SBD adere à iniciativa mundial Choosing Wisely para a conscientização da realização responsável de procedimentos e tratamentos na prática dermatológica



SBD adere à iniciativa mundial Choosing Wisely para a conscientização da realização responsável de procedimentos e tratamentos na prática dermatológica

6 de maio de 2020
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JSBDv24n2 – março/abril 2020

Campanha incentiva a não realização de atos médicos desnecessários e promove uma reflexão sobre a adequação do cuidado com a saúde visando não causar danos ao paciente e evitar sobrecarregar os sistemas de saúde do país

A  importância de fazer escolhas sensatas na prática médica é o mote da campanha mundial Choosing Wisely, lançada pela American Board of Internal Medicine (Abim), nos Estados Unidos, em 2012. A iniciativa reúne diferentes sociedades médicas de mais de 25 países e faz um alerta para a realização de procedimentos e tratamentos que não geram nenhum benefício aos pacientes, mas que ainda continuam sendo prescritos pelos médicos e sobrecarregando os sistemas de saúde. Desde então, centenas de recomendações de exames e tratamentos foram rediscutidos com relação à efetividade clínica e publicados nos sites das entidades médicas. Essas listas de recomendações são baseadas em evidências sobre práticas médicas frequentes que devem ser reduzidas ou eliminadas.

No Brasil, a iniciativa teve início em 2015, com a adesão de dezenas de sociedades de especialidade. A SBD aderiu à campanha no começo deste ano e atualmente elabora uma lista de procedimentos e indicações de tratamentos e condutas referentes à dermatologia clínica. “Tendo em vista a relevância dos assuntos abordados pela Choosing Wisely, como também a necessidade de mais sociedades médicas brasileiras participarem dessa campanha, considero essenciais a adesão e o posicionamento da SBD”, explica o coordenador do grupo Hélio Miot. Segundo o médico, essa primeira edição abordará a dermatologia clínica, sendo direcionada a procedimentos diagnósticos ou terapêuticos desnecessários ou mesmo danosos, que devem ser evitados na prática médica.

No caso do Brasil, é preciso cumprir alguns pré-requisitos para elaboração da lista, que deve ter no mínimo cinco e no máximo dez recomendações a levar em conta por médicos e pacientes, todas elas necessariamente de acordo com o escopo de atuação da especialidade; seu processo de desenvolvimento precisa ser rigorosamente documentado e transparente desde o início; devem ser priorizados testes, procedimentos ou tratamentos utilizados com bastante frequência e que podem prejudicar pacientes − secundariamente, os que representem abordagens diagnósticas ou terapêuticas de baixo valor agregado;
carece existir um bom corpo de evidências científicas que suporte a recomendação; iniciar toda recomendação com as expressões "Não" ou "Reflita muito antes de"; evitar sugestões de práticas, como "Não prescreva medicação sem olhar interações", e recomendações genéricas, como "Não solicite exame sem indicação específica".

O grupo de especialistas – que conta com a atuação de dermatologistas de todo o país, bem como residentes dos Serviços de Dermatologia da Santa Casa de Curitiba e do Rio Grande do Sul – já iniciou a primeira etapa do trabalho com a elaboração de lista contendo 50 recomendações, que posteriormente serão submetidas à avaliação dos associados da SBD por meio de votação aberta.

“Com base nessas recomendações, será elaborada consensualmente listagem a ser submetida à consulta pública dos associados, para a formação democrática dos dez itens finais que irão compor o documento”, considera Miot.

O médico dermatologista salienta que a tendência internacional ganha valor ao proporcionar mais segurança e eficiência nos cuidados com a saúde dos pacientes, assim como ao fortalecer a sociedade médica como fonte confiável de informação da especialidade. “Nossa participação é importante, pois, além de divulgar a especialidade, traz recomendações que objetivam melhorar a assistência dermatológica no país”, frisa Hélio Miot.

Também fazem parte do grupo os médicos dermatologistas Andrea Ramos (Minas Gerais), Clivia Carneiro (Pará), Caio Castro, Paulo Criado e Luciana Abbade (São Paulo), Magda Weber e Renan Bonamigo (Rio Grande do Sul), Mayra Ianhez (Goiás) e Pedro Dantas (Sergipe).





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