Nova vítima de procedimentos estéticos feitos por dentistas mostra a importância de alerta de dermatologistas




9 de outubro de 2019 0

O registro de mais uma intercorrência após procedimento estético realizado por dentista, dessa vez no município de São José do Rio Preto (SP), reafirma a importância do alerta feito pela Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD) sobre os riscos que esse tipo de situação traz para todos. “Lamentamos profundamente o ocorrido, mas é importante que a população esteja consciente de que uma escolha equivocada pode fazer a diferença entre a vida e a morte”, reiterou Sergio Palma, presidente da entidade.

A vítima é uma mulher de 45 anos, que teve convulsões logo após fazer um procedimento para correção de papada em um consultório odontológico. Atualmente, ela está internada, em coma, na UTI do Hospital de Base do São José do Rio Preto. A intercorrência aconteceu na manhã de terça-feira (8).

No caso, o trabalho realizado, que resultou no incidente, foi conduzido por uma parente, que é dentista. Segundo relatos, logo após ter saído do consultório odontológico, a mulher passou mal. Em poucas horas, ela sofreu duas paradas cardiorrespiratórias.
Mas esse caso não é isolado. Em setembro, outra denúncia feita pela SBD apresentou casos de pacientes que estão lutando contra sequelas deixadas por procedimentos realizados em consultórios odontológicos.  

Dossiê – Todas as situações – inclusive a mais recente – estão sendo compiladas pela Assessoria Jurídica da SBD para encaminhamento, na forma de um dossiê, ao Ministério Público e ao Judiciário. “Os procuradores e os magistrados precisam agir. Todos os dias somos surpreendidos com situações dramáticas. Pela preservação da vida e da saúde da população, é preciso que as autoridades proíbam que não médicos executem esses atos”, ressaltou Sérgio Palma.

Em seu comunicado público, a SBD, com o apoio do Conselho Federal de Medicina (CFM), afirma que já há percepção de aumento de relatos de dermatologistas sobre atendimentos a pacientes com complicações oriundas de atos realizados por não-médicos. Conforme disse Taciana Dal’Forno Dini, coordenadora do Departamento de Laser e Tecnologias da entidade, os procedimentos da cosmiatria não são isentos de riscos e podem causar complicações.  

Efeitos – Dentre os efeitos adversos possível estão: intoxicações anestésicas, anafilaxia, alergias, manchas, infecções, cicatrizes permanentes, hematomas, cegueira irreversível e acidente vascular cerebral, com risco de morte. É o que tem ocorrido com inúmeros pacientes que têm denunciado os riscos do atendimento feito por não médicos.

Para evitar exposição a estes problemas, o CFM e a SBD recomendam à população que a indicação e a realização de procedimentos dermatológicos ou cosmiátricos invasivos sejam conduzidas apenas por médico, de preferência dermatologista ou cirurgião plástico com título de especialista reconhecido e registrado junto ao Conselho Regional de Medicina (CRM).

Além disso, entre outros pontos, lembram que qualquer procedimento dermatológico ou cosmiátrico invasivo exige a aplicação indispensável de conhecimentos médicos, sobretudo em razão dos riscos e danos (muitas vezes irreparáveis) que lhe são inerentes. “As complicações decorrentes destes procedimentos devem ser avaliadas por médicos, o mais precocemente possível, tanto para o correto diagnóstico e manejo, quanto para a prevenção de sequelas permanentes ou até mesmo da morte”, ressaltou Egon Daxbacher, diretor da SBD.

ALERTA À POPULAÇÃO
Riscos de complicações em procedimentos estéticos invasivos realizados por profissionais não-médicos

        O Conselho Federal de Medicina e a Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD) – entidade com 107 anos de história e que atualmente congrega cerca de mais de 9 mil associados – vêem a público fazer um alerta à população em defesa da vida, saúde e bem-estar.

Atualmente, a dermatologia, dentre as tantas áreas do conhecimento que lhe são pertinentes, tem em seu escopo de atuação a realização de procedimentos no campo da chamada cosmiatria, como peelings, preenchimento, bioestimulação, microagulhamento, toxina botulínica e tratamentos dermatológicos a laser ou por tecnologias.

Ressalte-se que os procedimentos da cosmiatria não são isentos de riscos e podem causar complicações, como: intoxicações anestésicas, anafilaxia e choque anafilático, alergias, manchas, infecções, cicatrizes permanentes, hematomas, edema persistente, nódulos inflamatórios, oclusão arterial aguda seguida de necrose cutânea, cegueira irreversível, acidente vascular cerebral e embolia pulmonar, com risco de morte.

Nesse sentido, para que ocorra o adequado atendimento e sejam reduzidas de modo substancial as possibilidades de surgimento desses efeitos adversos, é importante que os procedimentos sejam realizados por médicos, em especial os dermatologistas, os quais possuem conhecimento aprofundado sobre anatomia humana, fisiologia e pele, além de estarem devidamente preparados para agir em situações de urgência e emergência.

Infelizmente, a SBD e o CFM estão preocupados com a proliferação alarmante da oferta de tratamentos e procedimentos dermatológicos cosmiátricos e invasivos por profissionais não-médicos. Já se percebe o aumento do número de relatos de dermatologistas de atendimentos a pacientes com complicações oriundas de atos realizados por não-médicos.
Assim, comprometida com o bem-estar individual e coletivo, o CFM e a SBD orientam a população que:

1)    A indicação e a realização de procedimentos dermatológicos ou cosmiátricos invasivos devem ser conduzidas apenas por médico, de preferência dermatologista ou cirurgião plástico com título de especialista reconhecido e registrado junto ao Conselho Regional de Medicina (CRM);

2)    Qualquer procedimento dermatológico ou cosmiátrico invasivo exige a aplicação indispensável de conhecimentos médicos, sobretudo em razão dos riscos e danos (muitas vezes irreparáveis) que lhe são inerentes;

3)    As complicações decorrentes destes procedimentos devem ser avaliadas por médicos, o mais precocemente possível, tanto para o correto diagnóstico e manejo, quanto para a prevenção de sequelas permanentes ou até mesmo da morte.

4)    Na esfera jurídica, o CFM, a SBD e outras entidades médicas têm trabalhado para suspender normas administrativas de conselhos de categorias profissionais que promovem uma invasão de competência de atos legais exclusivos da medicina, que é a única profissão que tem outorga em lei para realizar procedimentos de caráter invasivo, inclusive no campo da estética;

5)    No Estado Democrático de Direito, a obediência ao que está previsto em leis, como a do Ato Médico (nº 12.842/2013), é uma regra que deve ser seguida por todos, pois o desrespeito às normas legais pode gerar um contexto de insegurança, colocando patrimônios, princípios e até a vida e a saúde em risco.

Comprometidos com a ética, a justiça, a saúde e a vida, o CFM e a SBD asseguram que continuarão trabalhando junto às autoridades competentes para a adoção das medidas cabíveis para a apuração das condutas que configuram crime de exercício ilegal da medicina.

Rio de Janeiro, 24 de setembro de 2019.

CONSELHO FEDERAL DE MEDICINA
SOCIEDADE BRASILEIRA DE DERMATOLOGIA

 


24 de setembro de 2019 0

A Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD), com o apoio do Conselho Federal de Medicina (CFM), divulgou nesta terça-feira (24), um importante alerta à população em defesa da vida, saúde e bem-estar. O motivo do comunicado público é a preocupação com a proliferação alarmante da oferta de tratamentos e procedimentos dermatológicos cosmiátricos e invasivos por profissionais não médicos.

Leia a íntegra da nota da SBD

Segundo a SBD, esse processo tem gerado insegurança, com a percepção de aumento de relatos de dermatologistas sobre atendimentos a pacientes com complicações oriundas de atos realizados por não médicos. “Nesse sentido, para que sejam reduzidas as chances de efeitos adversos, é importante que os procedimentos sejam realizados por médicos, em especial os dermatologistas, que têm conhecimento sobre anatomia, fisiologia e pele, e estão preparados para agir em situações de urgência e emergência”, destacou a coordenadora do Departamento de Cosmiatria da entidade, Alessandra Romiti.

Cosmiatria – Conforme disse Taciana Dal’Forno Dini, coordenadora do Departamento de Laser e Tecnologias da entidade, os procedimentos da cosmiatria não são isentos de riscos e podem causar complicações. Dentre os efeitos adversos possível estão: intoxicações anestésicas, anafilaxia, alergias, manchas, infecções, cicatrizes permanentes, hematomas, cegueira irreversível e acidente vascular cerebral, com risco de morte. É o que tem ocorrido com inúmeros pacientes que têm denunciado os riscos do atendimento feito por não médicos.

Leia depoimento de paciente com sequelas graves 

Para evitar exposição a estes problemas, a SBD recomenda à população que a indicação e a realização de procedimentos dermatológicos ou cosmiátricos invasivos sejam conduzidas apenas por médico, de preferência dermatologista ou cirurgião plástico com título de especialista reconhecido e registrado junto ao Conselho Regional de Medicina (CRM).

Conhecimentos – Além disso, entre outros pontos, a Sociedade lembra que qualquer procedimento dermatológico ou cosmiátrico invasivo exige a aplicação indispensável de conhecimentos médicos, sobretudo em razão dos riscos e danos (muitas vezes irreparáveis) que lhe são inerentes. “As complicações decorrentes destes procedimentos devem ser avaliadas por médicos, o mais precocemente possível, tanto para o correto diagnóstico e manejo, quanto para a prevenção de sequelas permanentes ou até mesmo da morte”, ressaltou Egon Daxbacher, diretor da SBD.

Por sua vez o presidente da entidade, Sergio Palma, assinala que, juntamente com outras entidades médicas, está sendo travada uma batalha na esfera jurídica para suspender normas administrativas (resoluções) de conselhos de outras categorias profissionais que “promovem uma invasão de competência de atos legais exclusivos da medicina, que é a única profissão que tem outorga em lei para realizar procedimentos de caráter invasivo, inclusive no campo da estética”.

“No Brasil, como Estado Democrático de Direito, a obediência ao que está previsto em leis, como a do Ato Médico (nº 12.842/2013), é uma regra que deve ser seguida por todos, pois o desrespeito às normas legais pode gerar um contexto de insegurança, colocando patrimônios, princípios e até a vida e a saúde em risco”, concluiu.  


Alerta dos dermatologistas à população 

Riscos de complicações em procedimentos estéticos invasivos realizados por profissionais não médicos         

A Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD) – entidade com 107 anos de história e que atualmente congrega mais de 9 mil associados – vem a público fazer um alerta à população em defesa da vida, saúde e bem-estar.

Atualmente, a Dermatologia, dentre as tantas áreas do conhecimento que lhe são pertinentes, tem em seu escopo de atuação a realização de procedimentos no campo da chamada cosmiatria, como peelings, preenchimento, bioestimulação, microagulhamento, toxina botulínica e tratamentos dermatológicos a laser ou por tecnologias.

Ressalte-se que os procedimentos da cosmiatria não são isentos de riscos e podem causar complicações, como: intoxicações anestésicas, anafilaxia e choque anafilático, alergias, manchas, infecções, cicatrizes permanentes, hematomas, edema persistente, nódulos inflamatórios, oclusão arterial aguda seguida de necrose cutânea, cegueira irreversível, acidente vascular cerebral e embolia pulmonar, com risco de morte.

Nesse sentido, para que ocorra o adequado atendimento e sejam reduzidas de modo substancial as possibilidades de surgimento desses efeitos adversos, é importante que os procedimentos sejam realizados por médicos, em especial os dermatologistas, os quais possuem conhecimento aprofundado sobre anatomia humana, fisiologia e pele, além de estarem devidamente preparados para agir em situações de urgência e emergência.

Infelizmente, há quadro grave no País. A SBD está preocupada com a proliferação alarmante da oferta de tratamentos e procedimentos dermatológicos cosmiátricos e invasivos por profissionais não-médicos. Já se percebe o aumento do número de relatos de dermatologistas de atendimentos a pacientes com complicações oriundas de atos realizados por não médicos.

Assim, comprometida com o bem-estar individual e coletivo, a SBD orienta a população que:

1)    A indicação e a realização de procedimentos dermatológicos ou cosmiátricos invasivos devem ser conduzidas apenas por médico, de preferência dermatologista ou cirurgião plástico com título de especialista reconhecido e registrado junto ao Conselho Regional de Medicina (CRM);

2)    Qualquer procedimento dermatológico ou cosmiátrico invasivo exige a aplicação indispensável de conhecimentos médicos, sobretudo em razão dos riscos e danos (muitas vezes irreparáveis) que lhe são inerentes;

3)    As complicações decorrentes destes procedimentos devem ser avaliadas por médicos, o mais precocemente possível, tanto para o correto diagnóstico e manejo, quanto para a prevenção de sequelas permanentes ou até mesmo da morte.

4)    Na esfera jurídica, a SBD – juntamente com outras entidades médicas – tem trabalhado para suspender normas administrativas de conselhos de categorias profissionais que promovem uma invasão de competência de atos legais exclusivos da medicina, que é a única profissão que tem outorga em lei para realizar procedimentos de caráter invasivo, inclusive no campo da estética;

5)    No Estado Democrático de Direito, a obediência ao que está previsto em leis, como a do Ato Médico (nº 12.842/2013), é uma regra que deve ser seguida por todos, pois o desrespeito às normas legais pode gerar um contexto de insegurança, colocando patrimônios, princípios e até a vida e a saúde em risco.

Comprometida com a ética, a justiça, a saúde e a vida, a SBD assegura que continuará trabalhando junto às autoridades competentes para a adoção das medidas cabíveis para a apuração das condutas que configuram crime de exercício ilegal da medicina.

Rio de Janeiro, 24 de setembro de 2019.

SOCIEDADE BRASILEIRA DE DERMATOLOGIA


24 de setembro de 2019 0

O depoimento emocionado de uma jovem pernambucana revela a face perversa de um problema que coloca em risco a vida e a saúde dos brasileiros. Rafaela Cavalcanti, 38 anos, é uma dentista especialista em próteses, que atua no município de Arcoverde (PE). Um dia decidiu corrigir um pequeno defeito no nariz e, como milhões de outras pessoas, seguiu conselhos equivocados e caiu nas garras de uma clínica odontológica que lhe prometeu beleza a baixo custo.

Esse relato, encaminhado à Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD), está sendo compartilhado a pedido de sua autora como forma de alertar outros homens e mulheres. “Pessoas que quiserem fazer algo desse tipo devem procurar médicos capacitados, que estudaram anos para isso e sabem como acolher e orientar o paciente que se coloca sob seus cuidados. Sair dessa zona de conforto é entrar num terreno pantanoso”, disse.

Necrose – Conforme conta Rafaela, o que era sonho virou pesadelo logo após a primeira agulhada. O preenchimento com ácido hialurônico gerou uma forte reação que levou à necrose do nariz. O procedimento virou caso de polícia, inclusive com duas perícias no Instituto Médico Legal (IML), que acusaram a irreversibilidade das lesões. Como disse a jovem, “Se pudesse voltar no tempo, não tomaria as decisões que tomei. Mas como não posso mudar a realidade, vou lutar para que outros sonhos não se tornem pesadelos”.

A história de Rafaela chegou à SBD por meio do seu presidente Sérgio Palma e da dermatologista Gleyce Fortaleza, conterrâneos da vítima que a têm ajudado desde que ela procurou orientação médica para tratar das sequelas que carrega. “Amigos, é preciso coragem para vir a público contar minha história. Como sou dentista por profissão, há aqueles que dizem que estou sujando a imagem de minha própria classe. Não penso assim: minha preocupação é que se nada for dito, outras pessoas poderão passar pelo mesmo que eu”.

Na avaliação de Sergio Palma, o exemplo e a coragem de Rafaela podem, sim, ser úteis para evitar que outras pessoas tomem o mesmo caminho. “A SBD convida todos a ler e a divulgar o depoimento dessa jovem. Ainda me emociono ao saber pelo que ela passou. Afinal, são situações assim que demonstram a importância de que cuidados estéticos invasivos e dermatológicos sejam realizados por um dermatologista, o profissional preparado para executá-los”, ressaltou.

Depoimento de Rafaela Cavalcanti 

“Nunca pensei em minha vida que passaria pelo que estou passando. Nesse ano, decidi fazer um procedimento estético para melhorar minha aparência, um pequeno ajuste no nariz. Coisa de menina. Infelizmente, fui mal orientada e aceitei me colocar nas mãos de uma clínica odontológica que me prometeu o resultado que eu sonhava.

Logo após a aplicação, a dor e o incomodo insuportáveis me mostravam que tinha entrado pelo caminho errado. O sonho virou um drama, já com duas perícias no IML. Tive necrose no nariz e vou levar cicatrizes para o resto da vida, sendo que serão necessárias muitas sessões com um bom dermatologista e um terapeuta para reduzir as lesões irreversíveis que ficaram no corpo e na alma.

Ainda bem que encontrei amparo na doutora Gleyce Fortaleza, dermatologista que me tem ajudado desde que os primeiros problemas surgiram e continua ao meu lado. Ela é um anjo que Deus colocou na minha vida: levanta sempre minha cabeça, me mostrando que o caminho é longo, mas que sempre existe uma saída e um motivo para estarmos gratos. Nunca vou esquecer da sua frase meus ouvidos, ainda numa maca de hospital: ‘calma, bebê, a pele é grata’.

Amigos, é preciso coragem para vir a público contar minha história. Como sou dentista por profissão, há aqueles que dizem que estou sujando a imagem de minha própria classe. Não penso assim: minha preocupação é que se nada for dito, outras pessoas poderão passar pelo mesmo que eu. Essa é a razão de minha luta. Pessoas que quiserem fazer algo desse tipo devem procurar médicos capacitados, que estudaram anos para isso e sabem como acolher e orientar o paciente que se coloca sob seus cuidados.

Sair dessa zona de conforto é entrar num terreno pantanoso. Se pudesse voltar no tempo, não tomaria as decisões que tomei. Mas como não posso mudar a realidade, vou lutar para que outros sonhos não se tornem pesadelos”. Rafaela Cavalcanti Dentista, 38 anos, vítima da harmonização facial feita por pessoas sem qualificação profissional.


23 de setembro de 2019 0

Você sabia que 23 de setembro é o Dia de Conscientização da Dermatite Atópica? A data foi estabelecida pela Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD) e pela Associação Brasileira de Alergia e Imunologia (ASBAI) em 2017. Dois anos depois, a importância de aumentar o conhecimento acerca das causas e dos sintomas dessa doença continua a mesma.

"Trata-se de uma doença inflamatória crônica de pele, caracterizada por crises de coceira que leva a lesões, eczemas e pele extremamente ressecada. Ela costuma aparecer em áreas especificas de acordo com cada fase da doença. Em crianças, é mais frequente em dobras e nos cotovelos", comenta a doutora Clarissa Prati, colaboradora do Departamento de Dermatologia Pediátrica da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD). 

A dermatite é geneticamente determinada, mas o que define os períodos de crise são os desencadeantes externos, uma vez que o sistema imune é hiper-reativo a eles. "Alguns exemplos desses estímulos em bebês e crianças são: polén, mofo, ácaro, derivados do sabão, amaciantes e certas fragrâncias. A questão emocional também é imporante, pois o processo inflamatório também é prejudicado em períodos de tristeza e de estresse", explica Clarissa.

É importante que os sintomas da doença não se tornem um ciclo vicioso. "Muitas vezes, a crise é desencadeada em períodos em que a criança está muito empolgada, ansiosa ou incomodada com algum colega. Então, ela começa a coçar muito a região, coloca a unha, cria feridas que podem inflamar. Ao chegar na escola, é comum que as outras ciranças olhem feio e tenham nojo das feridas e que os professores tratem como uma doença contagiosa. O quadro completo acaba por causar mais estresse e piora as feridas", adverte a doutora. 

Para evitar que a dermatite chegue neste estágio é preciso previnir que a pele resseque muito e garantir o equilíbrio emocional. "O ideal é manter a pele sempre muito hidratada, até nos bebês. Os banhos quentes também ressacam a pele, então, prefira manter a água em temperatura morna, sabão que não seja adistringente e evite o vento muito gelado", afirma. 

Para tratar a dermatite em bebês e crianças é importante investigar as causas que estão agindo como desencadeantes das crises; desde a alimentação, até os hábitos de limpeza, de autocuidado com a pele e as questões emocionais. "Além disso, é fundamental conscientizar a família, os colegas da escola e os professores a respeito da doença. Quanto mais pessoas falarem a respeito e souberem das causas e dos sintomas, menos crianças sofrerão bullying, e redução da auto-estima e exclusão, por conta das feridas vermelhas e expostas na pele", afirma a especialista.

É preciso alertar as pessoas de que a dermatite atópica não é contagiosa. "Tratar a doença com repulsa deixa os pacientes mais tristes, reprimidos, nervosos e ansiosos o que piora o quadro de irritação". diz. 

Fonte: Crescer


20 de setembro de 2019 0

Um alerta para os riscos dos procedimentos de harmonização facial realizados por odontólogos deixou o País chocado nesta sexta-feira (20). Em reportagem, o programa Bom Dia Brasil (TV Globo) mostrou o drama de duas mulheres jovens que, atraídas por promessas de alguns profissionais não-médicos, aceitaram se submeter a tratamentos que deixaram sequelas profundas em seus rostos. Essas histórias emolduraram denúncia feita pela Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD), preocupada com os riscos à saúde da população.

O dermatologista Egon Daxbacher, diretor da SBD, afirmou que esses procedimentos estéticos invasivos devem e só podem ser realizados por médicos, pela Lei do Ato Médico. Segundo relatou, é necessário conhecimento aprofundado sobre pele e tecidos, pois preenchimentos faciais são atos com riscos possíveis.

“Você –  dermatologista – está ultrapassando camadas da pele até a gordura, chegando até próximo do osso, injetando algum tipo de substância que não é própria do organismo”, afirmou Daxbacher, que destacou, ainda, o fato de que se houver alguma intercorrência, é o médico que terá condições de agir em situação de emergência, garantindo a vida do paciente.

Efeitos colaterais – Nos procedimentos apresentados pelo Bom Dia Brasil, as pacientes, que atualmente buscam sua recuperação com a ajuda de dermatologistas, fizeram aplicações com ácido hialurônico, um gel que ameniza a perda de volume da pele. O resultado foram efeitos colaterais graves: uma delas sofreu uma necrose no nariz e a outra ficou com rosto deformado.

“Não é adequado achar que é um procedimento simples e que pode ser feito em qualquer lugar. É importante fazer em ambiente seguro, em um consultório médico, e de preferência com um profissional completamente habilitado para fazer o procedimento”, afirmou o médico André Maranhão, da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP), também ouvido pela reportagem.

O presidente da SBD, Sergio Palma, espera que o alerta ajude a esclarecer a população sobre os riscos aos quais muitos se submetem. Na sua avaliação, com promessas de resultados e ofertas de valores baixos, alguns profissionais arrebanham interessados em fazer procedimentos estéticos.

“O problema é que essas pessoas não têm conhecimento e nem capacitação para diagnosticar e manejar as complicações graves que estes procedimentos estéticos invasivos podem acarretar, como necroses, cicatrizes, embolia e infecções”, pontua.  Segundo ele, os dermatologistas passam por um treinamento que pode levar até nove anos para ser concluído. “Não é um curso de fim de semana ou de poucos dias que substituirá esse preparo. Além disso, algumas complicações necessitam de atendimento médico de urgência, diagnóstico imediato e tratamento com medicações injetáveis”, ressaltou.

Justiça  Além da denúncia na imprensa, a SBD, juntamente com o Conselho Federal de Medicina (CFM), a Associação Médica Brasileira (AMB) e a Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP), também está atuando no campo jurídico contra os abusos cometidos, em especial por parte dos dentistas.

Em fevereiro, as entidades protocolaram na Justiça Federal uma ação civil pública contra o Conselho Federal de Odontologia (CFO) que, contrariando a legislação, editou Resolução para os profissionais de sua área, autorizando-os a realizarem procedimentos de caráter invasivo e estético que são exclusivos dos médicos.

Diante dos excessos administrativos e dos riscos inerentes, as entidades médicas pediram à Justiça Federal a concessão de liminar com a suspensão imediata da Resolução nº 198/2019, do CFO, com informe da decisão à população por meio de publicação no Diário Oficial da União e informes no site do Conselho Federal de Odontologia e junto à imprensa.

Em 29 de janeiro, a Resolução nº 198/2019, do CFO, reconheceu a harmonização orofacial como especialidade odontológica, permitindo aos dentistas o uso da toxina botulínica e de preenchedores faciais na região orofacial e em áreas anexas, bem como a realização de procedimentos com vistas a “harmonizar os terços superior, médio e inferior da face”.

No entendimento da SBD e das outras entidades médicas, essa é mais uma tentativa de ampliar irregularmente o escopo de atuação de dentistas, invadindo a esfera de atuação exclusiva dos médicos, segundo disposições expressas da Lei do Ato Médico (nº 12.842/2013), o que pode causar um prejuízo considerável à saúde da população a longo prazo e aumento de custo no atendimento destas complicações no Sistema Único de Saúde (SUS).

“Infelizmente, há categorias profissionais da área da saúde que tentam extrapolar suas atribuições e praticar atos exclusivos aos médicos, com o intuito de se beneficiarem da demanda da sociedade por procedimentos estéticos. No entanto, ignoram o potencial risco de causar sérios danos irreversíveis aos pacientes ou até a morte, como já vimos recentemente no Brasil”, afirmou o presidente da SBD, Sérgio Palma.

Abusos – Na ação civil pública, as entidades descrevem o abuso praticado pelo CFO, inclusive ressaltando a impossibilidade de alteração de escopo de atuação profissional por decisão administrativa e sem respaldo da legislação que regula a atividade. A Resolução CFO n. 198/2019 destoa expressamente da Lei nº 5081/66, que estabelece os limites de atuação dos dentistas, com consequente desvirtuamento completo da atuação desses profissionais, trazendo prejuízo à saúde da população como um todo.

De acordo com a Lei dos Dentistas, em nenhum momento (salvo autópsia/necrópsia) se permite a realização de atos na face, pescoço e cabeça, tampouco se outorga ao cirurgião dentista a prática de atos invasivos em tais partes do corpo, já que tais atos são praticados exclusivamente por médicos, na forma da Lei n. 12.842/2013, pois demandam perícia profissional e possuem potencial de complicações clínicas.


16 de setembro de 2019 0

Na fase avançada e metastática da doença, o câncer melanoma causou a morte de Roberto Leal, cantor português, de 67 anos. Com pesar, a Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD) lamenta a perda e faz um alerta: o câncer de pele não deve ser subestimado. Se diagnosticado e tratado precocemente, o melanoma não provoca metástases e tem enormes chances de cura.

Segundo o dermatologista Elimar Gomes, coordenador da Campanha do Câncer de Pele da SBD, “o melanoma não é o tipo mais comum de câncer da pele mas, sua alta capacidade de se espalhar para outros órgãos, determina casos graves e letais”, enfatiza o médico. Os fatores de risco para a doença são: pele clara, exposição exagerada ao sol, pintas que mudam de cor, forma e tamanho e outros casos da doença na família. “O mais comum é o aparecimento do melanoma em qualquer lugar da pele humana, incluindo unhas e couro cabeludo; mas esse tumor também pode surgir nas mucosas, olhos e sistema nervoso central”, disse Elimar.

De acordo com o Instituto Nacional do Câncer (Inca), 30% de todos os tumores malignos do Brasil correspondem ao câncer da pele, o que mais acomete o ser humano. Para o biênio 2018/2019, a estimativa é que o número de câncer da pele não melanoma seja de 165.580 mil novos casos e de câncer melanoma, estimam-se 6.260 casos. “Temos um problema de saúde pública e a SBD transformou esse problema numa causa: a luta contra o câncer da pele através do Dezembro Laranja, mês de conscientização sobre a doença, explica Dr. Sergio Palma, presidente da instituição. Segundo ele, “um país com menos casos de câncer da pele é uma meta alcançável e a Sociedade Brasileira de Dermatologia está comprometida em reduzir sua incidência e mortalidade”. 

Sobre o câncer da pele

O câncer da pele é provocado pelo crescimento anormal das células que compõem a pele. Existem diferentes tipos de câncer da pele que podem se manifestar de formas distintas, sendo os mais comuns denominados carcinoma basocelular e carcinoma espinocelular – chamados de câncer não melanoma – e que apresentam altos percentuais de cura se diagnosticados e tratados precocemente. Um terceiro tipo, o melanoma, apesar de não ser o tipo de câncer da pele mais incidente, é o mais agressivo e potencialmente letal. Quando descoberto no início, a doença tem mais de 90% de chance de cura.

“Em todos os tipos, a exposição excessiva e sem proteção ao sol é o principal fator de risco que pode ser prevenido para o câncer da pele, que  pode se manifestar como uma pinta ou mancha, geralmente acastanhada ou enegrecida; como uma pápula ou nódulo avermelhado, cor da pele e perolado (brilhoso); ou como uma ferida que não cicatriza”, diz Jade Cury Martins, coordenadora do Departamento de Oncologia Cutânea da SBD.

Por isso, a Sociedade Brasileira de Dermatologia orienta que as pessoas se examinem com periodicidade, consultando um dermatologista em caso de suspeita. Também é importante que se examine familiares, pois muitas vezes os cânceres podem aparecer em regiões que não é possível ver sozinho. Ao se expor ao sol, é importante que as áreas descobertas estejam protegidas, mesmo em dias frios e nublados.

A SBD também lembra que a melhor forma de evitar a doença é a prevenção! Vale reforçar que o autoexame não substitui a consulta ao dermatologista da Instituição. Encontre um dermatologista associado à SBD aqui no site.

Fique atento aos  #sinaisdocancerdepele  e participe do #dezembrolaranja.  


Recomendações do Consenso Brasileiro de Fotoproteção – medidas gerais 

1. Não existe medida fotoprotetora que, isoladamente, garanta uma fotoproteção adequada; por isso, a SBD recomenda a combinação do maior número possível de medidas como a estratégia mais correta; 

2. Em todas as condições, a SBD não recomenda a exposição ao sol no período entre 10 e 16 horas (considerar o horário de verão quando necessário). A depender da época do ano (verão) e da localidade da exposição, deve-se considerar um período ainda maior de restrição ao sol; 

3. O uso de roupas e chapéus ou bonés deve sempre ser estimulado;

4. O uso de óculos de sol é recomendado para a prevenção do dano solar nos olhos; 

5. A utilização de sombras naturais (cobertura de árvores) ou artificiais (guarda-sóis, tendas, coberturas de edificações ou outras) é sempre medida adicional a ser orientada;

6. O uso correto do protetor solar, FPS mínimo de 30, é uma medida essencial e sua seleção e orientação de uso são responsabilidades do dermatologista.

Foto: G1


11 de setembro de 2019 0

Nesta quarta-feira (11/9) começa o 74º Congresso Brasileiro de Dermatologia, no Centro de Convenções Windsor Oceânico, no Rio de Janeiro. Serão realizados centenas de atividades científicas, sendo 16 cursos práticos, 10 cursos teóricos, 6 cursos teórico-práticos, 47 simpósios, 10 palestras magistrais, além de sessões especiais, temas em destaque e mesas redondas. Estão sendo esperados aproximadamente 4 mil participantes.

A equipe de comunicação acompanhará toda a movimentação durante os quatro dias do evento e publicará matérias aqui no site e nas redes sociais da entidade sobre os principais assuntos abordados pelos congressistas, bem como divulgação de resoluções administrativas, incluindo as de valorização profissional.

Para conferir a programação completa, acesse aqui ou faça o download do aplicativo "SBD Eventos" pela Play Store (Android) e Apple Store (iOS).

Informações gerais

– A secretaria está aberta das 7h às 18h no primeiro dia do congresso (11/9). Nos demais dias (12 a 14/9), as atividades começam das 8h às 18h. 

— A cerimônia de abertura ocorre no dia 11 de setembro, às 17h30, no 2º andar do Windsor Barra. Na sexta-feira (13/9) haverá shows de Latino e Ludmilla no Pier Mauá (Av. Rodrigues Alves, 10). Este evento sociocultural acontecerá a partir das 21h. 

– No último dia de evento, 14, sábado, será realizada a Assembleia a partir das 11h, na sala Oceânico 13, localizada no 3º andar do Windsor Oceânico (Rua Martinho de Mesquita, 129 – Barra da Tijuca). O encerramento do congresso acontece no mesmo dia, a partir de 15h30.

–  Um serviço de transfer funcionará durante todo o Congresso. As rotas farão o trajeto diário dos hotéis oficiais, estação do metrô Jardim Oceânico e Niterói para o Centro de Convenções (ida e volta). Também haverá transporte para o evento sociocultural. 

– No estande da SBD, situado no 3º andar do Windsor Oceânico, é possível acompanhar as próximas atividades científicas da sociedade e encontrar seus colegas. No local, o congressista também pode esclarecer dúvidas sobre os principais serviços prestados pela Biblioteca da SBD.

– A praça de alimentação, localizada no 1º andar do Hotel Windsor Barra, funcionará diariamente (11 a 14/9), das 11h às 18h, e contará com opções variadas de comidinhas a preços acessíveis para passar o dia no evento. Confira as opções no local e desfrute do ambiente!

A SBD dá boas-vindas a todas e todos que participarão de mais um Congresso da Dermatologia Nacional!

 

 


14 de agosto de 2019 0

A campanha "Vitiligo na luta contra o preconceito" da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD) em parceria com a agência Approach Comunicação ganhou medalha de bronze na 16ª edição do Annual International Business Awards, realizado pelo The Stevie Awards, uma das principais premiações empresariais que abrange o mundo inteiro. Os vencedores foram selecionados entre 4 mil indicações recebidas de organizações de 74 países. 

Em documentário, a modelo e universitária Eliane Medeiros, participante da campanha, falou sobre como superou o preconceito, passando a se aceitar com suas manchas.

"Fico feliz demais por ter feito parte da campanha. Foi uma experiência incrível compartilhar minha experiência de vida com vocês", disse.

Conheça os resultados da campanha de vitiligo: https://bit.ly/31FS238.
 


7 de agosto de 2019 0

Jornal Extra – RJ – 07/08/2019

 As manchas nos mãos de Silvio Santos charnaram atenção da plateia e dos telespectadores de seu programa. O apresentador fez aquestáo de dizer que as marcas arroxeadas apareciam e sumiam, e que seu médico o explicou que elas surgem por conta da idade. O empresário tern 88 anos. Os dois fatores são os principais sintomas da púrpura senil. 

"São hematomas causadas pelo extravasamento sanguíneo. Com o processo de envelhecimento, nossa pele fica muito fina por causa da perda de colágeno, assim como as paredes dos vasos sanguíneos. Portanto, qualquer trauma, por menor que seja, pode provocar o rompimento desses vasos sanguíneos e o aparecimento das manchas vermelho-arroxeada", explica a dermatologista Ana Carolina Sumam.

As manchas somem porque o sangue é reabsorvido pelo organismo, como ocorre com qualquer hematoma. Quanto mais idosa for a pessoa, maior a chance de as manchas surgirem. 

"Outro fator que aumenta o risco da púrpura senil é o uso de medicamentos como os anticoagulantes (indicados a pessoas que já sofreram AVC, enfarte ou formação de trombos) que deixam o sangue mais fluido e dificulta a coagulação. Os corticoides também aumentam a fragilidade das artérias, facilitando as sangramentos", detalha Luiz Gameiro, coordenador do Departamento de Dermatologia Geriátrica da Sociedade Brasileira de Dermatologia. De acordo com Gameiro, as manchas não são preocupantes para a saúde afetam apenas a questão estética.

Mas é preciso tomar cuidado para não machucar a região onde está o hematoma, pois ferida tem risco de infecção e pode ser um problema a mais para diabéticos. 

 

 


29 de julho de 2019 0

A campanha pelo uso de protetor solar ganhou força nos últimos 30 anos e mobilizou a comunidade médica de dezenas de países. Além de evitar queimaduras solares e o surgimento de manchas cutâneas, o produto é recomendado por dermatologistas na prevenção do câncer de pele.

Embora ele seja a melhor forma de evitar certos tipos da doença, sua real eficácia ainda é debatida pela comunidade científica.

Especialistas não determinaram qual a quantidade e a frequência ideais para usá-lo. Em relação à segurança, também não há consenso sobre a formulação mais adequada, a mais segura para o organismo – já que os componentes são absorvidos pela pele – e a composição menos poluente ao meio ambiente.

A discussão segue em meio à disseminação de notícias falsas sobre supostos riscos ao usá-lo, um problema a mais a desafiar os órgãos de saúde pública.

O alerta dos EUA e as notícias falsas

No fim de maio de 2019, a Sociedade Brasileira de Dermatologia divulgou nota rebatendo uma avalanche de notícias falsas sobre o potencial tóxico no uso de filtros solares.

Os rumores foram provocados pela divulgação de um estudo organizado pela Food and Drug Administration (FDA), agência ligada ao governo americano que regulamenta a indústria farmacêutica e de alimentos.

Nele, os cientistas analisaram o plasma sanguíneo de 24 pessoas, usuárias frequentes de quatro marcas comerciais de protetor solar. O exame detectou presença considerável, bem acima dos níveis considerados saudáveis, de quatro ingredientes ativos: avobenzona, octocrileno, ecamsule e oxibenzona.

Os autores do artigo ainda não sabem o que o achado representa – a absorção dessas substâncias era comum e esperada. Entretanto, no documento, a FDA recomendou que a comunidade científica conduzisse testes adicionais para entender as consequências disso.

A orientação do órgão foi suficiente para gerar um sinal de alerta e provocar um efeito cascata de notícias falsas, disseminadas pelas redes sociais, sobre o perigo de usar filtro solar, em vários países e também no Brasil.

Na resposta, a Sociedade Brasileira de Dermatologia afirmou que acompanha atentamente o resultado dos estudos com filtros solares e que a pesquisa tocada pela FDA não altera, por ora, as recomendações de uso dos filtros solares registrados pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), agência equivalente à FDA no Brasil.

Ressaltou ainda que o experimento da FDA foi realizado com aplicações de grandes quantidades de filtro solar, em 75% da superfície da pele, e reaplicações quatro vezes ao dia, por quatro dias.

"Esses elementos certamente contribuem para uma maior absorção de qualquer substância testada e não representam o uso cotidiano de filtros solares pela população." A oxibenzona, por exemplo, tem sido cada vez menos usada nos protetores fabricados no Brasil.

Apesar do esclarecimento do órgão, o debate sobre o uso de protetores solares não deve esfriar tão cedo. Segundo a própria comunidade científica, o "uso cotidiano de filtros solares" está longe do ideal. A recomendação é que se aplique mais protetor e mais vezes ao dia. Significa dizer que o experimento replica o uso mais indicado pelos médicos para os filtros solares.

Além desse impasse, outro artigo científico, publicado no periódico acadêmico Journal of the American Academy of Dermatology, em fevereiro, questionou o real efeito do uso de filtro solar na redução dos casos de câncer de pele nos Estados Unidos.

O que a pesquisa concluiu

Na análise conduzida por Reid A. Waldman e Jane M. Grant-Kels, do Departamento de Dermatologia da Universidade de Connecticut, nos Estados Unidos, os autores esclarecem que, apesar de protetores solares serem recomendados com vigor pela comunidade médica americana, apenas quatro estudos foram feitos nos últimos 40 anos sobre o tema, e nenhum deles investigou a fundo a eficácia do produto em indivíduos saudáveis.

A pesquisa encontrou, sim, evidências sólidas de que o protetor solar previne o carcinoma de células escamosas. Entretanto, não há prova de que ocorra o mesmo com os carcinomas basocelulares, que são a forma mais comum de câncer de pele, provavelmente porque esses cânceres se desenvolvem muito devagar para que os estudos detectem uma tendência de queda.

O único estudo que investigou o uso de filtro solar para evitar melanoma, a forma mais agressiva de câncer de pele, não obteve resultado satisfatório.

Indivíduos que usaram protetor solar diariamente, ao longo de quatro anos, tiveram 1,5% de chance de desenvolver melanoma dez anos depois, comparado a 3%, entre pessoas que não aplicavam protetor solar com frequência ou do modo correto. Para os autores do artigo, a redução não tem significado estatístico.

Ouvido pela BBC News Brasil, o dermatologista Sérgio Schalka, referência nacional em fotoproteção, afirma que há um problema nos protetores solares americanos, o que pode explicar em parte a dificuldade de determinar a eficácia dos filtros fabricados ali.

"Há uma disputa entre a sociedade médica americana e a FDA, que demora muito para regulamentar novos filtros e não avalia os que já estão no mercado. No Brasil, a regulamentação segue mais as diretrizes dos órgãos de saúde europeus."

Schalka diz que o desafio, agora, é conduzir estudos de longo prazo para estabelecer de fato o que faz um protetor solar.

"É complexo, porque precisamos ter sempre um grupo controle, que nesse caso não pode ficar sem usar nada de filtro solar por causa dos riscos, seria antiético. Só a Austrália fez algo massivo, com uma pesquisa conduzida por Adele Green. É o estudo mais importante que temos, envolveu milhares de pessoas. E ele comprova a eficácia dos protetores solares australianos: entre a população que fazia uso constante de filtro solar, o número de casos de melanoma caiu pela metade."

Jade Cury Martins, coordenadora do departamento de Oncologia da Sociedade Brasileira de Dermatologia, afirma que tanto o estudo da FDA quanto o dos dermatologistas da Universidade de Connecticut fazem uma crítica adequada às metodologias usadas nos estudos anteriores, dentro da realidade americana.

"É verdade que ainda existem controvérsias sobre o uso do protetor solar. Uma delas é exatamente sobre a absorção das substâncias pela pele, e se isso teria algum impacto ou toxicidade para nosso organismo. Outra controvérsia seria o efeito hormonal do uso frequente de protetores. A questão da vitamina D também é muito debatida pelos médicos: usar filtro solar reduz a síntese da substância, que é fundamental na absorção de cálcio pelo organismo e na formação e recuperação de tecido ósseo. Nesse último caso, temos a opção de receitar vitamina D quando há deficiência, mas todas as questões que descrevi permanecem em aberto", afirma a especialista.

Martins argumenta que o câncer é uma doença multifatorial e complexa, "mas é importante dizer que o estudo sobre a eficácia conclui de modo muito assertivo que o uso de protetor solar deve ser encorajado, apesar da carência de evidências. Estudos prospectivos de longo prazo são sempre necessários".

Os tipos de câncer de pele

O câncer de pele é o tumor maligno mais frequente no Brasil: corresponde a cerca de 30% de todos os casos de câncer registrados no país. A doença é dividida em dois grupos principais: melanomas e não melanomas. Os não melanomas são o tipo mais comum (cerca de 90% dos casos) e apresentam alto percentual de cura, se forem detectados e tratados precocemente. Carcinoma basocelular – o mais comum e também o menos agressivo – e carcinoma espinocelular (ou epidermoide) são variações dentro desse grupo.

Os melanomas representam apenas 3% das neoplasias malignas da pele. No entanto, são o tipo mais grave da doença, devido à probabilidade de provocarem metástase (disseminação do câncer para outros órgãos do corpo).

A relação entre o sol e o câncer de pele

É consenso entre especialistas que, em excesso, a radiação ultravioleta (UV) emitida pelo sol provoca reações cutâneas e em nossos olhos.

São três os tipos de radiação ultravioleta: UVA, UVB e UVC. Tanto a UVA quanto a UVB têm potencial de penetrar a pele, danificar o DNA das células e favorecer o surgimento do câncer. Além disso, a UVB provoca vermelhidão, queimaduras e sensação de ardência. A UVC não penetra a atmosfera da Terra: é absorvida antes pela camada de ozônio.

A exposição à luz do Sol causa ainda enrugamento e manchas escuras na pele, o lentigo, muito comuns em pessoas acima dos 50 anos. A luz solar agride os olhos e pode provocar catarata.

Mas câncer é uma doença complexa, em que participam componentes genéticos e ambientais. "Outros fatores de risco incluem a cor da pele, ter cabelos e olhos claros ou ruivos, ter recebido radiação ionizante na pele (radioterapia, por exemplo), ter histórico familiar… No caso do melanoma, há ainda predisposições genéticas", afirma Martins.

A origem dos filtros solares

Segundo o livro The History of Sunscreen (a história do protetor solar, em tradução livre), de Adam S. Aldahan, os egípcios foram os primeiros a fabricar protetores solares. Eles usavam ingredientes como farelo de arroz, jasmim e tremoço para as pastas que protegiam a epiderme, a camada mais superficial da pele.

Embora não compreendessem os efeitos nocivos do sol, entenderam o conceito de bronzeamento. Em uma cultura em que a pele mais clara era mais desejável, o propósito do filtro solar entre os egípcios era unicamente cosmético.

"Só recentemente foi descoberto que o farelo de arroz absorve a radiação ultravioleta, que o jasmim ajuda a reparar o DNA e que o tremoço 'ilumina' a pele", explica o autor no livro.

Outras culturas também fabricavam cosméticos – os dos gregos antigos tinham como base o azeite. Algumas tribos nativas americanas se besuntavam com um uma pasta feita da planta Tsuga canadensis, a cicuta canadense, que tem efeito calmante em queimaduras solares.

O que o protetor solar faz

Quando bem utilizados, os filtros solares evitam as queimaduras que podem levar ao surgimento de alguns tipos de melanoma.

O filtro solar é eficaz em prevenir os danos cutâneos causados pela radiação UVB, tanto agudos (queimaduras solares) quanto crônicos – como manchas, fotoenvelhecimento e câncer de pele. Também é eficaz para doenças que são pioradas pelos raios UV, como é o caso do lúpus eritematoso.

Pelas normas da Anvisa, todos os filtros devem ter um fator de proteção UVA de ao menos 1/3 do valor da proteção UVB – o FPS que vemos no rótulo deve ser, de preferência, 30 ou maior. Eles devem ser aplicados de 15 a 30 minutos antes da exposição ao Sol, e serem reaplicados regularmente, a cada duas ou três horas.

O maior erro de quem usa protetor solar está na quantidade de filtro aplicada: a maioria das pessoas usa menos do que deveria. O Consenso Brasileiro de Fotoproteção, documento assinado pelos conselhos de dermatologistas do país, criou em 2013 a "regra da colher de chá", que determina a proporção ideal de fotoprotetor para cada parte do corpo. Rosto, cabeça e pescoço devem receber uma colher de chá de filtro solar cada um. Torso e costas, duas colheres de chá cada.

E a vitamina A?

Também alardeada como prejudicial à pele, a vitamina A presente na formulação de alguns protetores solares não causa câncer. O que acontece é que o retinol, produto derivado da substância e presente nesses produtos, estimula a regeneração celular, mas em geral protetores com retinol devem ser usados depois do entardecer, porque com o aquecimento da pele pode causar irritação.

A regra geral indica que filtros orgânicos, ou de base química, absorvem a radiação. Os inorgânicos ou minerais, também chamados de bloqueadores solares, refletem a radiação. Hoje, se sabe que os inorgânicos também absorvem os raios UV.

"Os dois possuem vantagens. Mas o filtro solar inorgânico causa menos dermatite de contato. Por isso, é o tipo de produto recomendado para uso em bebês com mais de seis meses, pois há menor risco de sensibilização", explica Martins.

Tatiana Araújo Batista tem trabalhado com a produção de filtros solares inorgânicos biocompatíveis, que levam compostos como hidroxiapatita e fosfato tricálcio. "São substâncias que existem naturalmente nos ossos e dentes, ou seja, materiais compatíveis com o tecido humano. Além de não causarem alergias, descartariam o risco de desenvolver outros tipos de câncer."

Fonte: BBC Brasil





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