Dezembro Laranja: nota oficial da Sociedade Brasileira de Dermatologia sobre a hidroclorotiazida



Dezembro Laranja: nota oficial da Sociedade Brasileira de Dermatologia sobre a hidroclorotiazida

6 de dezembro de 2018
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A hidroclorotiazida é uma medicação utilizada como diurético, isto é, aumenta a produção de urina para o tratamento de primeira linha da hipertensão arterial sistêmica (pressão alta) há mais de 30 anos. É um dos medicamentos diuréticos indicados para o controle da hipertensão arterial sistêmica de primeiro e segundo graus, de acordo com a 7ª Diretriz Brasileira sobre Hipertensão Arterial. Em alguns casos, é associada a medicamentos anti-hipertensivos de outras categorias químicas que não sejam de ação diurética.

Em 2017, surgiram os primeiros estudos populacionais no norte da Europa correlacionando o uso por vários anos da hidroclorotiazida no tratamento da hipertensão arterial sistêmica com o surgimento de carcinomas espinocelulares no lábio (Pottergard e cols, J Int Med). Nos trabalhos, observou-se que com o uso diário de uma dose de 12,5 mg da hidroclorotiazida, a taxa probabilidade de ocorrer o carcinoma espinocelular (CEC) elevou-se em 2,1 vezes. Com o uso por cerca de 22 anos dessa dose ininterrupta, obteve-se uma taxa de probabilidade de se ter um CEC no lábio de até 7,7 vezes maior do que a população não exposta ao medicamento.

Outro estudo publicado em 2018 pelo grupo dinamarquês liderado por Pedersen e cols (J Am Acad Dermatol), as taxas de probabilidade de ocorrência do carcinoma basocelular (CBC) na pele exposta a luz foram de 1,38 vezes com o uso de hidroclorotiazida 12,5 mg ao dia por cerca de 5 a 6 anos, e para o CEC a taxa de probabilidade foi de 3,98 vezes em relação à população não exposta ao medicamento.

Importante ressaltar que a hidroclorotiazida é um derivado sulfamídico diurético altamente eficaz no tratamento da hipertensão arterial sistêmica, que se não tratada adequadamente pode causar doença cardíaca grave, além de derrame cerebral e doença nas artérias dos rins, olhos e membros. Dessa forma, é desaconselhável interromper ou desistir do tratamento da hipertensão arterial sistêmica. Aconselha-se a consultar seu cardiologista para seguimento.

Esses estudos avaliaram em grande parte uma população de etnia do Norte da Europa, de pele clara, com fototipo similar ao da população do Sul do Brasil. São pessoas mais sensíveis aos efeitos na pele das radiações ultravioleta solar e artificial. Contudo, dada a elevada incidência de radiação ultravioleta em todo território brasileiro, a Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD) reforça a necessidade do uso de medidas seguras de exposição solar, entre as quais nos usuários da hidroclorotiazida se faz necessário o hábito diário de filtros solares com FPS mínimo de 30 e alta proteção contra a radiação UVA, em ambientes externos, dado o risco crônico e cumulativo do desenvolvimento dos cânceres de pele não melanoma, demonstrado por esses dois grandes estudos populacionais publicados em conceituadas revistas médicas.

Consulte seu cardiologista a respeito dessas informações, uma vez que a hidroclorotiazida é uma medicação consagrada no tratamento da hipertensão arterial sistêmica, de custo baixo e acesso pela rede pública de saúde.

Se você utiliza hidroclorotiazida por vários anos, consulte um dermatologista associado à Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD) para um exame dermatológico geral, a fim de diagnóstico precoce, orientação quanto aos filtros solares adequados ao seu tipo de pele e a necessidade, ou não, de suplementação da vitamina D.

Lembre-se de que sua saúde é um conjunto de cuidados que envolvem desde a pele ao coração.

Paulo Ricardo Criado
Médico dermatologista
Coordenador do Departamento de Dermatologia Clínica da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD)
CRM/SP 66343 – RQE 37498

 





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