O período da gestação representa um momento de grandes transformações físicas e hormonais na vida da mulher, e muitas dessas mudanças se refletem diretamente na pele, nos cabelos e nas unhas. Para marcar o Dia da Gestante, celebrado em 15/08, a Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD) reforça a importância de que esses cuidados integrem a rotina de pré-natal, com atenção especializada desde os primeiros meses.
De acordo com a dermatologista Dra. Juliana Massuda, assessora do Departamento de Medicina Interna da SBD, o ideal é que a gestante consulte um médico dermatologista no início da gestação, para ajustar sua rotina de cuidados e receber orientações seguras. “O acompanhamento precoce permite prevenir problemas como o agravamento de melasma, o uso indevido de cremes com substâncias contraindicadas, e até a má cicatrização no pós-parto”, afirma.
Além disso, ela recomenda que as gestantes façam a revisão de pintas e lesões de pele, que podem se modificar ao longo da gravidez. Já no final da gestação, a consulta pode ser útil para orientar cuidados com feridas cirúrgicas, prevenção de estrias e amamentação.
Pele mais pigmentada: o que é esperado e o que merece atenção
Durante a gravidez, o corpo produz mais hormônios que estimulam a melanina — o que torna a pele da gestante mais suscetível a alterações de cor. Manchas nas aréolas, na barriga (linha nigra), na região íntima e o surgimento de melasma facial são comuns. “Essa hiperpigmentação é fisiológica, mas pode ser minimizada com medidas preventivas, como o uso correto de fotoprotetores”, explica a Dra. Juliana.
A médica dermatologista também alerta para os ativos que devem ser evitados nesse período: ácido retinóico, hidroquinona e ácido salicílico estão entre os mais importantes. Procedimentos como laser, peelings e outras técnicas agressivas também não são indicados. “Além do risco de complicações, o calor e o estímulo inflamatório aumentam a chance de hiperpigmentações. Na maioria dos casos, é melhor adiar qualquer intervenção estética mais intensa”, orienta.
Tinturas e alisamentos devem ser evitados, pois algumas substâncias químicas presentes nesses produtos têm sido associadas a riscos para o bebê. Já xampus e condicionadores comuns não oferecem perigo, embora alguns produtos para tratamento de caspa exijam avaliação médica.
Também é necessário evitar traumas durante a remoção de cutículas. “Pequenos machucados podem evoluir para granuloma piogênico, uma lesão dolorosa e com aparência de carne esponjosa. O ideal é manter a higiene e aparar as unhas, mas sem remover completamente a cutícula”, recomenda.
Além disso, mulheres que planejam engravidar e fazem uso de medicações dermatológicas, como os imunobiológicos, devem conversar com seus médicos com antecedência.
“Medicamentos usados para tratar doenças como psoríase ou dermatite atópica podem representar riscos durante a gravidez, e cada caso deve ser avaliado individualmente. O acompanhamento dermatológico é essencial para adaptar o tratamento ao novo momento, garantindo segurança para a mãe e o bebê”, conclui Dra. Juliana Massuda.
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