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Sociedade Brasileira de Dermatologia alerta a população a procurar um dermatologista sempre que perceber alguma mancha branca na pele

23/06/2017 12:30

O vitiligo é uma doença que acomete aproximadamente 0,5% da população mundial, sendo caracterizado pela perda da pigmentação da pele.  As lesões se formam devido à diminuição ou ausência de melanócitos (células responsáveis pela formação da melanina, pigmento que dá cor à pele) nos locais afetados. As causas da doença ainda não estão claramente estabelecidas, mas diversos fenômenos autoimunes estão associados ao vitiligo. Além disso, alterações ou traumas emocionais podem estar entre os fatores que desencadeiam ou agravam a doença.

Dr. Caio Cesar Silva de Castro, médico dermatologista da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD), lembra que “o vitiligo não é contagioso”. Além disso, reforça que “para obter sucesso no tratamento, é importante que a consulta ao médico dermatologista, para diagnóstico e tratamento, seja realizada precocemente”.

A doença é caracterizada por lesões cutâneas hipopigmentadas, ou seja, manchas brancas na pele com uma distribuição característica.  O tamanho das manchas é variável. O vitiligo possui diversas opções terapêuticas, que variam conforme o quadro clínico de cada paciente.

A maioria dos pacientes de vitiligo não manifesta qualquer sintoma além do surgimento de manchas brancas na pele. Em alguns casos, relatam sentir sensibilidade e leve coceira na área afetada.  Entretanto, uma grande preocupação dos dermatologistas são os sintomas emocionais que os pacientes podem desenvolver em decorrência da doença.

Mesmo não havendo cura, muitos pacientes podem repigmentar totalmente e se manter estáveis por longo prazo.

O tratamento do vitiligo é individualizado e deve ser discutido com um médico dermatologista, conforme as características de cada paciente.  Os resultados podem variar consideravelmente entre uma pessoa e outra.  Por isso, somente um profissional qualificado pode indicar a melhor opção.

Prevenção

Pacientes devem evitar fatores que possam precipitar o aparecimento de novas lesões ou acentuar as já existentes, como usar roupas apertadas, ou que provoquem atrito ou pressão sobre a pele, e diminuir a exposição solar. Controlar o estresse é outra medida bem-vinda.

As lesões provocadas pela doença, não raro, impactam significativamente na qualidade de vida, na autoestima e interferem com as interações sociais. Por isso, na maioria casos, recomenda-se o acompanhamento psicológico, que pode ter efeito bastante positivo nos resultados do tratamento.

Pesquisa

Entre janeiro e julho de 2017, a atual Diretoria da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD) realizou pesquisa inédita sobre a prevalência do vitiligo no Brasil.  Sob a coordenação dos dermatologistas Dr. Hélio Miot, do Departamento de Dermatologia e Radioterapia da Unesp, e Dr. Caio Castro, do Departamento de Dermatologia Pontifícia Universidade Católica do Paraná – PUCPR, a enquete foi realizada com 17.004 pessoas de 6.048 municípios, com idade média de 41 anos, que moram em 87 cidades brasileiras com mais de 300 mil habitantes. Na América Latina e especificamente no Brasil, não havia dados populacionais consolidados sobre a doença, o que motivou a realização do levantamento. “Como o Brasil é um país continental com uma população miscigenada, ficou interessante fazer esse tipo de levantamento nessa população”, considerou Dr. Hélio Miot.

A enquete foi realizada em duas etapas. A primeira fase, coordenada pela Unidade de Pesquisa em Saúde Coletiva da Unesp, consistiu em entrevistas telefônicas selecionadas de forma aleatória nas cidades brasileiras com mais de 300 mil habitantes.  Na segunda etapa, coordenada por Dr. Caio Castro, a coleta de dados foi feita a partir de entrevistas individuais com as pessoas que apresentaram diagnóstico de vitiligo para avaliação desse grupo no estudo populacional.

A primeira fase da pesquisa da SBD identificou 97 casos de vitiligo (0,57%), com 48 diagnósticos da doença em homens e 49 em mulheres, e idades entre 22 e 46 anos. “Notamos que o crescimento da prevalência ocorre em função da faixa etária. O que faz sentido, pois o vitiligo é uma doença crônica que começa na juventude e vai acompanhando a velhice”, disse Dr. Caio Castro.

As regiões Centro-Oeste (0,69%), Sudeste (0,66%) e Norte (0,65%) apresentaram os maiores índices da doença, enquanto as regiões Nordeste (0,39%) e Sul (0,40%) registraram os menores números. “Vamos mergulhar nesses dados e investigar essa variabilidade ocorrida e, em função da densidade de profissionais no país, avaliar se onde há mais médicos e consequentemente mais diagnósticos, o número de casos de vitiligo é maior. Também faremos uma análise da composição étnica da população e da irradiação solar anual”, completou Dr. Hélio Miot.

Vitiligo no mundo – A prevalência da doença no mundo é extremamente variável, sendo maior em africanos, menor em europeus e orientais, e maior em mulheres. As prevalências populacionais em alguns países no mundo são: China (0,09%); Dinamarca (0,38%); Estados Unidos (0,40-2%); Índia (1,13%).

Campanha nas redes sociais – Durante a semana do Dia Mundial do Vitiligo, que é 25 de junho, a SBD tem promovido uma série de divulgações nas redes sociais para marcar a data. As peças esclarecem as principais dúvidas sobre a doença e reforçam que o vitiligo não é contagioso.

  Acompanhe as informações sobre a doença no site e nas mídias sociais da SBD. Busque um médico associado à SBD: http://www.sbd.org.br/buscar-associados/

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