Mindfulness: a importância da consciência da mente e do corpo



Mindfulness: a importância da consciência da mente e do corpo

27 de fevereiro de 2019
medita2.jpg

JSBD – Ano 23 – N.01 – JANEIRO-FEVEREIRO

Diante de um mundo em que o tempo parece estar cada vez mais acelerado, aliado ao uso massivo das tecnologias digitais, é preciso saber a hora de parar, respirar e depois continuar. Algumas estratégias podem melhorar a qualidade de vida do indivíduo, ajudar a prevenir situações de adoecimento e reduzir os casos de esgotamento mental. A técnica do Mindfulness é uma delas.

“Ao contrário do que muitos pensam, o Mindfulness não é, em sua essência, um novo tipo de meditação ou um conjunto de técnicas meditativas modernas. É antes uma proposta de experimentar a vida de forma diferente daquela com a qual muitas vezes nos acostumamos. A proposta e o desafio são o exercício de uma ‘atenção mais plena’ em tudo que fazemos, desde a forma como nos alimentamos ou cuidamos da nossa saúde até como aproveitamos nosso tempo de lazer ou nos relacionamos. É sair de um automatismo para uma maior consciência, e para isso, sim, podemos usar algumas técnicas específicas”, explica o médico psiquiatra Tiago Queiroz Cardoso*.

A atenção plena, portanto, consiste em focar no presente, evitando pensar nas possibilidades futuras. No entanto, para que isso aconteça, é preciso observar muito, bem como estar aberto para vivenciar o momento. “A atenção plena não deve ser encarada como um estado mágico ou um ponto de chegada, é muito mais um novo caminho, uma nova direção, no qual vamos aos poucos deixando de lado hábitos automáticos e cada vez nos tornamos mais ‘presentes’”, orientou o médico.

Segundo o especialista, existem práticas específicas de Mindfulness para diferentes condições, como a depressão, a ansiedade ou as doenças crônicas. Os dois programas mais conhecidos são o MBSR (Mindfulness-based stress reduction), desenvolvido no final da década de 1970 pelo médico Jon Kabat-Zinn, considerado o percussor do Mindfulness; e o MBCT (Mindfulness-Based Cognitive Therapy), criado na década de 1990, com a proposta de associar técnicas do Mindfulness e da Terapia Cognitiva Comportamental.

“O primeiro possui estudos mostrando sua eficácia na redução do estresse e ansiedade, incluído o burnout; e o MBCT demonstrou também eficácia significativa na depressão”, esclarece.

Os benefícios da prática são inúmeros a cada estudo publicado, sendo a redução do estresse um dos mais importantes. A aplicação da técnica de Atenção Plena na Medicina, direcionada ao médico, também ajuda o profissional a lidar melhor com o estresse de trabalho e ter mais qualidade de vida.

“Hoje nós sabemos como o estresse está relacionado à cascata de inflamação no organismo, processo envolvido não só na depressão e ansiedade, como em doenças cardiovasculares, autoimunes e tantas outras. A maior dificuldade é essa, a baixa percepção de risco do estresse pelas pessoas, e isso inclui nós, médicos. Às vezes não estamos atentos ao nosso estresse e nem ao dos nossos pacientes, e isso faz com que não seja uma prioridade, até que acabe se tornando uma doença. Precisamos mudar o paradigma de uma medicina de tratamento para uma medicina de prevenção, a começar por nós mesmos”, relata.

O curso-padrão tem duração de oito semanas. Durante esse tempo são praticadas diferentes técnicas de Mindfulness com o apoio de um especialista. Após aprender a realizar as atividades, é possível praticar em casa e no ambiente de trabalho, incluindo ações curtas diariamente. Elas podem ser feitas no tempo de três a cinco minutos, em qualquer lugar: no carro, no consultório, à mesa de refeição ou ao deitar-se para dormir. São conhecidas como práticas não formais.

“Diria que esse tipo de prática é tão ou mais impactante no nosso dia a dia, quando estamos acostumados a fazer tudo no automático. Como eu disse, a proposta não é um ponto de chegada, mas estar cada vez mais conscientes de que precisamos cuidar da nossa mente, reduzir o ritmo, diminuir o estresse e a sobrecarga de múltiplos estímulos no nosso cérebro”, completa Tiago Queiroz.
 

Você sabia?
Pensar nas possibilidades futuras e antecipar as consequências envolvem o córtex pré-frontal, que é a região mais desenvolvida do cérebro, e a amígdala, nosso cérebro primata, que controla comportamento e instinto.

“Fear of missing out” (“medo de ficar de fora”) é um distúrbio que aumenta a ansiedade e atrapalha o sono.

Síndrome do pensamento acelerado (SPA) ocorre quando você vai dormir, mas não consegue, porque a cabeça dispara.

Dados da OMS revelam que 9,3% da população brasileira sofre de transtorno de ansiedade, quase o triplo da média internacional (3,5%).                                  ´           ´

Experimente alguns exemplos simples de Mindfulness para exercitar essa atenção plena.

  • Tomar um banho com a mão não dominante.
  • Descansar os talheres na mesa a cada “garfada”.
  • Fazer três respirações profundas antes de checar o celular. Aliás, precisamos realmente checá-lo mais de uma vez?

 

* Tiago Queiroz Cardoso é médico psiquiatra, mestre e doutorando em Neuropsiquiatria, preceptor do Hospital das Clínicas da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) e do Hospital Ulisses Pernambucano – Universidade de Pernambuco (UPE).





SBD

Sociedade Brasileira de Dermatologia

Av. Rio Branco, 39 – Centro, Rio de Janeiro – RJ, 20090-003

Copyright Sociedade Brasileira de Dermatologia – 2021. Todos os direitos reservados