Covid-19: SBD apela ao Ministério Público contra abuso cometido por Associação de Harmonização Facial



Covid-19: SBD apela ao Ministério Público contra abuso cometido por Associação de Harmonização Facial

11 de abril de 2020
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A Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD) denunciou ao Ministério Público Federal ação da Associação Brasileira de Harmonização Facial (Abrahof) que, por meio de recomendação amplamente divulgada pela imprensa, sugere que o consumo de altas dosagens de vitamina D como forma de prevenção à Covid-19 e para reforçar o sistema imunológico dos indivíduos ante a exposição ao coronavírus. Contra essa postura, a SBD divulgou nota à população e aos profissionais da saúde pedindo que a orientação da Abrahof seja ignorada.

Leia a íntegra da nota da SBD 

“Essa entidade não mede a repercussão de seus atos. Nesse momento em que todos estão unidos na luta contra a Covid-19, ela reforça a desinformação ao divulgar uma orientação que carece de lastro científico. Até o momento, não há qualquer evidência sólida de que o consumo de vitamina D seja eficaz e seguro contra essa doença”, disse o presidente da SBD, Sergio Palma. 

Competências – Porém, alerta ele, há estudos que relatam que o consumo de suplementos aparentemente inofensivos, como as vitaminas, pode causar efeitos adversos na saúde. Na avaliação da SBD, essa entidade, que conta em sua diretoria apenas com cirurgiões-dentistas, extrapola suas competências legais, pois está assegurado pela legislação brasileira que apenas os médicos podem fazer o diagnóstico e a prescrição de tratamentos para doenças. 

“Diante desses fatos, a SBD repudia a postura da Abrahof e roga a todos que ignorem sua recomendação, aguardando que estudos e pesquisas sejam realizados para indicar quais medicamentos e dosagens são cientificamente recomendados para prevenir e tratar os efeitos da Covid-19 na população. O caso será levado ao conhecimento do Ministério Público para que sejam tomadas as devidas providências contra essa série de abusos”, sinaliza o documento da SBD. 

Para Sergio Palma, a postura da Abrahof não surpreende. “Há tempos, os dermatologistas têm tido que lutar contra abusos cometidos por essa Associação que estimula a realização de procedimentos estéticos invasivos por pessoas sem formação médica. Não são raros os relatos de efeitos adversos que resultam em sequelas e mortes. No momento em que mundo luta contra uma pandemia, esse tipo de recomendação apenas materializa a irresponsabilidade desse grupo que só confirma que não tem compromisso com a vida e com a saúde”, disse. 

Nota à imprensa e população

SBD repudia recomendações da Abrahof sobre prevenção à Covid-19

A Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD), preocupada com o impacto negativo causado pela desinformação, vem a público alertar à população e aos profissionais da saúde sobre os riscos contidos em recomendação da Associação Brasileira de Harmonização Facial (Abrahof).
Em nota, amplamente divulgada pela imprensa, essa entidade, que conta em sua diretoria apenas com cirurgiões-dentistas, sugere que o consumo de doses de Vitamina D3 (colecalciferol) ajuda na prevenção contra a Covid-19, além de reforçar o sistema imunológico de pacientes expostos aos coronavírus e à doença. 

Primeiramente, deve ser ressaltado que a legislação brasileira garante apenas aos médicos a possibilidade de fazer o diagnóstico e a prescrição de tratamentos para doenças. Ou seja, o ato praticado pela Abrahof, que não constitui uma entidade médica, afronta as leis em vigor no país. 

Além disso, os diretores da Abrahof, ao extrapolarem sua competência, influenciam negativamente o comportamento da população num momento crítico de luta contra a pandemia causada pelo coronavírus ao fazerem uma recomendação que carece de base científica sólida, portanto, sem elementos que atestem sua segurança e eficácia. 

Diante desses fatos, a SBD repudia a postura da Abrahof e roga a todos que ignorem sua recomendação, aguardando que estudos e pesquisas sejam realizados para indicar quais medicamentos e dosagens são cientificamente recomendados para prevenir e tratar os efeitos da Covid-19 na população. O caso será levado ao conhecimento do Ministério Público para que sejam tomadas as devidas providências contra essa série de abusos. 

Finalmente, a SBD lamenta o ocorrido, mas não está surpresa por ter ciência de que a postura da Abrahof dialoga com seu histórico igualmente reprovável de estimular que procedimentos estéticos invasivos sejam realizados por pessoas sem formação médica adequada, o que expõe pessoas ao risco de complicações graves, inclusive com sequelas e mortes. 

Rio de Janeiro (RJ), 11 de abril de 2020.

Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD)
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