
A região ao redor dos olhos está entre as primeiras áreas do rosto a apresentar sinais de envelhecimento e exige uma abordagem cuidadosa. A pele mais delicada, associada à dinâmica muscular e às particularidades anatômicas da região, faz com que as possibilidades de tratamentos não cirúrgicos sejam mais restritas. O tema foi discutido no 79º Congresso da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD), que reúne mais de três mil especialistas em Fortaleza, de 10 a 12 de setembro.
Dra. Márcia Linhares, coordenadora do Departamento de Laser da SBD, explica que o laser de CO₂ é um dos aliados no combate à flacidez e às rugas.
“Existem diversas novas versões do laser fracionado de CO₂ que combinam diferentes profundidades no mesmo disparo, permitindo atingir uma camada superficial e uma camada mais profunda. Com isso, conseguimos promover um rejuvenescimento importante dessa área”, afirma a médica dermatologista.
Apesar de ser realizado em consultório e não exigir sedação ou centro cirúrgico, o procedimento demanda anestesia tópica e apresenta um período de recuperação. O calor e a energia gerados pelo laser podem provocar edema e a formação de pequenas crostas, que desaparecem ao longo dos dias. Por isso, a especialista explica que o período de recuperação costuma ser entre dois e cinco dias, dependendo da resposta de cada paciente.
Laser de CO₂ não é tratamento específico para olheiras
Embora o laser de CO₂ possa melhorar a aparência da área, ele não deve ser considerado um laser destinado ao clareamento das olheiras, segundo Dra. Márcia.
“A olheira pode melhorar porque, como um todo, vamos estimular o colágeno dessa área, a derme vai se redensificar. Então, esse clareamento é secundário, acontece pela melhora do envelhecimento. Mas para olheira, sugerimos uma luz intensa pulsada, que tem uma ação interessante no pigmento melanina e no pigmento hemoglobina, que são os vasos”, explica.
A escolha do tratamento, portanto, depende das características da região e da queixa apresentada pelo paciente. Além do laser de CO₂, tecnologias como ultrassom microfocado e radiofrequência monopolar podem ser utilizadas quando o objetivo é uma abordagem sem ou com menor tempo de recuperação.
“Nessas outras tecnologias, não temos tempo de recuperação, então você pode fazer e voltar logo para as suas atividades. Mas é sempre importante dizer que o laser de CO₂ apresenta um resultado maior quando tratamos o rejuvenescimento”, ressalta a especialista.
A abordagem da região periorbital também pode envolver a associação de diferentes tecnologias e, em casos selecionados, procedimentos injetáveis. Dra. Márcia ressalta, entretanto, que essa é uma área em que os preenchimentos precisam ser avaliados com cautela.
“Não é uma área que costumamos preencher, porque o resultado muitas vezes não é bom. Mas podemos fazer algum procedimento injetável com ácido hialurônico mais fluido para melhorar as rugas e associar aos tratamentos com laser”, explica.


