Perguntas e respostas sobre como tratar ferimento por águas-vivas



Perguntas e respostas sobre como tratar ferimento por águas-vivas

4 de janeiro de 2018
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Márcia Foletto – 01/01/2018 / Agência O Globo

O aparecimento de águas-vivas na costa do Rio assustou banhistas no primeiro dia do ano. Para tirar dúvidas sobre o tratamento em caso de ferimentos pelo animal, o GLOBO ouviu dois especialistas no assunto: Vidal Haddad, dermatologista da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD); e Sérgio Stampra, professor do Laboratório de Evolução e Diversidade Aquática (LEDA), da Unesp. 

Veja, a seguir, perguntas e respostas sobre como tratar o ferimento por água-viva:

1 – O ferimento por água-viva é uma queimadura?

Não. Tecnicamente, não podemos dizer que é queimadura. É um envenenamento da pele, devido às toxinas liberadas pela água-viva.

2 – Quais são as espécies de água-viva que podem ser encontradas no Rio?

As três espécies mais comuns nas regiões Sul e Sudeste são Olindias sambaquiensisChrysaora lactea e Lychnorhiza lucerna. As duas primeiras causam acidentes dolorosos, mas de pequena gravidade. A última é quase inofensiva. Os exemplares encontrados no Rio e mostrados nas reportagens são de Lychnorhiza. Essa é a razão pela qual tantas águas-vivas causaram poucos acidentes.

3 – Quais são os cuidados a se fazer quando for atingido por uma água-viva? Pode lavar o local do ferimento com água do mar?

Sim. O veneno de água-viva é diferente de uma para a outra espécie. Uma pessoa que se fere e está sentido dor deve fazer uma compressa de água do mar gelada no local. A compressa do mar tem um efeito analgésico. Também pode lavar com soro para tratar os sintomas.

4 – Pode passar xixi, sabão ou limão no local?

Não. Isso pode irritar ainda mais a área ferida e causar problemas maiores.

5 – Pode lavar com vinagre?

Sim. Os tentáculos têm umas partículas que parecem agulhas. São essas células que disparam o veneno. Se jogar água doce, essas células disparam e aumenta a dor. Lavar com vinagre não deixa essas células dispararem e diminui o envenenamento da pele.

6 – As águas-vivas deixam tentáculos na pele?

Não. Os tentáculos não aderem à pele. O que pode acontecer é ter alguns tentáculos soltos, à deriva na água, e eles grudarem na pele.

7 – E se isso acontece como retirá-los?

Eles podem ser retirados com a mão, que tem um tecido mais resistente. Mas o ideal é usar um papel para evitar algum ferimento na mão.

8 – A pessoa que foi ferida por água-viva pode pegar sol?

Não é bom. Dependendo do tamanho da área atingida, pode aumentar o ferimento e até dar bolhas, como nos casos de queimaduras.

9 – Depois de passar por esses procedimentos, a pessoa precisa ir a um hospital?

As ações de primeiros socorros são muito efetivas. E essas águas-vivas encontradas por aqui são praticamente inofensivas.

10 – No fim de dezembro do ano passado, o aparecimento de águas-vivas gigantes na Baía de Sepetiba deixaram moradores da Costa Verde assustados. Alguns chegaram a dizer que se tratavam de animais do grupo juba-de-leão, um tipo venenoso. É verdade?

— Existem muitos boatos sobre as águas-vivas na costa do Brasil, talvez pela ausência de espécies tão perigosas como as que ocorrem na Austrália. Uma das últimas invenções populares foi a ocorrência da “medusa juba-de-leão” na costa do Brasil. Essa espécie Cyanea capillata ocorre apenas no Hemisfério Norte e em águas bastante frias. No Brasil temos apenas uma espécie razoavelmente similar à “medusa juba-de-leão” que é a Drymonema dalmatinum, mas que é muito rara e quase sempre encontrada em áreas oceânicas.

Fonte: O Globo
 





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