Dermatologista brasileira é premiada por estudo sobre efeitos da radiação solar



Dermatologista brasileira é premiada por estudo sobre efeitos da radiação solar

17 de dezembro de 2010

Dra. Sarita Martins é autora da melhor publicação recente e recebe prêmio de pesquisa em dermatologia

Os efeitos da radiação solar na pela humana são alvo de estudos constantes. Muito se descobriu ao longo dos anos, conseqüência, principalmente, dos avanços tecnológicos aplicados à medicina. Contudo, estudos recentes têm contribuído para um entendimento cada vez mais profundo da questão. Um dos principais incentivadores da divulgação de trabalhos científicos na área da dermatologia, o Prêmio de Pesquisa em Dermatologia da Fundação La Roche-Posay, divulgou este mês o resultado de sua sexta edição. Com o trabalho intitulado “Efeitos da radiação solar crônica prolongada sobre o sistema imunológico de pescadores profissionais em Recife, Brasil”, a dra. Sarita Martins, vice-presidente da diretoria 2011-2012 da Sociedade Brasileira de Dermatologia, recebeu o prêmio de melhor publicação recente. Foi o único trabalho brasileiro premiado.

O projeto, liderado pela doutora Sarita, contou com a participação de outros cinco profissionais, além da colaboração voluntária de 95 homens, todos residentes em Recife, dentre os quais 75 eram pescadores com mais de 10 anos de profissão e 20 não pescadores. O objetivo do estudo, segundo a doutora, foi avaliar o efeito da exposição solar várias horas por dia e por vários anos na pele dos pescadores. A profissão, a exemplo de tantas outras, exige que os indivíduos fiquem expostos ao sol diariamente, por horas seguidas. Geralmente estes trabalhadores não se protegem adequadamente do sol. Qual o impacto desta rotina? A radiação UV é prejudicial quando a exposição é diária por anos seguidos? O organismo se adapta a estas condições? Estas e outras perguntas foram levantadas e o resultado pode não ser o que a maioria espera.

De acordo com o estudo, a exposição solar crônica e prolongada produz alterações cutâneas que representam mecanismos de defesa, ou seja, o nosso organismo, forçado Por anos de exposição ao sol, tenta se adaptar, se defender. “estes achados foram de um aumento do número de camadas celulares da epiderme (engrossamento da pele) e o número de melanócitos (bronzeamento), além da presença de um número maior de células imunocompetentes nestes locais quando comparado com a pele não exposta ao sol. Portanto, não ocorre a diminuição das defesas da pele, diferentemente da exposição esporádica e de curta duração aos raios UV”, explica a doutora. Pessoas que se expõe ao sol de forma esporádica e sem proteção estão, sim, muito mais sujeitas aos malefícios provocados pela radiação UV. Contudo, a dra. Sarita atenta para o fato de que a única maneira de se garantir uma pele saudável, evitando doenças, envelhecimento precoce e, principalmente, o câncer de pele é fazendo da proteção solar um hábito diário, uma preocupação constante.





SBD

Sociedade Brasileira de Dermatologia

Av. Rio Branco, 39 – Centro, Rio de Janeiro – RJ, 20090-003

Copyright Sociedade Brasileira de Dermatologia – 2021. Todos os direitos reservados