Aprendizado médico a distância




29 de junho de 2011 0

Os prós e contras dos cursos remotos na área médica e sua aceitação pelos profissionais

Duas forças opostas tornam a rotina do médico particularmente difícil. De um lado, o dia a dia sempre atribulado por ter de se dividir entre o consultório, o hospital e as viagens a congressos. De outro, a necessidade de especialização constante e domínio de um conhecimento que cresce exponencialmente a cada mês. A equação não tem solução fácil, mas um aliado parece ter chegado para ficar – os cursos médicos à distância. “Na minha concepção, esse tipo de curso será cada vez mais rotineiro em praticamente todas as áreas médicas. Hoje, as informações são muito numerosas e a forma de adquiri-las ou reportá-las ganha cada vez mais uma maior dinamicidade. Esta forma de aprendizado já faz parte do dia a dia do profissional de saúde atualizado e reciclado”, diz o dermatologista Jayme de Oliveira Filho, coordenador do Departamento de Teledermatologia da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD).

Dados comprovam a avaliação do Dr. Jayme. O ensino a distância (EAD) no Brasil dobra a cada ano. De acordo com Richard Vasconcelos, diretor da ME Digital, empresa especializada nesta modalidade de ensino, 14% dos alunos de ensino superior no país estão matriculados em cursos online. Em números absolutos, são quase 1 milhão de estudantes. Embora o ensino de especialização não tenha dados precisos sobre sua expansão nos últimos anos, Vasconcelos afirma que o crescimento segue pelo mesmo caminho. Um indicativo é adoção por grandes universidades como a USP, Unicamp, UFRGS, entre outras, de tecnologias para ensino online. A facilidade de ministrar aulas remotas permite que pesquisadores consagrados se engajem nesta modalidade e aumentem o apelo por este tipo de curso. Mestre em Tecnologias Digitais pela Oxford University, da Inglaterra, Vasconcelos destaca que médicos distantes dos grandes centros urbanos são os grandes beneficiados. “Antes da popularização do EAD, o médico tinha de pedir licença do trabalho, mudar-se para uma das capitais e fazer o curso. Hoje, ele não precisa sair de casa ou do consultório”. Para quem mora nos grandes certos urbanos, a opção por cursos remotos também pode ser uma forma de poupar o tempo perdido no trânsito.

Mas a Medicina tem particularidades que forçam a necessidade da aprendizagem no modo convencional. Dr. Jayme recomenda que o dermatologista escolha o curso em que o prejuízo de não assistir a uma aula ao vivo seja o menor possível. “Cursos com pacientes ao vivo ainda são um pouco prejudicados, quando comparados com cursos que tenham a presença do médico no local. Mas os questionamentos com testes, hipóteses diagnósticas e detalhamento de exames laboratoriais de fato enriquecem, e muito, o aprendizado do aluno interessado”, detalha. Em muitos casos, os cursos online também mesclam uma parte das aulas no modo presencial para compensar uma eventual perda de conteúdo. Essa medida é especialmente útil para reduzir o impacto de um dos pontos fracos dos curs…


21 de junho de 2011 0

Recentemente, a Food and Drug Administration (FDA), agência norte americana reguladora de medicamentos e alimentos, estabeleceu novas regras para rótulos de filtros solares. Expressões como ‘bloqueador solar’ e ‘à prova dágua’ não poderão mais ser usadas. Para entender o motivo dessas mudanças, que, segundo os entrevistados, devem chegar ao Brasil ainda em 2011, o Minha Vida conversou com especialistas da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SDB).

Afinal, filtros solares realmente têm a capacidade de bloquear todos os efeitos do sol? Eles permanecem no corpo mesmo em contato com a água? Quanto maior o fator de proteção solar (FPS), mais duradouros os seus efeitos? Descubra!

FPS mínimo
O FPS de um filtro solar serve de parâmetro para avaliar a capacidade de proteção que ele oferece contra os raios UVB, que são mais superficiais que os raios UVA e causadores de câncer, vermelhidão e queimaduras. Até o momento, especialistas não entraram em consenso sobre como calcular a eficácia do produto contra a radiação UVA.

Por esse motivo, a dermatologista especializada em câncer de pele Márcia Purccelli, do Hospital Albert Einstein e membro efetivo da SBD, afirma que ‘nenhum filtro solar oferece 100% de proteção’. Assim, fica fácil entender porque o termo ‘bloqueador solar’ não faz sentido, já que não há um bloqueio total dos raios solares.

Mesmo assim, para que haja um efeito mínimo, porém significativo, o FPS de um filtro solar deve ser de pelo menos 15. ‘Aqueles com FPS 2, 4 e 8 não apresentam qualquer barreira às radiações solares’, completa a dermatologista.

FPS máximo
Segundo o dermatologista David Azulay, presidente da Regional do Rio de Janeiro da SBD, filtros solares com FPS acima de 50 já não apresentam evoluções significativas. Ao comprar um produto com FPS 60, 80 ou até 100, o consumidor paga mais, mas nem por isso obtém melhores resultados.

Além disso, o dermatologista acredita que protetores com FPS elevado sugerem a algumas pessoas a possibilidade de poder passar pouco produto ou ainda de não ser necessária sua reaplicação. ‘A efetividade de um protetor com FPS 30, por exemplo, costuma ser 25% menor pelo fato de as pessoas espalharem demais uma quantidade insuficiente do produto’, explica.
Filtro solar – Foto Getty Images

À prova de água e suor
Quando dizemos que algo é à prova de alguma coisa, damos a ideia de durabilidade infinita, o que não é o caso do filtro solar em contato com a água ou o suor. Márcia explica que produtos com alguma capacidade de fixação na…


21 de junho de 2011 0

Um mecanismo molecular conhecido como sinalização Wnt, já conhecido por controlar muitos processos biológicos, pode ser o elemento determinante do embranquecimento dos cabelos.

Um novo estudo, realizado por pesquisadores da Universidade de Nova Iorque, nos Estados Unidos, mostrou pela primeira vez que a comunicação entre os folículos pilosos e as células-tronco dos melanócitos pode ditar a pigmentação do cabelo.

A via de sinalização Wnt é uma rede de proteínas mais conhecida por seu papel na embriogênese e no câncer, mas também está envolvida em processos fisiológicos normais em adultos.

‘Sabemos há décadas que as células-tronco do folículo piloso e dos melanócitos, células produtoras de pigmento, colaboram para dar cores aos cabelos, mas as razões por trás disso eram desconhecidas,’ explica a Dra. Mayumi Ito, coordenadora da pesquisa.

‘Nós descobrimos que a sinalização Wnt é essencial para coordenar as ações destas duas linhagens de células-tronco e crítica para a pigmentação do cabelo,’ afirma.

O estudo sugere que a manipulação da via de sinalização Wnt pode ser uma nova estratégia para lidar com a pigmentação dos cabelos, quando estes começam a ficar grisalhos.

Usando modelos animais geneticamente modificados, os pesquisadores foram capazes de examinar como as vias de sinalização Wnt permitem que as células-tronco dos folículos pilosos e as células-tronco dos melanócitos trabalham em conjunto para gerar o crescimento do cabelo e produzir a cor do cabelo.

A pesquisa também mostrou que a sinalização Wnt deficiente nas células-tronco do folículo piloso não apenas inibe o re-crescimento do cabelo, mas também impede a ativação das células-tronco dos melanócitos necessária para produzir a cor do cabelo.

A falta ativação da Wnt nas células-tronco dos melanócitos leva à despigmentação do cabelo, que torna grisalho e, finalmente, branco.

A pesquisa também ilustra um modelo para a regeneração de tecidos.

‘O corpo humano tem muitos tipos de células-tronco que têm o potencial para regenerar outros órgãos,’ disse Ito. ‘Os métodos por trás de comunicação entre as células-tronco do cabelo e da cor durante a reposição do cabelo podem dar-nos pistas importantes para regener…


17 de junho de 2011 0

Pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP) sintetizaram um novo filtro solar, à base de fosfato de cério, que pode substituir com muito mais eficácia os filtros já utilizados que são produzidos a partir de óxidos de zinco e titânio.

A capacidade do cério de absorver a radiação ultravioleta, segundo os pesquisadores, já é conhecida pela comunidade científica – o óxido de cério já é utilizado em filtros solares que estão no mercado.

Já o fosfato de cério estudado pela equipe brasileira é menos fotocatalítico quando exposto à luz solar, aumentando a proteção.

‘A pesquisa experimentou o uso de fosfato de cério como protetor solar e simplificou o processo de obtenção de suas nanopartículas por um processo mais simples’, conta Juliana Fonseca de Lima, uma das autoras do estudo.

Além disso, afirma a pesquisadora, foram realizados estudos de reflectância difusa, que mede a absorção dos raios ultravioleta (UV) pelo fosfato de cério, e de atividade fotocatalítica, que avalia as modificações físicas e químicas da matéria na presença de luz e oxigênio.

‘Os resultados mostraram que o fosfato de cério apresenta alta absorção na região do UV e na avaliação do seu comportamento na presença de óleo, calor, fluxo de ar, presença de luz e agitação constatou-se que o óleo é menos degradado quando comparado aos óxidos de zinco e cério,’ disse Juliana.

A cientista afirma que ficou evidenciada a maior eficácia do fosfato de cério na proteção solar, pois ele é menos fotocatalítico quando exposto à luz.

Segundo ela, até o momento, os óxidos de zinco e titânio têm sido usados como filtros UV inorgânicos. Entretanto, eles apresentam dois grandes inconvenientes.

O primeiro é que ambos manifestam elevada atividade fotocatalítica quando expostas à luz, que podem levar à fotodegradação do meio orgânico onde estão, como, por exemplo, nos cosméticos. Ou seja, eles facilitam a geração de espécies reativas que são responsáveis pela degradação do meio orgânico.

O segundo inconveniente é que esses óxidos foram otimizados para serem usados como pigmentos brancos – é por isso que eles apresentam elevado índice de reflectância difusa na região visível do espectro eletromagnético.


16 de junho de 2011 0

Depois de 33 anos de considerações, a FDA (órgão responsável por regular alimentos e medicamentos nos Estados Unidos) anunciou novas regras para a comercialização de filtros solares no país. Expressões como ‘bloqueador solar’, ‘a prova d’água’ e ‘a prova de suor’ estão banidas. E só podem usar o termo ‘de amplo espectro’ os produtos que comprovarem proteção contra os raios UVA e UVB. Os primeiros são os responsáveis pelo envelhecimento e os outros pelas queimaduras. Ambos estão relacionados ao câncer de pele.

O Brasil, juntamente com os outros países do Mercosul, estuda também uma mudança em sua regulamentação, que deve entrar em vigor ainda este ano. As regras para comprovar proteção contra os raios UVA, por exemplo, vão ficar mais rígidas.

As novas regras americanas, que entram em vigor dentro de um ano, vão demandar dos produtores que informem nas embalagens o tempo durante o qual o seu protetor é resistente à água e ao suor.

ALERTA SOBRE RISCO DE CÂNCER E ENVELHECIMENTO É RESTRITO

E apenas loções que tenham fator de proteção solar (FPS) de 15 ou mais poderão manter a informação de que reduzem o risco de câncer e o envelhecimento precoce da pele.

– Com a nossa nova legislação, daremos um salto também considerável – acredita o dermatologista Sérgio Schalka, especialista em fotoproteção da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD). – Os americanos avançam mais nessa rotulagem sobre o risco de câncer e envelhecimento da pele. Mas nós estamos propondo regras mais rígidas que as dele para medição de proteção para raios UVA.

Pelas regras americanas, qualquer produto que tiver o FPS de 2 a 14 deve incluir o aviso de que o produto não ajuda a prevenir contra câncer de pele ou envelhecimento solar.

A agência dos EUA tinha proposto permitir aos fabricantes usarem números de FPS maiores que 50, mas a FDA ainda está recolhendo informações sobre isso. O governo quer saber se há grupos especiais de pessoas que, de alguma forma, se beneficiariam de ter um produto com FPS de mais de 50. Alguns especialistas dizem que a diferença de proteção alcançada pelo uso de um produto com FPS 50 e outro com FPS 100 seria mínima. No Brasil, atualmente, não há limitação, mas caso a nova regulamentação seja aprovada, ela deverá ficar em 100.

– Existe muita confusão, sobretudo devido ao grande número de apresentações dos produtos – afirma a presidente da SBD, Bogdana Victória Kadunc. – Acho que as regras vão fa…


13 de junho de 2011 0

O Conselho Nacional de Saúde (CNS) confirmou em sua reunião da última quinta-feira (9), em Brasília, que as entidades médicas nacionais voltarão a ter assento naquele fórum de controle social. A decisão pode colocar fim ao período em que os médicos não participaram dos debates sobre políticas públicas voltadas para a assistência da população brasileira. A notícia foi dada por Luís Eugênio Portela e Lígia Bahia, vice-presidentes da Associação Brasileira de Saúde Coletiva (Abrasco), que participaram da reunião plenária do Conselho Federal de Medicina (CFM).

Para o presidente do CFM, Roberto Luiz d’Avila, o retorno das entidades médicas ao CNS poderá acontecer, efetivamente, em breve. Os convidados informaram aos conselheiros que o CNS acena para o CFM, a Associação Médica Brasileira (AMB) e a Federação Nacional dos Médicos (Fenam) com uma vaga de titular e duas de suplentes. “Em princípio, isso nos atende ao permitir que expressemos nossas opiniões e possamos colaborar para a construção de uma saúde melhor”, afirmou d’Avila.

Durante a tarde, os vice-presidentes da Abrasco apresentaram sua preocupação com os rumos do Sistema Único de Saúde (SUS) e anunciaram a intenção de desenvolver ações e projetos em parceria com o CFM. As duas entidades, juntas, pretendem contribuir com a apresentação de soluções para os desafios que se impõem para a assistência no país. O 2º vice-presidente do CFM, Aloísio Tibiriça Miranda, acredita que esse movimento trará ganhos para a sociedade ao enriquecer o debate sobre as políticas em saúde.

PARCERIA – Na visita ao CFM, os vice-presidentes da Abrasco chamaram a atenção para a encruzilhada na qual o SUS se encontra. “Estamos muito preocupados, pois percebemos que os avanços econômicos anunciados não se traduzem, necessariamente, em extensão de melhorias às políticas de saúde”, afirmou Lígia Bahia.

Na avaliação de Luís Eugênio Portela, a aproximação entre a Abrasco e o CFM permitirá o enriquecimento do debate sobre questões chaves para o SUS. Inclusive, ele ressaltou que se abre uma janela para ampliação do envolvimento dos Conselhos de Medicina no processo que culminará na 14ª Conferência Nacional de Saúde, prevista para dezembro de 2011.

A iniciativa de aproximação repercutiu positivamente no plenário do CFM. O 1º vice-presidente, Carlos Vital, ressaltou os interesses comuns que unem as duas entidades que focam, sobretudo, na melhora do atendimento à população menos favorecida. O 3º vice-presidente, Emmanuel Fortes, lembrou a importância dessa parceria, pois o Conselho “funciona como uma caixa de ressonância da categoria” na qual são evidenciados os problemas que dificultam o exercício da Medicina.


10 de junho de 2011 0

Farta oferta de depilação a laser em sites de promoção pode levar a escolhas erradas. Entenda os riscos e os cuidados necessários
A depilação a laser ganhou popularidade entre as mulheres, se multiplicou nas clínicas de estética e é uma oferta comum nos sites de compra coletiva. Nesses casos, procedimentos que custam em média R$ 1 mil chegam a ser vendidos por R$ 200. O argumento financeiro é tentador, mas é importante pesquisar antes de comprar pacotes de tratamento: existem vários tipos de laser, cada um indicado para um tipo de pele. E comprar no escuro, sem orientação médica, pode trazer mais problemas que benefícios.

Segundo Valéria Campos, dermatologista especialista em laser, queimaduras e até o aumento dos pelos – ao invés de redução – podem ocorrer em caso de escolha inadequada do método ou regulagem equivocada do aparelho. Além disso, manchas na pele também são comuns. “Desconfie de preços milagrosos. Toda vez que a questão principal é preço, o barato sai caro”, diz ela.

Conhecer mais sobre o aparelho utilizado na clínica ajuda o consumidor a não se iludir. Entre os tipos de laser estão o Alexandrita e o Ruby, que são melhores para pelos finos e peles mais claras. Já o NdYAG é a alternativa para peles negras, e o laser de diodo, por sua vez, é indicado para pelos escuros e grossos. Existem no mercado também os tratamentos com luz pulsada, que não são laser, mas podem trazer bons resultados em pessoas de pele clara e pelos finos, desde que indicado corretamente.

RISCOS E INEFICÁCIA

Um dos pontos que devem ser avaliados na aplicação do laser é a intensidade. O método pode estimular ou destruir fios, tudo depende da forma de utilização. Caso a energia aplicada seja muito baixa, é possível que os fios não desapareçam totalmente e sobrem só os mais finos, que são difíceis de remover depois. “Nesse caso o laser não responde mais e é preciso fazer eletrólise ou conformar-se”, diz Valéria. Ela lembra também que nem todos os procedimentos são considerados definitivos e, em alguns casos, os fios voltam a crescer depois de algum tempo.

A retirada dos pelos com sucesso acontece em cerca de cinco sessões. Pacotes de tratamento que exigem uma quantidade maior podem indicar que o consumidor está sendo lesado. “Algumas clínicas fazem menos disparos por vez ou mais fracos. Como um jardineiro que cobra pouco. Ele tira três matos e deixa o resto lá”, exemplifica Valéria.

A promessa de um procedimento indolor também é motivo de desconfiança. Embora os aparelhos mais modernos causem menor desconforto em relação aos primeiros que chegaram ao mercado, a depilação ainda incomoda e não é eficaz se o paciente não sente nada.


1 de junho de 2011 0

O novo mandamento do século 21 deveria ser “não fumarás”. Uma pesquisa recente concluiu que não apenas os cânceres de pulmão, pescoço e cabeça estão correlacionados com o tabagismo, mas vários outros, como o de bexiga, por exemplo, surgem no caminho que as substâncias tóxicas do cigarro percorrem no corpo humano. Nesse rol, estão tumores como os de mama, de intestino e até de colo de útero. Estudos feitos pelo Instituto do Câncer do Estado de São Paulo (Icesp), com a colaboração da Universidade de São Paulo (USP), em 2010, concluíram que 65% dos homens e 25% das mulheres com câncer de bexiga eram fumantes ou tinham um histórico de consumo de tabaco. O alerta surge às vésperas do Dia Mundial sem Tabaco, marcado para amanhã.

Os dados foram levantados pelos pesquisadores do Icesp e da USP dentro do estado de São Paulo, mas em termos nacionais essa proporção aumenta. “Podemos dizer que 70% das pessoas com esse tipo de câncer (bexiga) foram ou são fumantes. E o pior, quando se trata de um não fumante, a resposta ao tratamento é positiva em mais de 80%; mas, se for fumante, essa taxa cai para 20% e as chances de sobrevida são bem menores”, explica o oncologista Anderson Silvestrini, diretor técnico do Grupo Acreditar (ex-Ceon), um dos centros especializados em tratamento de câncer do Distrito Federal.

Não é o caso do mineiro Euler de Paula Velozo. Ele acaba de completar 60 anos e afirma que não se deixa abater com a doença, descoberta no fim do ano passado. Ele iniciou há pouco tempo o primeiro dos três ciclos de quimioterapia prescritos e reage bem às sessões. Mas a força maior nesse processo de terapias vem da própria crença de que tudo vai dar certo e de um estado de espírito que o ajuda a superar o trauma e o desespero. “A doença, apesar de ter sido um choque, nos leva a fazer uma série de reflexões sobre a vida. Passamos a dar valor às pequenas coisas e a ter uma percepção mais clara do que realmente é importante nessa vida”, comenta o economiário aposentado.

Euler afirma ainda que a doença permite uma revisão de valores e a recuperação de alguns tesouros pessoais muitas vezes abandonados entre uma fase e outra da vida. Uma dessas conquistas que ele diz ter resgatado foi a sua banda de rock especializada em clássicos dos anos 1960 e 1970, cujos integrantes estão na mesma faixa de idade. Ao contrário do que sugere o nome — Radicais Livres, substâncias vinculadas a processos degenerativos do corpo —, o grupo é movido a alto-astral, humor e nostalgia. “Além de reafirmar a existência da Jovem Guarda, do bom rock dos anos 1960, temos de passar aos jovens essa consciência de que o tempo do cigarro já passou, que não se deve fumar ou comer gorduras”, ensina Euler, com a experiência de um fumante que abandonou o vício há 30 anos.

Efeito retardado
Essa longa pausa no hábito que era moda na geração de Euler não impediu, porém, a aç&a…


27 de maio de 2011 0

Conto pouco conhecido de José de Alencar, ‘A Alma do Lázaro’ ganha edição comentada, lançada hoje no Museu do Ceará. Texto da juventude do escritor, a narrativa trata do estigma da lepra
José de Alencar: texto da juventude tematiza o drama da lepra

Passado quase meio século da descoberta da cura para hanseníase, a doença ainda assombra o imaginário popular, alimentado por séculos de estigma religioso e de convívio com enfermos, deformados, sem opção de tratamento eficaz e sujeitos a práticas de banimento e confinamento em leprosários. O conto ‘A Alma do Lázaro’, do escritor cearense José de Alencar (1829 – 1877), narra as desventuras de um enfermo banido do convívio social no Brasil colônia registradas em um diário lido anos depois por um jovem escritor em busca de histórias.

Texto da juventude de seu autor, foi publicado originalmente na coletânea ‘Alfarrábios: crônica dos tempos coloniais’ (1873). O conto ganha reedição em livro, lançado às 18 horas, no Museu do Ceará. O projeto de reedição foi contemplado pelo I Edital Prêmio Literário para Autor Cearense, da Secretaria da Cultura do Ceará.

Organizadora da nova edição, a historiadora Zilda Maria Menezes Lima é estudiosa do universo da hanseníase em Fortaleza, nas primeiras décadas do século XX, e não do escritor José de Alencar, como se poderia imaginar. ‘O interesse (pelo livro) surgiu porque defendi tese sobre a lepra. Eu o utilizei como fonte histórica’, explica Zilda, que encontrou a obra por acaso, em sites da internet.

Ela defendeu seu estudo em 2007, no doutorado História Social da UFRJ, publicando posteriormente em livro pela Coleção Outras Histórias do Museu do Ceará, com o título ‘Uma enfermidade a flor da pele: a lepra em Fortaleza’. Ainda sobre o livro de José de Alencar, Zilda destaca a abordagem do escritor sobre a doença já como algo que por si justifica a importância da obra. ‘José de Alencar era realmente um escritor à frente de seu tempo. A lepra só aparece como problema de saúde publica em 1920?, diz a historiadora, surpresa pela forma que o escritor aborda o tema em uma época em que o mesmo era pouco discutido.

A reedição mantem o texto integral de José de Alencar, com pequenas correções de erros de ortográficos da primeira edição e acréscimo de apresentação feita pela historiadora.

Lázaro

Escrito por Alencar em sua juventude – estudiosos datam a obra de 1848, quando o escritor contava apenas 19 anos e apresentava os primeiros sintomas da tuberculose que o matou – o livro não tem ainda sua sofisticação estilística, mas destaca-se pela abordagem, bastante original para a época.

Alencar explora o preconceito em torno da doença, enfatizando a face cruel da enfermidade e relatando o drama social e físico dos doentes. O livro é dividido em duas partes: o início, escrito em primeira pessoa, narra a história de um estudante da Academia de Olinda que vaga durante a noite pelas cercanias da cidade em busca de inspiração para escrever. Nas ruínas do Convento de Carmo ele conhece um velho pescador que lhe conta a história um leproso que vivia em uma casa abandonada, próximo dalí.

Enquanto narra o cotidiano sofr…


23 de maio de 2011 0

A oferta de procedimentos médicos e exames feitos em casa, por conta própria, está crescendo no Brasil. Esse nicho de mercado é composto por um público cada vez mais interessado em tecnologia e medicina acessíveis para leigos.

TESTES CASEIROS BUSCAM PÚBLICO FEMININO

Uma parte dos produtos surgiu para atender pacientes que trocam os hospitais por atendimento domiciliar, mas não é só isso.

‘Não existem pesquisas oficiais, mas calculamos que o mercado de produtos para cuidados de saúde em casa está crescendo cerca de 20% ao ano no Brasil’, diz Patrícia Cardoso, diretora de Home Healthcare Solution (divisão de produtos de saúde em casa) para a América Latina da Philips.

Entre os produtos oferecidos pela empresa, diz Cardoso, há equipamentos para quem está interessado em cuidar da saúde com mais ‘autonomia’. É o caso do desfibrilador caseiro, portátil e leve.

‘Normalmente, a desfibrilação é feita no hospital. Mas o avanço da tecnologia criou aparelhos portáteis que podem ser usados por leigos, desde que recebam um treinamento mínimo’, afirma o cardiologista José Carlos Pachón, do Serviço de Arritmias do HCor (Hospital do Coração), de São Paulo.

COM AS PRÓPRIAS MÃOS

A procura individual por esse tipo de equipamento ainda é restrita, até porque a complexidade das doenças cardíacas assusta os interessados em fazer ‘medicina com as próprias mãos’.

Já as tecnologias na área da dermatologia não parecem intimidar os consumidores, que buscam na internet ou em viagens ao exterior os novos aparelhos de laser para uso caseiro.

Embora não existam equipamentos domésticos a laser registrados no Brasil, há pelo menos um site de um representante brasileiro dos produtos importados.

São oferecidos escovas para combater a queda de cabelos e aparelhos para depilação, com frete gratuito para todo o país.

DEMANDA

Na internet ou lá fora, também são procurados os equipamentos para rejuvenescimento da pele com laser. ‘Há demanda aqui para isso. Precisamos ver o que as agências reguladoras vão determinar sob a pressão da indústria e do público’, diz o dermatologista Davi de Lacerda, da USP.

Os fabricantes estão apresentando esses aparelhos para a classe médica com cautela, segundo Lacerda.

‘Como o…





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