A dermatologia nos tempos da covid-19



A dermatologia nos tempos da covid-19

10 de junho de 2021
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Por Magda Weber
Professora adjunta da Fundação Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre

Desde março de 2020, no Brasil, convivemos com a pandemia causada pelo SARS-COV2, o que tem afetado os mais variados segmentos da sociedade, da medicina e da vida em geral.

Na dermatologia não poderia ocorrer de forma diferente. Estamos frente a uma piora da qualidade de vida dos pacientes e a um aumento das dermatoses em geral (além das causadas pela covid-19) e também das psicodermatoses.

Os efeitos psicossociais da pandemia, o aumento das dermatites de contato e outras dermatoses pelo uso de desinfetantes, lavagem frequente das mãos e de toda a pele, uso de EPIs, em especial nos trabalhadores da saúde, acesso limitado a consultas dermatológicas, distanciamento social são fatores que contribuem para uma piora da qualidade de vida dos pacientes.

É fato que a pandemia do SARS-COV2 tem acarretado várias alterações psicológicas, incluindo ansiedade, depressão, medo acentuado, insônia e sentimentos de negação da doença.

Cabe ao dermatologista, ao atender seus pacientes, atentar cuidadosamente neste momento aos sintomas e sinais destas alterações psicológicas, visando  definir se são exclusivamente por conta de alguma dermatose ou se estão associados a alterações decorrentes da pandemia.

O uso de psicofármacos, que em muitas dermatoses é extremamente útil e indicado, deve ser avaliado cuidadosamente, com base nos sintomas e sinais psicológicos decorrentes da pandemia e dos sinais e sintomas das dermatoses específicas.

Além disso, cabe lembrar que, na dermatologia, os pacientes cosmetológicos são um grupo que muitas vezes demandam um cuidado especial, sobretudo com relação à identificação dos transtornos dismórficos corporais. Esse grupo deve ser bem avaliado no atual momento para que não seja deixado sem diagnóstico, transtorno maior do que todos que já se fazem presentes durante este período excepcional dos dias de hoje.

O dermatologista, como todos os trabalhadores da área da saúde, está diariamente sendo confrontado com novos desafios decorrentes da pandemia, novas dermatoses, novos conceitos.

Trazer para o presente à luz destes novos conhecimentos conceitos dermatológicos já existentes e tratamentos já consagrados, se faz indispensável na contemporaneidade. As psicodermatoses e seu tratamento adequado não podem ser esquecidas e deixadas de ser tratadas adequadamente.

 





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