
Durante o 30º RADESP e 18º Simpósio de Cosmiatria, Laser e Tecnologias da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD), em parceria com a Regional São Paulo, médicos dermatologistas de diferentes partes do país debateram temas que vão desde a segurança em procedimentos estéticos até novas abordagens terapêuticas em doenças autoimunes e câncer de pele. O evento ocorreu no último final de semana (14 e 15/11), no Centro de Convenções Frei Caneca, em São Paulo.
“Reunir dermatologistas de diferentes áreas, com olhares complementares sobre ciência, tecnologia e cuidado humano, é fundamental para que possamos oferecer uma medicina mais segura, eficaz e ética a população”, afirmou o presidente da SBD, Dr. Carlos Barcaui.
Complicações em procedimentos e importância da qualificação médica
Para Dr. Márcio Serra, membro da diretoria da SBD, um dos pontos de maior preocupação atualmente é o aumento de complicações causadas por procedimentos realizados por profissionais não médicos. Dados do Dossiê Brasil à Flor da Pele, estudo realizado pelo Instituto Datafolha, promovida pela Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD) e pela divisão de Beleza Dermatológica do Grupo L’Oréal no Brasil, apontam que uma em cada quatro pessoas não sabe que o dermatologista é médico e apenas 12% dos brasileiros se consultaram com um médico dermatologista no último ano.
“Complicações podem acontecer mesmo quando o procedimento é realizado por médicos, mas nós temos o conhecimento e a capacidade de tratá-las, especialmente em casos de infecção. É fundamental que a população compreenda que o dermatologista é o profissional habilitado para realizar procedimentos estéticos invasivos, ou seja, aqueles que penetram a pele, e que evite se submeter a intervenções feitas por não médicos, que não possuem a qualificação necessária para garantir segurança e resultados adequados”, afirmou Dr. Márcio.
Ele também destacou a importância de se atentar à procedência dos materiais utilizados e ao ambiente em que o procedimento é realizado.
“Há muito material falsificado ou de má qualidade, o que impacta no preço. Muitas vezes, o indivíduo prioriza o valor em vez da saúde. Além disso, nós médicos seguimos normas da Vigilância Sanitária e do Conselho Federal de Medicina, que garantem maior segurança ao paciente e reduzem complicações”, explicou.
Alopecia Areata e novas perspectivas terapêuticas
A dermatologista da SBD Priscila Kakizaki destacou os avanços recentes no tratamento da Alopecia Areata, uma doença autoimune que provoca a queda repentina de cabelo. Segundo a médica, a inflamação ocorre quando o sistema imunológico passa a atacar o próprio folículo piloso, por uma causa ainda desconhecida, mas sem destruí-lo completamente.
“Embora o folículo não morra, a inflamação interrompe temporariamente o crescimento dos fios. A boa notícia é que, quando o processo inflamatório é controlado, o cabelo pode voltar a crescer, o que traz alívio e esperança a muitos pacientes”, destacou Dra. Priscila.
Além do impacto físico, a especialista chamou atenção para o aspecto emocional da doença, que afeta autoestima e qualidade de vida. Destacou ainda que, nos últimos anos, os inibidores da JAK surgiram como uma importante inovação terapêutica.
“Mais do que recuperar os fios, o tratamento devolve bem-estar e autoconfiança. Cada fio que volta a crescer simboliza um recomeço. Hoje temos mais recursos, mais conhecimento e, principalmente, mais esperança para quem convive com essa condição”, concluiu.
Cirurgia de Mohs: precisão no tratamento do câncer de pele
Outro destaque do encontro foi a cirurgia micrográfica de Mohs, abordada pela dermatologista Thais Buffo, também da SBD. A técnica é considerada uma das mais precisas no tratamento de câncer de pele, especialmente os tipos carcinoma basocelular e carcinoma espinocelular.
“Essa cirurgia é feita principalmente para os tipos mais comuns de câncer de pele, mas também pode ser indicada em alguns casos de melanoma e de tumores mais raros”, explicou Dra. Thais.
O diferencial da técnica é que o tumor é retirado por etapas, com análise microscópica das margens durante a própria cirurgia. “O procedimento termina apenas quando se tem certeza de que todas as margens estão livres de tumor. Essa técnica oferece uma maior taxa de cura e um menor risco da doença voltar, sendo especialmente indicada para tumores localizados no rosto ou lesões que já voltaram após outras cirurgias”, completou a dermatologista.
“Com tantos temas abordados, o evento mostrou que a dermatologia vai muito além da estética: é sobre cuidar da pele, da saúde e da autoestima”, conclui Dr. Carlos Barcaui.
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