiram no País até sociedades médicas clandestinas, que colocam em risco a vida de pacientes.

Código ultrapassado

A divulgação de procedimentos cirúrgicos por meio de redes sociais deve ser vista com desconfiança. “Cirurgia plástica só com cirurgião plástico. Procedimento estético pode ser com dermatologista”, afirma Alexandre Senra, cirurgião do Hospital Albert Einstein e membro da Sociedade Americana de Cirurgia Plástica Estética (ASAPS).

“Não existe mágica. Desconfie de preços muito abaixo da média, afinal é a sua vida”, adverte. Segundo ele, o código de 1957 sobre o exercício da medicina que diz que após os seis anos de formação o médico pode exercer qualquer especialidade está ultrapassado. “Existe uma jurisprudência que diz que o médico que faz procedimento sem estar habilitado pode ser penalizado. A relação médico-paciente continua primordial, mas está se perdendo. O médico precisa conhecer o paciente e vice-versa. Sem isso, somos apenas técnicos.”

A filosofia da cirurgia plástica é gerar bem-estar, auto-estima e contribuir para a harmonia da auto-imagem do paciente. Bem diferente da venda de fantasias e ilusões feita por profissionais não habilitados colocando em risco pacientes. O presidente da SBCP, Níveo Steffen, afirma que a Sociedade é frontalmente contra a banalização dos procedimentos cirúrgicos. “Cabe ao cirurgião plástico ser honesto ao examinar e escutar o paciente para identificar a indicação ou não da cirurgia plástica, informando sobre as reais possibilidades de resultado, riscos cirúrgicos e pós-operatório”. Segundo Steffen, a SBCP tem cerca de 6.500 membros. Apenas seis cirurgiões plásticos e um dermatologista estão entre os 289 médicos processados por problemas em procedimentos relacionados à cirurgia plástica entre 2001 e 2008.

Corporativismo

Ainda que poucos cometam erros, o corporativismo da classe costuma proteger os negligentes. Uma empresária de Campo Grande de 36 anos, que pediu para não ser identificada, tem vivido esse drama. Ela colocou prótese nas mamas em 2006. No ano passado, depois de amamentar dois filhos, achou que os seios estavam um pouco assimétricos e consultou um renomado cirurgião plástico da cidade, professor da Universidade Federal do Mato Grosso do Sul, indicado por várias pessoas. “Combinamos a retirada das próteses com correção estética no mesmo procedimento.” Segundo ela, consta no prontuário médico que foi uma cirurgia de retirada de implantes mamários com correções estéticas. “Não sei no que ele errou, mas sei que o resultado foi um pesadelo na minha vida”.

Segundo a paciente, o cirurgião se negou a dar fotos do pós-cirúrgico e a cópia do contrato de prestação de serviço. Ele disse que após seis meses suas mamas voltariam ao normal, o que não aconteceu. Quando ela voltou a procurar o médico, ele deixou de atendê-la e a bloqueou no WhatsApp. A empresária consultou outros médicos que constataram lesão muscular em uma das mamas, mas quando pedia um laudo, se negavam, por serem colegas do renomado cirurgião e não quererem se comprometer. “O que vai valer é a avaliação judicial, mas os peritos serão os colegas do cirurgião que fez minha plástica. Será difícil encontrar um que aceite se comprometer.” Depois da perícia médica, ela fará a cirurgia reparadora nos Estados Unidos. “Não confio mais nos médicos daqui”, diz, frustrada.

Precauções que salvam vidas

Casos atuais de erros e mortes em procedimentos estéticos chamam a atenção para escolha criteriosa do profissional, esclarecimento do paciente sobre possíveis riscos e os cuidados no pós-operatório.

Certifique-se de que o profissional é registrado como cirurgião plástico ou dermatologista no site do Conselho Regional de Medicina de sua localidade e/ou nos sites da SBCP e da SBD, respectivamente.

Fonte: Isto É

 


2 de agosto de 2018 0

Um título em Dermatologista foi concedido de forma irregular pelo Conselho Regional de Medicina do Espírito Santo (CRM-ES). O médico que recebeu a titulação – que já foi cancelada  – é sócio do atual vice-presidente da instituição. Os dois possuem uma empresa que está sendo investigada por concessão de diplomas com irregularidades.

As informações vieram à tona após a divulgação de uma reportagem pela Rádio CBN de São Paulo, que aponta que duas instituições paulistas – o Instituto BWS e o Instituto Superior de Medicina (ISMD) – fornecem diplomas com horas infladas. Elas são maiores do que as efetivamente cursadas pelo alunos. As demincias foram encaminhadas para a Policia Federal, Conselho Federal de Medicina e Sociedade Brasileira de Dermatologia.

Dentre os sócios do Instituto BWS está o médico Aloízio Faria de Souza, atual vice-presidente do CRM-ES. Na época em que foi presidente do conselho, entre os anos de 2008 e 2013, ele registrou o título de especialista em Dermatologia do seu sócio, o médico paulista Valcinir Bedin.

Ocorre que esta titulação, cujo processo foi iniciado em 2011, foi considerada irregular pelo Conselho Federal de Medicina (CFM). Após a realização de um procedimento administrativo a instituição decidiu pelo cancelamento da titulação de Bedin.

O fato foi confirmado em ofício interno do CRM-ES, a que A GAZETA teve acesso, enviado para o Conselho Federal em abril deste ano. No documento é dito: "O registro de qualificação de especialista em Dermatologia concedido ao Dr. Valcinir Bedin, em gestão anterior, após decisão desse Conselho Federal de Medicina, foi devidamente cancelado", diz o texto assinado pelo atual presidente do conselho capixaba, Carlos Magno Pretti Dalapícola.

Ele explicou que uma Resolução do CFM, de abril de 1989, estabeleceu as regras para a concessão do título de especialização. A partir desta data é necessário ser feito residência médica em curso credenciado pelo MEC ou uma prova em uma sociedade de especialização, como por exemplo a Sociedade Brasileira de Dermatologia. Após a conclusão, o médico faz o registro de sua especialização.

Antes de 1989, bastava reunir documentos que comprovassem a atuação na área, como declarações de concurso público, registros de prontuários, currículo, dentre outros documentos. "Era a situação de Bedin, que apresentou os documentos comprovando atuação na área. Eles foram analisados e feito o registro da especialidade dele. Mas ele foi questionado pelo CFM, que fez outra análise", relatou Dalapícola.

O fato foi comunicado ao CRM-ES que enviou os documentos para a Comissão de Título de Especialista. "Ern nova análise, o titulo foi mantido, com base nos documentos constantes no processo", explicou Dalapícola, acrescentando que novamente o CFM entendeu que os documentos não eram suficientes e determinou o cancelamento do registro.

De acordo Dalapícola, este vai e vem entre os conselhos federal e regional é natural. "O CFM é uma instância de recursos e pode mudar as decisões do regional. Não é algo incomum o que aconteceu", disse.

OUTRO

Além de Bedin e Aloizio, o BWS também tem como sócio outro médico, Wilma Jorge Accursio. Os três figuram como sócios-administradores, segundo o Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica, e respondem pelo instituto.

A instituição nega a venda de cursos com menos horas do que o previsto nos diplomas, conforme as denúncias.

 MÉDICO DIZ QUE CURSOS CUMPREM CARGA HORÁRIA

Vice-presidente do CRM afirma que denúncia não procede

O atual vicepresidente do Conselho Regional de Medicina do Estado (CRM-ES), Aloízio Faria de Souza, afirma que a denúncia contra o Instituto BWS, de São Paulo, sobre a concessão de diplomas de pós-graduação com irregularidade, não procede. Ele é sócio da instituição.

Aloizio diz que todos os cursos de graduação e pós-graduação oferecidos cumprem as exigências do Ministério da Educação (MEC). E que o curso de pós-graduação em dermatologia, apresenta carga horária de 2.980 horas entre atividades práticas e teóricas e no mínimo dois anos de duração, acima das 360 horas mínimas exigidas pelo MEC e das 2.800 horas exigidas pela Sociedade Brasileira de Dermatologia.

Ern relação ao registro do título de especialista em Dermatologia concedido para o médico paulista Valcinir Bedin, Aloizio afirma que o que fez foi "de forma equivocada, mas não errada".

Segundo ele, na mesma época, em 2011, foi feito o registro de outra médica de Colatina, também com a apresentação o de documentos que comprovassem a atuação na área. "Para os dois casos olhei a documentação e entendi que havia o direito adquirido por eles e mandei fazer o registro." Mas o Conselho Federal de Medicina (CFM), após receber denúncias, discordou da decisão, avaliando que não havia comprovação suficiente de que Bedin tinha atuado na área. "Disseram que eu havia pulado etapas, que não tinha submetido o processo à Comissão de Título de Especialista. Determinei que eles fizessem a avaliação dos dois casos e eles entenderam que os médicos tinham o direito ao registro", relatou Aloizio.

Ao final, segundo o vice-presidente do CRM-ES, o registro da especialização da médica foi mantido pelo CFM mas o mesrno não aconteceu com Bedin. "A análise é feita de forma subjetiva. Tenho convicção de que ele (Bedin) tem o direito mas o Conselho Federal entendeu de forma diferente e mandou cancelar o título, o que foi cumprido", relatou.

Aloizio diz que conhece o médico Bedin há mais de 20 anos e que após o fato, o paulista acabou optando apenas por ensinar. "Ele tem uma produção científica enorme, é uma referência em dermatologia", ponderou.

Ele explicou ainda que a opção por fazer obter o registro de especialização no Espírito Santo decorreu das circunstâncias. Na época, em 2011, a BWS, da qual Bedin é sócio junto com Aloizio, realizava um curso de pós-graduação em Vitória, em parceira com a Univix.

O atendimento prático era oferecido no Centro Saúde de Jardim América. "O Bedin vinha para fazer esta parte de ensino teórico e prático, e não poderia exercé-los sem o registro secundário de especialização. Por isso, os documentos foram apresentados ao CRM-ES", explicou Aloizio.

Ele avalia ainda que sua inexperiência na presidência do conselho, na época, pode ter sido a responsável. "Cometi um equívoco na condução do caso, talvez pela própria inexperiência. Mas depois do que aconteceu, me julguei por impedido e passei a função de registro de títulos na época para o vice-presidente, até por discordar da forma como é feito. Há casos em que o CFM concede os títulos, em outros não", assinalou.

OUTRO LADO

O médico Bedin no foi localizado pela reportagem. A informação é de que ele viajou de férias para os Estados Unidos.

SOCIEDADE DE DERMATOLOGIA: SITUAÇÃO GRAVE

A Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD) considera graves as denúncias referentes a conclusão de diplomas de forma irregular. O vice-presidente da instituição, Sergio Palma, destaca que "A SBD tem o total interesse em que os fatos sejarn apurados".

Relata que as denúncias recebidas pela SBD foram encaminhadas ao Ministério Público e o Ministério da Educação. "A SBD está acompanhando e colaborando com todos os entes competentes para que os fatos citados nas denúncias sejam efetivamente investigados com a devida conclusão e providências", destaca Palma.

Sobre o título de especialização concedido ao médico paulista Valcinir Bedin, a SBD informa que teve conhecimento apenas de que ele foi cancelado pelo Conselho Federal de Medicina (CFM).

De acordo com Palma, não há limitação ao exercício da profissão por médicos regularmente inscritos no CRMs locais. Mas ele pondera que considerando a realidade e os desatios relacionados as recomendacões de segurancça nos procedimentos médicos, visando a proteção dos pacientes, a titulação é importante. "O exercício de especialidades médicas reconhecidas pela complexidade se faz com efetiva capacidade técnica e científica pelos portadores de titulo de especialista e/ou área de atuação". O CFM não respondeu à demanda da reportagem.

Fonte: A Gazeta – ES – 2/8/2018


31 de julho de 2018 0

Alunos que estudam menos de 1 mil horas recebem uma certificação que chega a registrar mais 8 mil horas de curso. Em tempos de procedimentos estéticos malsucedidos como o do Doutor Bumbum, a denúncia mostra preocupação com os interesses dos médicos e instituições de ensino.

"Essas denúncias são muitos graves e a Sociedade Brasileira de Dermatologia tem o total interesse que sejam apuradas a fundo. As mesmas já estão sendo encaminhadas às autoridades competentes, entre os quais o Ministério Público e o Ministério da Educação, que são os entes legalmente instituídos para a averiguação desse tipo de denúncia. Inclusive, a investigação deve contemplar as faculdades que emitiam os certificados. Vamos acompanhar e colaborar com todos os entes competentes para que os fatos citados nas denúncias sejam efetivamente investigados com a devida conclusão e providências", disse, o vice-presidente da SBD, Sérgio Palma.

Confira a seguir íntegra da matéria veiculada nesta terça-feira (31/7) pela CBN.


Duas instituições de pós-graduação são investigadas por fornecerem diplomas irregulares em dermatologia. Alunos que estudam menos de mil horas recebem uma certificação que chega a registrar mais 8 mil horas de curso. As denúncias foram encaminhadas para a Polícia Federal, Conselho Federal de Medicina e Sociedade Brasileira de Dermatologia. Os documentos apontam que o Instituto BWS e o Instituto Superior de Medicina, o ISMD, fornecem diplomas com horas infladas. Muito mais do que as realmente cursadas pelos alunos. Para obter o título de especialização em dermatologia, é necessário mais do que o diploma de pós-graduação. É preciso ser aprovado no exame da Sociedade Brasileira de Dermatologia, que exige 2,8 mil horas de experiência.

As instituições negam qualquer fraude. O Instituto BWS informou que ainda não foi notificado sobre nenhuma denúncia e que o fato "causa estranheza e perplexidade". O instituto também afirma que o certificado é reconhecido pelo MEC. Mas gravações de telefone enviadas para a Polícia Federal e ao Conselho Federal de Medicina apontam que o Instituto BWS oferece diplomas com horas infladas para alunos que fazem dois cursos seguidos:

Falso interessado: "Qual a carga horária que meu certificado vai ter?"
Atendente: "2.980. E qualquer curso que você escolher para terceiro ano você ganha um certificado total de 3.980 horas. Mesmo que esse certificado valha, no caso, 510 horas, que é o caso da estética, vamos supor, né? Se o aluno faz um curso seguido do outro, a gente consegue um certificado de mais horas, né".

Já o ISMD oferece um diploma com até 8.640 horas. Mas, ao vender o curso, afirma que os alunos só precisam frequentar as aulas de sexta, sábado e domingo, uma ou duas vezes por mês. E mesmo assim vão constar no certificado as horas do curso ministradas durante a semana, que corresponderiam ao atendimento que os alunos deveriam fazer em hospitais com a supervisão de um instrutor da instituição.

Atendente: "O curso é administrado em um final de semana por mês."
Falso interessado: "Bacana."
Atendente: "Então você tem aula sexta, obrigatório no hospital da Baleia, e sábado e domingo aqui na Pampulha."
Falso interessado: "Ótimo."
Atendente: "No meio de semana, de segunda a sexta, não é obrigatório esses ambulatórios.”
Falso interessado: "Muito bom."
Atendente: "Então, de qualquer forma, você vai ter 5.760 horas".

Na denúncia há cópias de e-mails em que uma representante do setor acadêmico do ISMD confirma que o instituto concede as horas da semana mesmo para os alunos que só comparecem aos fins de semana. Mesmo assim, o instituto considera a denúncia "inverídica, maldosa e sem qualquer embasamento".

O vice-presidente da Sociedade Brasileira de Dermatologia, Sérgio Palma, declarou que as denúncias são graves. Ele explicou que a SBD encaminhou o conteúdo da denúncia para as autoridades competentes e que aguarda uma conclusão das investigações para tomar previdências. Ele ressalta que, se confirmadas, as práticas representam um perigo para os pacientes:

"Os riscos são inúmeros. Não só para os procedimentos estéticos, mas também para os diagnósticos das doenças. Um diagnóstico errado e um tratamento errado envolvem complicações que muitas vezes são irreversíveis e até mesmo desfechos fatais".

O Conselho Federal de Medicina informou que também recebeu e que encaminhou as denúncias para as autoridades responsáveis. O Ministério da Educação avalia os conteúdos, mas confirmou que o Instituto BWS e o ISMD já são investigados, assim como as instituições que mantêm convênios para o fornecimento dos diplomas. Os detalhes dessas investigações não podem ser revelados até que estejam concluídos e publicados no Diário Oficial.


26 de julho de 2018 0

As novas tecnologias chegaram para revolucionar as comunicações e a forma como as pessoas se relacionam. Por meio elas, os médicos encontram excelentes oportunidades para estreitar o relacionamento com seus pacientes, atraindo ainda novos interessados em suas especialidades. No entanto, essas mídias também trazem desafios que precisam ser colocados em perspectiva para garantir a ética e a responsabilidade médicas. Por isso, a Sociedade Brasileira de Dermatologia alerta: a internet deve ser utilizada como instrumento de promoção da saúde e orientação da população. Reforça que o critério de escolha de um profissional para a realização de procedimentos estéticos não deve ser o número de seguidores, curtidas, popularidade e da propaganda do “antes e depois” – prática expressamente proibida pelo Conselho Federal de Medicina (CFM) e publicada na Resolução 2.125/15.

É fundamental que a população saiba certificar a capacitação do profissional escolhido para realizar um procedimento estético. A entidade alerta ainda sobre a oferta indiscriminada de serviços médicos em sites de compras coletivas, prática proibida e incompatível com a ética médica, bem como anúncios na internet, que oferecem pacotes baratos e promoções como forma de estabelecer um diferencial na qualidade dos serviços. Que profissional é esse que precisa fazer sensacionalismo e autopromoção para conquistar pacientes? Essa é uma reflexão que a SBD sugere que todos façam na escolha do profissional que cuidará da sua saúde.

O vice-presidente da SBD, Dr. Sergio Palma, recomenda “ter cautela, não acreditar em tudo que é oferecido na Internet e evitar se submeter a qualquer tipo de procedimento ou serviço médico sem que haja antes uma consulta completa em ambiente adequado, com realização da anamnese e do exame físico para que não haja danos e riscos à saúde. Esses são os princípios básicos para não confiar a vida em mãos erradas”.

O local onde o procedimento será realizado também deve ser decidido com muito cuidado. Para a execução de tratamentos clínico-cirúrgicos, as normas mínimas para o funcionamento de consultórios médicos e dos complexos cirúrgicos para procedimentos com internação de curta permanência devem ser rigorosamente observadas, atendendo as exigências do Conselho Federal de Medicina (CFM). Casas e imóveis residenciais em hipótese alguma devem ser considerados para a prática de procedimentos invasivos.

CRM e RQE
Para ser um especialista numa área médica, não basta ter CRM (número que o médico recebe para exercer a medicina), é necessário possuir o RQE: identificação que o especialista tem para que sua especialidade médica seja reconhecida. O número é obtido no momento em que o médico registra o certificado de conclusão de residência médica credenciada pela Comissão Nacional de Residência Médica (CNRM) ou também o Título de Especialista no Conselho Regional de Medicina do estado em que trabalha.

Para saber se o médico possui registro de especialista, qualquer pessoa pode fazer uma consulta gratuita no site do CFM e CRMs. No caso do médico dermatologista, a checagem também pode ser feita pelo site oficial da SBD.

A SBD é a única instituição reconhecida pelo Conselho Federal de Medicina (CFM) e pela Associação Médica Brasileira (AMB) como representante dos dermatologistas no território brasileiro.

Mais informações aqui no site da SBD: www.sbd.org.br


20 de julho de 2018 0

O programa Conexão, do canal Futura, falou sobre albinismo. Pessoas que têm essa condição genética enfrentam preconceito e falta de políticas de saúde que possam melhorar a qualidade de vida.

O programa foi ao ar no dia 19 de julho e contou com a participação da dermatologista Ana Mósca e da fisioterapeuta Ana Carolina de Souza, que é uma pessoa com albinismo. Durante o programa são apresentadas diferentes questões sobre a condição.

Clique na imagem para assistir a íntegra do programa.

 


19 de julho de 2018 0

 O polimetilmetacrilato (PMMA) é um produto sintético, similar ao acrílico, utilizado como preenchimento em diferentes áreas do corpo e da face. Seu uso é extremamente limitado porque pode causar edemas locais, processos inflamatórios, reações alérgicas e formação de granuloma.

Foi durante a aplicação de PMMA nos glúteos que a bancária Lilian Calixto, 46, passou mal e precisou ser socorrida. Levada ao hospital, não resistiu e morreu horas depois por causa de uma parada cardíaca, na madrugada de domingo (15).

Lílian, que morava em Cuiabá, no Mato Grosso, tinha ido ao Rio de Janeiro para fazer o procedimento com o médico Denis Cesar Furtado, conhecido como Doutor Bumbum. A promessa é que tudo seria feito em um consultório, no entanto, a bancária foi levada para o apartamento do médico, na Barra da Tijuca, zona Oeste.

Durante o procedimento, Denis recebeu ajuda de uma técnica em enfermagem, sua namorada, que já foi presa, e da mãe, que exercia a profissão de médica ilegalmente após ter o registro da profissão cassado. Os quatro foram indiciados por homicídio qualificado e associação criminosa. Denis está foragido.

De acordo com o cirurgião plástico Dênis Calazans, secretário-geral da SBCP, quando usado em grande quantidade, os riscos de embolia e infecção são grandes. Além disso, ele não deve ser usado em aplicação intramuscular. "Uma vez aplicado é impossível retirar todo o produto. Sempre vai ficar algum resíduo”, afirma.

Outro alerta é sobre procedimentos feitos fora do ambiente hospitalar. Calazans explica que qualquer tratamento estético deve ser feito em hospital, clínica ou consultório. "É um tratamento médico e como todo tratamento do tipo, deve ser feito em um hospital, clínica ou consultório, lugares aprovados pela vigilância sanitária, que seguem os quesitos de biossegurança”.

O PMMA é um produto autorizado pela Anvisa para pacientes com HIV que tenham atrofia na face, chamada de lipodistrofia facial.

A SBD (Sociedade Brasileira de Dermatologia) e a SBCP (Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica) se manifestaram sobre o caso, por meio de comunicado. "Procedimentos estéticos invasivos envolvem algo muito sério, a saúde, e não podem estar separados de um atendimento médico responsável”, afirmou a SBD.

Já a SBCP disse que a crescente invasão da especialidade por não-especialistas tem promovido cada vez mais casos de insucesso e casos fatais como esse.

As entidades também destacaram a importância de verificar a formação do profissional que vai fazer o procedimento, restrito a dermatologistas e cirurgiões plásticos, que dispõem de formação necessária para trabalhar com esse tipo de material.

De acordo com o vice-presidente da Sociedade Brasileira de Dermatologia, Sergio Palma, é possível verificar a formação do médico no Conselho Regional de Medicina. "Isso pode ajudar a evitar situações de risco decorrentes de possível atendimento por pessoas sem a devida qualificação e sem competência legal para tanto", afirma.

No caso do cirurgião plástico, a formação leva, no mínimo, 11 anos. Após os 6 anos da graduação em medicina, é preciso passar pela formação de cirurgião geral que dura 2 anos, antes de cumprir mais 3 anos em cirurgia plástica.

Outra crítica é quanto ao uso das redes sociais para a divulação do trabalho médico. O "Doutor Bumbum" costumava usar a internet para divulgar técnicas e procedimentos. “A utilização de mídias sociais para venda de produtos é um problema muito sério, o público acaba comprando a ideia de que o médico é um profissional sério e nem sempre isso corresponde à realidade”, afirma Calazans.

Fonte: R7

Leia mais: No Rio, Paty Bumbum é presa por suspeita de organização criminosa


19 de julho de 2018 0

Não é de hoje que o PMMA (polimetilmetacrilato) carrega má fama, mas a substância continua causando complicações graves.

No domingo (15), a bancária Lilian Calixto, 46, morreu após complicações em cirurgia realizada pelo médico Denis Cesar Barros Furtado, 45, conhecido em redes sociais como Doutor Bumbum. Além de não ter formação em cirurgia plástica, o médico, que está foragido, realizou o procedimento em sua casa, o que é proibido.

A suspeita é que ela tenha sofrido uma embolia pulmonar devido à aplicação da substância PMMA (polimetilmetacrilato) para preenchimento estético no glúteo.

De acordo com a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), o PMMA pode ser usado em procedimentos estéticos para corrigir rugas e restaurar pequenos volumes perdidos de tecidos com o envelhecimento.

Mas nem a SBCP (Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica) nem a SBD (Sociedade Brasileira de Dermatologia) recomendam o uso do produto para fins estéticos. Segundo médicos das entidades, a exceção seria o uso do preenchimento facial em pessoas com HIV/Aids, para corrigir a lipodistrofia causada pelos medicamentos, indicação prevista pela Anvisa em portaria de 2009.

Segundo o CFM (Conselho Federal de Medicina), quando usado em grandes quantidades, o PMMA não é seguro, tem resultados imprevisíveis a longo prazo e pode causar reações incuráveis, como inflamações, nódulos, necrose e até a morte.

No censo de 2017 da SBCP, a entidade incluiu pela primeira vez dados sobre as sequelas dos implantes com PMMA devido ao aumento no número de complicações. Em 2016, foram feitas 4.432 cirurgias plásticas para corrigir defeitos decorrentes da aplicação da substância, de um total de 664.809 operações reparadoras.

O total de complicações, porém, é bem maior, segundo pesquisa realizada pela Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica "“ Regional São Paulo (SBCP-SP). No mesmo ano de 2016, houve mais de 17 mil registros em todo o país.

Para a maioria dos cirurgiões plásticos ouvidos pela entidade, o produto deveria ter seu uso e comercialização banidos do mercado nacional.

O PMMA (polimetilmetacrilato) não é recomendado pela SBCP (Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica) para fins estéticos - Rafael Andrade/Folhapress
O PMMA (polimetilmetacrilato) não é recomendado pela SBCP (Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica) para fins estéticos – Rafael Andrade/Folhapress

Em 2006, o CFM (Conselho Federal de Medicina) e a SBCP já haviam se manifestado sobre o assunto, condenando a utilização indiscriminada. Em 2007, após ampla discussão, a Anvisa proibiu a manipulação da substância em farmácias.

"Há vários produtos biocompatíveis e seguros, como o ácido hialurônico, que faz parte do corpo e é absorvível. O PMMA é barato, definitivo e traz um monte de riscos, mas as pessoas se enganam pelo sonho, pela mentira, pela fantasia", diz Níveo Steffen, presidente da SBCP.

O material é permanente, ou seja, não é absorvido pelo corpo, e pode causar deformações, inflamações, necrose e até a morte.

"Imagine se você coloca essa substância solta num tecido como a região glútea. Você levanta, senta, anda, se mexe, e o organismo reage àquilo como um corpo estranho, provocando uma reação inflamatória", diz ele.

Para médicos, a autopromoção agressiva em mídias sociais aumenta o risco de problemas do tipo.

"Pacientes estão se deixando levar por médicos blogueiros. A participação nas redes é legítima, mas o conteúdo tem que ser ético e educativo. Parece que quem mais posta está mais atualizado", diz Sergio Palma, vice-presidente da Sociedade Brasileira de Dermatologia.

"As redes sociais estão descaracterizando a valorização do profissional correto. Hoje não é a formação que conta, mas quantas visualizações a pessoa teve em seu Instagram", diz Elvio Bueno Garcia, presidente da SBCP-SP. "Estou cansado de ver gente esclarecida com poder aquisitivo alto tomando decisões erradas, utilizando critérios de escolha equivocados."

Os médicos lembram que, para se certificar da procedência do médico, é recomendável verificar seu nome nos sites da SBCP e da SBD.

 

O que pode dar errado com PMMA

O que é o PMMA

Também conhecido como bioplastia, é um composto de microesferas de acrílico comercializado com diversos nomes como: metacril, pexiglass ou lercite

É usado principalmente para:

Tratar rugas médiasa profundas, como pregas nasolabiais ("bigode chinês")
Preencher cicatrizes
Aumentar lábios finos

Como é aplicado

As aplicações de PMMA são simples de serem realizadas: bastam microcânulas com anestesia local. Custa menos do que outros produtos absorvíveis e mais seguros. O produto é permanente. Depois de aplicado, sua remoção é praticamente impossível, porque o produto se espalha

Fonte: Folha de S. Paulo


18 de julho de 2018 0

A Sociedade Brasileira de Dermatologia vem a público lamentar a morte no último domingo (15/7), no Rio de Janeiro, de Lilian Calixto, 46 anos, bancária e moradora de Cuiabá.

Trata-se de uma morte acarretada por complicações de procedimento estético realizado por médico não especialista e em local inadequado e em um momento em que há crescente invasão da especialidade por não especialistas. Soma-se a isso as inúmeras informações e promessas de tratamentos estéticos encantadores difundidos nas mídias sociais. Muitos deles sem comprovação científica e propagados por não médicos.

Além de não ter a qualificação exigida, o médico Denis Cesar Barros Furtado realizou o procedimento em sua residência, o que é proibido. Salienta-se que o referido médico não cursou residência médica em Dermatologia e nem possui Título de Especialista em Dermatologia da SBD com a Associação Médica Brasileira (AMB).

Para a formação como dermatologista, é necessário cursar seis anos de medicina, submeter-se a uma prova de seleção e cumprir mais três anos de formação específica em programa de residência médica; além da obtenção do Título de Especialista em Dermatologia conferido pela Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD) e pela Associação Médica Brasileira (AMB).

A SBD reforça a importância de a população checar se o médico é especialista e credenciado pela Sociedade. Basta uma consulta aqui no site da SBD ou no portal do Conselho Federal de Medicina (CFM): www.portal.cfm.org.br/.

 


18 de julho de 2018 0

Lilian Quezia Calixto de Lima Jamberci, de 46 anos, bancária de Cuiabá, morreu na madrugada do último domingo (15/7), no Rio de Janeiro, após realizar “bioplastia” nos glúteos, procedimento estético invasivo, geralmente feito com o uso de polimetilmetacrilato (PMMA), com profissional não habilitado. A vítima realizou o procedimento com Denis Cesar Barros Furtado, conhecido “Doutor Bumbum”, na cobertura onde ele morava, na Barra da Tijuca, Rio de Janeiro, em vez de uma clínica médica ou hospital.

“A oferta exagerada de procedimentos estéticos invasivos por profissionais que não tenham a devida habilitação e autorização legal para sua execução tem sido sistematicamente publicada em veículos de comunicação e mídias sociais como procedimentos simples e sem riscos à saúde da população. Ao realizar qualquer procedimento estético invasivo, é preciso certificar-se se o profissional escolhido é médico, habilitado e com situação regular no Conselho Regional de Medicina (CRM), evitando situações de risco decorrentes de possível atendimento por pessoas sem a devida qualificação e sem competência legal para tanto”, alerta o vice-presidente da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD), Dr. Sergio Palma.

O polimetilmetacrilato (PMMA), utilizado na “bioplastia”, é um material de enchimento bifásico composto por microesferas suspensas em solução de colágeno bovino, carboximetilcelulose ou hidroxietilcelulose. É utilizado como preenchimento em diferentes áreas do corpo e na face, sendo seu uso extremamente limitado. “Importante alertar que quando utilizado o preenchimento com a substância PMMA, a recomendação é que o procedimento seja feito por médicos, em pequenas doses e com restrições, pois o uso em grandes doses não é seguro, podendo produzir resultados imprevisíveis e indesejáveis, incluindo reações incuráveis e definitivas. O uso dessa substância pode causar edemas locais, processos inflamatórios, reações alérgicas e formação de granuloma, entre outras. Essas reações podem ser imediatas, em curto prazo, após o procedimento ou tardias”, explica o Dr. Sergio Palma.

A Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD) alerta que os procedimentos estéticos invasivos envolvem algo muito sério, a saúde, e não podem estar separados de um atendimento médico responsável. Do ponto de vista da saúde pública, vale ressaltar que a prática da medicina e realização de tratamentos devem ser feitos em estabelecimentos de saúde, como consultórios médicos, clínicas e hospitais, locais onde é possível observar os quesitos de biossegurança dos procedimentos.

É dever do médico guardar absoluto respeito pela vida humana, atuando sempre, em qualquer circunstância, em benefício do paciente; agindo com o máximo de zelo e o melhor de sua capacidade profissional. Nesse sentido, o médico deve envidar o máximo esforço na busca da redução de riscos na assistência aos seus pacientes. Para a execução de procedimentos clínico-cirúrgicos, as normas mínimas para o funcionamento de consultórios médicos e dos complexos cirúrgicos para procedimentos com internação de curta permanência devem ser rigorosamente observadas, atendendo as exigências do Conselho Federal de Medicina (CFM).

O conhecimento e domínio das técnicas de aplicação, da anatomia local e fisiopatologia, das indicações e das contraindicações com base no estudo amplo das doenças que envolvem a pele, são fundamentais para alcançar melhores resultados, bem-estar e segurança do paciente. Também é de extrema importância que o profissional médico executor do procedimento estético esteja preparado para prontamente reconhecer, avaliar e conduzir possíveis efeitos adversos, bem como de realizar diagnóstico prévio de doença impeditiva do ato e da terapêutica.

É valido lembrar ainda que os procedimentos invasivos das áreas dermatológica/cosmiátrica devem ter indicação e execução feita por médicos, de acordo com a Lei 12842/2013. É o que esclarece também o parecer do CFM n. 35/2016.

A SBD reforça a importância de a população certificar-se sobre a capacitação do profissional escolhido para realizar um procedimento estético. Também alerta sobre o cuidado com os sites de compras coletivas e anúncios na internet, que oferecem pacotes baratos e promoções. Deve haver desconfiança dos locais que se dispõem a cobrar preços muito baixos, frequentemente com muita rotatividade de profissionais e, nem sempre, regularizados como estabelecimento de saúde.

A SBD é a única instituição reconhecida pelo Conselho Federal de Medicina (CFM) e pela Associação Médica Brasileira (AMB), como representante dos dermatologistas no Brasil.

Mais informações pode ser obtidas aqui no site da SBD: www.sbd.org.br

 


17 de julho de 2018 0

Um belo dia, fazendo aquela inspeção detalhada em frente ao espelho (quem nunca?), você descobre uma mancha na pele. O que você faz, então? Consulta o dr. Google, corre na farmácia e faz uma "consulta" com o balconista antes de comprar uma pomadinha, testa a receita ensinada por um amigo ou corre para a primeira clínica estética que tem notícia para iniciar um procedimento que irá fazer sumir a mancha.

O que talvez você não saiba é que uma simples mancha tem a possibilidade de ser o início de alguma doença e o procedimento errado pode, não apenas mascarar o problema, mas piorar o quadro.

Especialistas afirmam ser comum as pessoas não darem muita importância às lesões de pele por não estarem informadas sobre o assunto. Por exemplo, quem se preocupa em procurar um dermatologista depois de uma queimadura ou para tratar um quadro de acne? É importante que as pessoas saibam que bactérias, vírus, vermes e fungos aproveitam o tecido exposto por uma queimadura, por exemplo, para entrar no corpo, o que pode comprometer seriamente a saúde do paciente. Nos casos mais graves, podem evoluir para problemas pulmonares, cardiológicos, meningite, encefalite e até levar a óbito.

Um médico, por favor

A procura por tratamento estético sem uma avalição médica tem sido um grande problema no país, e não é incomum pacientes procurarem o consultório do dermatologista para solucionar os erros e problemas  causados por procedimentos indevidos.

A professora de educação física Walmira Benício escapou por pouco de cometer um erro desses. A grande exposição ao sol sem protetor solar ao longo dos anos de aulas ao ar livre provocou várias manchas no rosto, colo e mãos. Ao procurar uma clínica estética, a indicação foi de fazer um peeling. Receosa, foi então que Benício resolveu consultar o dermatologista. O diagnóstico? Adivinhem. Melanoma, o câncer de pele do tipo mais grave.

O vice-presidente da Sociedade Brasileira de Dermatologia, Sérgio Palma, salienta que os procedimentos invasivos só devem ser indicados e executados por médicos. "Recebemos com frequência pacientes que sofreram queimaduras em procedimentos feitos com laser. É preciso ter muito critério. Por exemplo, um preenchedor de rugas, que atinge camadas profundas da pele, pode provocar graves problemas, até necrose em alguns casos". Palma explica, ainda, que os procedimentos invasivos das áreas dermatológica/cosmiátrica só devem ter sua indicação e execução feita por médicos, de acordo com a Lei 12842/2013. É o que esclarece também o parecer número 35/2016, publicado pelo Conselho Federal de Medicina (CFM).

A receita para quem quer manter a pele saudável, eliminar manchas e rugas de expressão, ainda é muito simples. Faça uso diário do protetor solar e antes de recorrer a qualquer procedimento estético, procure um dermatologista. Só ele poderá fazer um diagnóstico e indicar tratamento.

Que médico é esse?
Especialidade da Medicina que cuida do tratamento e prevenção das doenças do maior órgão do corpo humano, a pele, incluindo boca, cabelos, pelos, unhas e genitais. Depois de se formar em Medicina, o médico precisa estudar, no mínimo, mais três anos para se formar na especialidade "dermatologia".

Além do CRM…
Você sabia que, além do CRM (registro no Conselho Regional de Medicina), seu médico dermatologista deve ter o RQE (Registro de Qualificação de Especialista)?

Melanoma
É um tipo de câncer que se desenvolve nas células responsáveis pela pigmentação da pele. É potencialmente grave.

Furos, agulhas, injeções…
Tratamentos invasivos só podem ser executados por médicos. Por isso, certifique-se antes de iniciar qualquer procedimento com agulhas, por exemplo.
 

Fonte: Destak

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