SBD promove debate para esclarecer dúvidas sobre sinais e sintomas na pele relacionados à Covid-19



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SBD promove debate para esclarecer dúvidas sobre sinais e sintomas na pele relacionados à Covid-19

27 de maio de 2020
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Cerca de 1,5 mil inscritos acompanharam atividade online promovida pela Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD) durante a qual foram abordadas as manifestações cutâneas relacionadas à Covid-19. A transmissão contou com a participação dos professores Paulo Ricardo Criado, pesquisador Pleno da Pós-Graduação do Centro Universitário Saúde ABC (FMABC) e coordenador do Departamento de Medicina Interna da SBD, e Hélio Miot, professor da Unesp, em Botucatu, e coordenador científico da SBD. A moderação do debate foi de Sergio Palma, presidente da entidade.

“Desde que iniciamos este tipo de evento, o retorno tem sido muito positivo. Para os dermatologistas, esses espaços de debates têm ajudado a esclarecer dúvidas cotidianas. A resposta tem funcionado como um estímulo para a Gestão 2019-2020, que já prepara outros projetos, como elaboração de documentos com foco no período pós-pandemia”, disse Palma.

SBD Live – Durante o SBD Live, realizado na terça-feira (26/5), foram esclarecidas dúvidas sobre sinais e sintomas na pele relacionados ao novo coronavírus. Os especialistas trouxeram informações sobre as características do vírus Sars-CoV-2 e apresentaram achados relatados, até o momento, na literatura médica a respeito das manifestações dermatológicas referidas em associação com a doença. O evento, organizado pela SBD, contou com o patrocínio da Bayer e o apoio da Manole.

“Nosso objetivo foi demonstrar que essas manifestações existem, mas elas não têm uma frequência superior a 7,4% dos pacientes admitidos em ambiente hospitalar. Inclusive, algumas delas podem inferir gravidade, especialmente o livedo racemoso, a púrpura retiforme e necrose de extremidades. Essas doenças estão mais associadas a provável ativação do sistema complemento de forma generalizada e ao envolvimento multiorgânico grave”, destacou Paulo Criado.

Para ele, o tema debatido tem extrema relevância, uma vez que, para esses casos, os dermatologistas são capazes de contribuir para o diagnóstico e uma possível tomada de decisão de medida terapêutica conjuntamente com um médico intensivista ou de emergências.

Levantamento – Helio Miot apresentou o resultado de levantamento feito com 1986 casos confirmados pelo novo coronavírus no Brasil. Os dados apontam que 30% deles tinham lesões de pele, sendo a mais comum o prurido e depois a descamação do couro cabeludo. Ele disse ainda que a Covid-19 pode apresentar manifestações cutâneas bastante inespecíficas, mas que diante da epidemiologia positiva é preciso suspeitar de infecção por coronavírus a partir dos achados.

Miot conta que em menos de 5% dos casos desse estudo houve lesão vesicular, lesão papulosa, erupção maculopapular, afta oral e as pápulas digitais (chamadas de perniose). “Os dermatologistas devem estar atentos a essas lesões, que são inespecíficas e presentes em várias outras condições. Num momento de pandemia têm que suspeitar da possibilidade de infecção pelo coronavírus”, ressaltou.

A repercussão da SBD Live entre os associados foi positiva. “Trabalho como médica dermatologista e clínica intensivista. Atendo casos de Covid-19 regularmente e é uma honra poder assistir às aulas sensacionais como essas. Elas não deixaram nada a desejar em relação às aulas dos colegas pneumologistas, infectologistas e intensivistas que estão no enfrentamento da pandemia”, ressaltou Ellene Papazis, de Volta Redonda. Segundo ela, atividades desse tipo mostram que o dermatologista desempenha papel importante no combate à pandemia.

Diante de percepções como a dela, a Gestão 2019-2020 reforça que, no momento atual, aumenta a importância do acesso ao conteúdo publicado na landing page da SBD com informações relacionadas ao coronavírus e a leitura do boletim eletrônico, site e Jornal da SBD, além das e-news enviadas aos associados por e-mail. Com a continuidade da série SBD Live, a entidade informa que a íntegra de todos os programas está no ambiente restrito aos associados, com o mesmo login e senha.

Análises – Para auxiliar os especialistas, a SBD tem publicado, periodicamente, artigos que fazem a revisão sistemática de estudos divulgados, inclusive no exterior. O trabalho, conduzido por Paulo Criado, está à disposição na plataforma criada pela Sociedade, na qual se encontram informações sobre a Covid-19.

Acesse a plataforma da SBD sobre Covid-19

No último artigo, publicado em 4 de maio, Paulo Criado analisou uma publicação do British Journal of Dermatology, assinado pela professora Cristina Galván Casas e sua equipe da Academia Espanhola de Dermatologia e Doenças Venéreas (AEDV). O trabalho sugere a associação do corononavírus com cinco tipos de manifestações cutâneas diferentes. Além disso, os pesquisadores apontam indícios da relação entre o tipo de complicação dermatológica e a gravidade da contaminação pela Covid-19.

Segundo Criado, esse trabalho constitui o estudo prospectivo e multicêntrico com a maior casuística até agora. No entanto, alerta, apesar da farta documentação fotográfica, não houve, estudo histopatológico, o que fragiliza suas conclusões.

Acesse a íntegra do artigo da SBD 

Além disso, ele prossegue: “se considerarmos, mesmo que subnotificados os casos diagnosticados com lesões na pele, a frequência destas alterações cutâneas na Covid-19 continua extremamente baixa (em torno de 0,1569% dos 239 mil doentes com esse diagnóstico naquele país). Assim, lesões na pele por essa doença existem, porém não devem criar ansiedade e expectativas de que sejam indicadoras precisas de sua ocorrência”.





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