Para acabar com a hanseníase e com a dor



Para acabar com a hanseníase e com a dor

9 de novembro de 2010

Segundo a Organização Mundial de Saúde, o número de pessoas que sofrem da Hanseníase caiu em 141 países de 2009 para cá. Ainda assim, o Brasil está entre as áreas mais endêmicas afetadas pela doença, ao lado de Angola, Nepal, Índia e Madagascar, regiões que continuam lutando para controlar a doença. Estudo realizado por médicos brasileiros está sendo acrescentado ao arsenal de combate a um dos grandes problemas causados pela Hanseníase: a dor crônica. Nele, Licia Saadi, médica fisiatra do Serviço de Medicina Física e Reabilitação do Hospital da UFRJ, faz um mapeamento dessas dores para buscar os melhores tratamentos.

– A Hanseníase é provocada por um bacilo que ataca a pele e os nervos periféricos – explica.

– O nervo inflama e causa a dor neuropática. No estudo, concluímos que 29% das pessoas que analisamos conviviam com dores há cerca de 10 anos, mesmo depois de terem tratado a doença. A dor neuropática é causada por uma lesão direta no nervo e se manifesta de várias formas, como sensação de queimação, ferroadas ou choques em determinadas partes do corpo.

– Mesmo tratando a doença, você não elimina, necessariamente, os danos que ela causou ao seu sistema nervoso – explica Alexandre Amaral, professor de neurocirurgia do Instituto de Pós-Graduação Carlos Chagas.

– Ela pode ter lesionado uma raiz nervosa, e a dor vai permanecer mesmo que o vírus já tenha sido eliminado. Os especialistas acrescentam que, apesar de ser provocada por uma lesão só no nervo, essa dor exige tratamentos multidisciplinares. A dor neuropática pode ser combatida através de cirurgia e com medicamentos, mas Licia ressalta a importância de fazer acompanhamento com fisioterapeutas e psicólogos.

– Essa dor também é emocional – acrescenta Licia. – Os pacientes se sentem rejeitados e sofrem emocionalmente, o que aumenta a dor. Quando a doença está no processo inflamatório, combatemos com corticoides. Mas a questão é diferenciar do processo inflamatório e da dor crônica. Aí entram outros tratamentos em ação, como terapia, fisioterapia e acupuntura.





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