Médicos devem decidir sozinhos?



Médicos devem decidir sozinhos?

4 de abril de 2011

Os médicos têm um imperativo ético que os obriga a compartilhar decisões importantes com os pacientes. E os pacientes têm o direito de assumir um papel de participantes nos seus cuidados no mesmo nível decisório que os especialistas.

As afirmações constam em uma declaração internacional, publicada esta semana, exortando pacientes e médicos ‘para trabalhar em conjunto para serem co-produtores da saúde.’

A declaração é resultado de um evento que reuniu especialistas de 18 países no Seminário Mundial de Salzburgo, realizado na Áustria.

Os especialistas argumentam que grande parte dos cuidados que os pacientes recebem baseia-se na capacidade e na disponibilidade de clínicos individuais para fornecê-los, e não em padrões amplamente aceitos de melhores práticas ou preferências dos pacientes por um determinado tratamento.

Essa visão está fundamentada nos resultados de uma pesquisa anual feita com pacientes de câncer. Foram constatadas variações significativas nas escolhas e nas informações dadas aos pacientes e na sua participação nas decisões sobre o tratamento.

Os especialistas também afirmam que os médicos são muitas vezes lentos em reconhecer a extensão com que os pacientes desejam se envolver no entendimento dos seus próprios problemas de saúde, em conhecer as opções disponíveis para eles, e de participar na tomada de decisões que levem em conta suas preferências pessoais.

Com base nessas constatações, o documento apela aos médicos para estimularem um fluxo de informações de mão-dupla com os pacientes, fornecendo informações precisas sobre o tratamento, adequando a informação às necessidades individuais dos doentes e dando-lhes tempo suficiente para considerarem todas as opções.

Falando aos pacientes, os pesquisadores os incentivam a fazer perguntas e falar sobre suas preocupações, a reconhecer que têm o direito de atuarem como participantes em igualdade de condições quanto aos seus tratamentos, e para buscarem e utilizarem informações de saúde de alta qualidade.

O documento apela ainda aos gestores públicos para adotarem políticas que incentivem a tomada de decisão compartilhada e apoiem o desenvolvimento de habilidades e ferramentas para a tomada de decisão compartilhada entre os médicos.





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