
Entre os diversos impactos das mudanças climáticas, que vão desde alterações extremas no clima até consequências sociais e econômicas, estão também os efeitos sobre a saúde. A pele, maior órgão do corpo, é uma das primeiras a refletir essas transformações, ficando vulnerável a doenças e agressões ambientais. O alerta é da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD), que chama atenção para a crescente correlação entre as mudanças no meio ambiente e o surgimento ou agravamento de doenças dermatológicas.
Os eventos climáticos extremos, como ondas de calor, chuvas intensas, incêndios e enchentes podem agravar enfermidades associadas a doença de Chagas, celulite e erisipela, infecções fúngicas, dermatites irritativas e alérgicas, dermatites infecciosas, Infecção por Pseudomonas aeruginosa, conhecida como “dermatite da piscina ou da enchente”, entre outras.
O tema ganha relevância em meio às discussões da COP 30, 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima, que ocorrerá de 10 a 21 de novembro, em Belém, no Pará.
“É fundamental reconhecer que as alterações ambientais não afetam apenas o planeta, mas também a biologia. A pele, por ser o maior órgão do corpo e a primeira barreira de contato com o meio externo, é uma das mais vulneráveis”, reforça o presidente da SBD, Dr. Carlos Barcaui.
Artigo publicado nos Anais Brasileiros de Dermatologia, revista cientifica centenária da entidade, comprova que padrões de prevalência das dermatoses podem refletir mudanças ambientais. Acesse o conteúdo na íntegra aqui.
Dr. Carlos Barcaui reforça que fatores como radiação ultravioleta, variações de temperatura e umidade, e exposição a alérgenos ambientais também causam impacto direto na saúde da pele. “Esses agentes estão associados ao aumento de doenças inflamatórias e alérgicas, como dermatites atópica e de contato, psoríase, acne; envelhecimento cutâneo e câncer de pele”, afirma o médico dermatologista.
As mudanças climáticas também trazem impactos diretos sobre o envelhecimento da pele, principalmente por meio de fatores extrínsecos. De acordo com a coordenadora do Departamento de Geriatria da SBD, Dra. Marcelle Nogueira, de todos os fatores externos responsáveis pelo envelhecimento cutâneo, a radiação solar é o principal, respondendo por cerca de 90% do envelhecimento da cutâneo.
“Com o aumento dos índices de radiação ultravioleta devido às alterações na camada de ozônio, esse efeito tende a se intensificar. Além disso, o aumento da temperatura global acelera o envelhecimento biológico da pele. A cada 7 °C de elevação na temperatura da pele, dobramos a perda de água transepidérmica, o que causa desidratação, prejuízo à barreira cutânea e, consequentemente, alteração na função imunológica da pele”, afirma a especialista.
Ela destaca ainda que o calor eleva a produção de metaloproteinases, enzimas que degradam o colágeno, e favorece o estresse oxidativo, reduzindo a ação das enzimas antioxidantes e promovendo senescência celular precoce. A médica ressalta também o papel da poluição atmosférica, cujas partículas agravam o estresse oxidativo e contribuem para o envelhecimento cutâneo, reforçando a importância do uso de filtros solares, barreiras físicas, cremes hidratantes e produtos antipoluição no cuidado diário.
Entre as recomendações da SBD estão proteger a pele da radiação solar, manter a hidratação adequada, evitar exposição prolongada a ambientes poluídos e buscar avaliação médica diante de alterações persistentes na pele.
“Em um momento em que o mundo discute as mudanças climáticas na COP 30, a conscientização ambiental se torna ainda mais urgente e, hoje, representa uma forma eficaz de prevenção em saúde dermatológica”, conclui o Dr. Carlos Barcaui.

