Corpo e mente equilibrados para um atendimento humanizado e direcionado



Corpo e mente equilibrados para um atendimento humanizado e direcionado

18 de junho de 2019
outros-olhares-jsbd-23n2.jpg

JSBD – Ano 23 – N.02 – MARÇO-ABRIL

A humanização da relação médico/paciente tem sido cada vez mais abordada dentro da medicina como forma de melhorar a resposta ao tratamento prescrito. Porém, infelizmente, nem sempre os especialistas estão preparados para dar essa atenção.
 
Médicos, terapeutas corporais e cuidadores em geral precisam estar sincronicamente conectados com aquele de quem cuidam. E, para isso, é preciso mais do que os conhecimentos técnicos e científicos. É necessário, de fato, estar disposto a se aprofundar não apenas no outro, mas em seu autoconhecimento, dedicando parte do tempo a práticas que permitam o enfrentamento de medos, dificuldades e frustrações.
 
O não cuidado consigo e o negligenciamento com a própria saúde, seja física ou mental, acaba, consequentemente, gerando um atendimento de baixa qualidade, que não valoriza as questões pessoais e as necessidades do paciente. “Quem está sendo atendido capta, com toda certeza, pela postura, pela voz, pelo jeito da pessoa olhar, que aquele médico não está bem”, pontua Marcia Senra, coordenadora do Departamento de Psicodermatologia da Sociedade Brasileira de Dermatologia. E ao perceber isso, a confiança no especialista e o resultado do tratamento passado podem não ser os esperados.
 
Para Senra, a saúde e o bem-estar do médico são de suma importância para o sucesso do tratamento com o paciente. Ela explica que, quando uma pessoa não está bem fisicamente ou com qualquer problema emocional, é difícil olhar para o outro. “É impossível estar ali, olhando para o outro com total foco e tranquilidade para colocar toda a atenção na queixa do paciente. Precisamos ouvir, olhar e examinar com muita paciência. Então, paralelamente, o especialista também tem que se cuidar”, diz.
 
A forma como cada um vai procurar o próprio bem-estar depende de si mesmo. Além dos hábitos já tão falados, como ter uma boa alimentação, praticar exercícios e fazer o que gosta – inclusive hobbies -, há no campo das terapias inúmeras opções, como meditações, terapias reichianas, constelações familiares, massoterapia, entre outras opções. Na massoterapia, por exemplo, o toque é usado para inúmeras finalidades, como terapia antiestresse, para relaxamento, na parte estética e esportiva, para melhorar as articulações etc. “O tocar é uma linguagem, uma comunicação que cria o relacionamento humano. A gente sabe que a pele, o sistema nervoso, vem do mesmo folheto embrionário. Então, a atitude do tocar induz a várias alterações neuronais, glandulares, musculares. São muitas as vantagens dessa prática para o autocuidado. Cada pessoa se adapta a um tipo e tem uma necessidade”, explica.
 
Mas há também quem não goste de ser tocado, que sinta uma sensação desagradável, uma intimidade que gera mal-estar. Para essas pessoas, a massoterapia talvez não seja a mais indicada. Por isso, Marcia diz que cada um deve buscar o seu próprio caminho, desde que o faça com o coração aberto e com a disposição de mergulhar fundo. E vai além: “A rotina médica é altamente demandante. Além dos aspectos da própria profissão, há, ainda, as pressões do dia a dia. A maneira como cada um vai lidar com os estressores faz muita diferença. Por isso, investir no autoconhecimento e não se comparar com outros profissionais é fundamental. É preciso ajustar a sua personalidade ao que quer na sua vida e fazer escolhas. Porque se não prestar atenção nessa carga, com certeza vai adoecer”, enfatiza a coordenadora da SBD.

 

 

 





SBD

Sociedade Brasileira de Dermatologia

Av. Rio Branco, 39 – Centro, Rio de Janeiro – RJ, 20090-003

Copyright Sociedade Brasileira de Dermatologia – 2021. Todos os direitos reservados