dermatite atópica

Com cuidados simples, é possível controlar a dermatite atópica.

Não é difícil encontrar crianças e adultas que manifestam quadros de lesões avermelhadas na pele, acompanhadas de coceira intensa. Essas pessoas podem estar apresentando sinais e sintomas de dermatite atópica, uma doença que afeta milhões de brasileiros. Para ajudar você a entender um pouco mais sobre este problema de saúde de origem genética, que não pode ser transmitido por contato direto, a Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD) desenvolveu este espaço, onde estão disponíveis informações relevantes sobre o tema.

É um dos tipos mais comuns de eczema, principalmente na infância, embora alguns casos possam ter início na vida adulta. É uma doença genética, crônica e onde a coceira e a pele seca são as principais características. Acomete principalmente as grandes dobras do corpo como braços, joelhos e pescoço. A dermatite atópica pode ser acompanhada de outras formas de atopia como asma, rinite ou conjuntivite, embora essas não precisem ocorrer ao mesmo tempo.

Não. A dermatite atópica tem origem genética, ou seja, não é transmitida por contato. Desta forma, não há necessidade de restrição de contato com pessoas com diagnóstico de DA.

A característica principal da doença é a pele seca com prurido constante o que leva a ferimentos pelo ato de coçar-se. O quadro é variável dependendo do tempo de doença e da gravidade, deste modo pode haver, por exemplo: áreas avermelhadas com ferimentos ou até áreas espessas, que surgem após períodos de coceira prolongada. Geralmente, trata-se de uma dermatose com recaídas frequentes, podendo haver intervalos de semanas, meses ou anos, entre uma crise e outra.


A coceira pode levar a ferimentos na pele, o que facilita a contaminação das feridas por bactérias, principalmente o Staphylococcus aureus. Entretanto, infecções por outros agentes podem ocorrer, como as causadas por vírus, principalmente do Herpes simples, causando um quadro denominado erupção variceliforme de Kaposi. Infecções fúngicas também podem ocorrer na pele do portador de dermatite atópica.

Sim. Alguns fatores podem agravar ou desencadear a dermatite atópica. Entre eles, estão:
1 – Sudorese excessiva (ambiente quente, variações repentinas de temperatura e roupas quentes).

2 – Baixa umidade no ambiente (aumenta o ressecamento da pele).

3 – Roupas de lã, tecidos sintéticos e ásperos (aumentam o prurido).

4 – Banhos longos com água quente (ressecam a pele).

5 – Uso de sabonetes em excesso associado ou não ao uso de buchas.

6 – Situações de estresse (aumentam o prurido).

A relação da dermatite atópica com a alimentação não está bem estabelecida. Pode estar associada a alimentos, principalmente leite, nos casos graves e de início precoce.

Sim. Essa doença se manifesta em diferentes faixas etárias. Pode-se dizer que o quadro clínico da dermatite atópica varia conforme a fase da doença. Pode ser divido em três estágios: fase infantil (3 meses a 2 anos de idade), . fase pré-puberal (2 a 12 anos de idade),fase), fase adulta (a partir de 12 anos de idade). Aproximadamente 70% das crianças que apresentam a doença na infância evoluem com remissão na adolescência, embora alguns casos recidivem na vida adulta.

Não. Por ser uma doença de origem genética e crônica, a dermatite atópica não tem cura. No entanto, com os tratamentos disponíveis é possível controlar algumas de suas manifestações, como a coceira. Também ajudam a reduzir a inflamação da pele e prevenir as recorrências. Devido à pele ressecada, a base do tratamento é o uso de emolientes ou hidratantes. Isso porque a hidratação da pele é necessária para melhorar a barreira natural da pele. Pacientes devem ser orientados a aplicar esses produtos várias vezes ao dia. O uso de anti-histamínicos por via oral também pode ajudar no controle da coceira que acompanha essa doença, mas seu efeito não é curativo. Alguns podem causar sonolência, mas ajudam a diminuir a coceira durante o sono.

Na maioria dos casos o tratamento envolve o uso de medicamentos tópicos, ou seja, aqueles aplicados diretamente sobre a pele ou couro cabeludo do paciente. Normalmente, é empregado um creme ou uma pomada de cortisona (ou esteroide), mas seu uso deve restrito, devido aos seus efeitos colaterais. Em algumas situações, são usados cremes com diferentes concentrações de esteroide para as áreas distintas da pele e para idades diferentes. Crianças devem utilizar corticosteroides de menor potência, pela sua capacidade de absorvê-los e causar problemas internos.


Outras medicações que não envolvem os corticosteroides podem ser utilizadas em associação a eles, ou separadamente, como os derivados da calcineurina, especialmente em áreas de pele muito fina (pálpebras, dobras axilares e região genital). A fototerapia, tratamento com raios ultravioleta (principalmente a ultravioleta de banda estreita), é bastante eficaz no controle do eczema, porém pode não estar facilmente disponível.


Nos casos mais graves, os pacientes poderão precisar de medicações orais, incluindo corticoides, imunossupressores, como ciclosporina e metotrexate, entre outros. Já em casos de complicações, como infecções secundárias, é indicado o uso de antibióticos. Alguns casos necessitam de internação hospitalar para controle adequado da dermatose.

Sim. Novos tratamentos promissores estão surgindo, decorrentes de pesquisas médicas, abrindo perspectivas para o melhor controle dessa doença da pele. Entre eles podemos citar: crisaborole (tópico), e drogas de uso sistêmico como dupilumabe (inibidor de IL4 e IL13R), baricitinibe (inibidor da enzima Janus Kinase).

Fiquem atentos: somente o médico pode indicar o medicamento mais adequado para cada caso, bem como a dosagem correta e a duração do tratamento. É preciso seguir rigorosamente as orientações e jamais se automedicar. Também não se deve interromper o uso do medicamento sem consultar o médico e, tomá-lo mais de uma vez ou em quantidades muito maiores do que a prescrita.

Mitos e verdades
sobre a dermatite atópica

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