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Jovem Dermatologista

Foco, ineditismo e boas ideias

18/06/2019 04:50

JSBD - Ano 23 - N.02 - MARÇO-ABRIL

 

Catarinense de Balneário Camboriú, o jovem Gerson Dellatorre já pensava na medicina ainda na fase escolar. Filho de cardiologista, a predileção pelas matérias biologia e química já davam indícios do caminho que seguiria. Hoje, com 34 anos, enveredou pelo campo da produção científica, após concluir residência médica em dermatologia no Hospital Santa Casa de Curitiba, onde é preceptor há mais de cinco anos. Suas descobertas, até agora, que ele classifica como feitas por acaso, na verdade causaram bastante empolgação no meio acadêmico. Não à toa três artigos seus foram aceitos no JAAD e um no British Journal.

Com publicações em várias áreas de dermatologia, Gerson ultimamente tem veiculado casos inéditos na temática do transplante de melanócitos, como o primeiro caso da aplicação da técnica em paciente com lúpus eritematoso cutâneo subagudo (Journal of Cosmetical Dermatology) e também em paciente transplantado de órgão sólido com vitiligo (Anais Brasileiros de Dermatologia).

“Meu interesse dentro da dermatologia é amplo, mas, em especial, em cirurgia dermatológica (câncer da pele, transplante de melanócitos, vitiligo etc.).  Gosto muito de pérolas, sejam clínicas ou cirúrgicas; são de fácil reprodução e provocam grande impacto prático na vida do leitor, pois mudam sua rotina na prática”, comenta Delatorre. Quatro de suas publicações recentes, aliás, foram nesse formato: “Reliable head bandage”; “Syringe pen: an alternative skin-marking tool in dermatologic surgery”; “Wide area digital dermoscopy” e “Stamped adhesive ruler”, todas no Blue Journal.

Gerson começou a publicar ainda na graduação, mas por acaso. Quando acadêmico, sofreu um acidente por um tipo específico de água-viva, a Linuche unguiculata. Ao consultar seu professor e incentivador na dermatologia André Luiz Rossetto, este o informou que estava registrando casos para um estudo clínico-epidemiológico. “No final das contas, acabei entrando para a casuística do estudo e fui convidado para ser co-autor desse artigo, que foi publicado na Revista do Instituto de Medicina Tropical de São Paulo (“Seabather's eruption: a clinical and epidemiological study of 38 cases in Santa Catarina State, Brazil”)”, comenta. Mais tarde, já na época da residência, um conselho fundamental foi dado pelo amigo Caio Castro: a importância do ineditismo antes de pensar em fazer qualquer estudo.

Para seus papers, além do ineditismo já citado, a inspiração parte da vontade incessante de responder a dúvidas e tentar arranjar soluções para problemas da prática dermatológica. “Já tive ideias até dormindo. Acho que uns dos pontos que favorecem esse surgimento é a curiosidade interminável. Isso acaba fazendo com que sempre estejamos com a cabeça em funcionamento. Acredito muito também em serendipidade (descobertas feitas por acaso). Duas de nossas últimas publicações internacionais sobre uma nova técnica de dermatoscopia vieram de uma ideia que tive enquanto estava buscando uma solução para uma questão de edição de imagens num software de computador. E dali saiu o conceito de dermatoscopia digital de campo amplo (wide area digital dermoscopy)”, explica. E esse modus operandi tem dado certo. Prova disso é que, nos últimos 12 meses, foram publicados sete trabalhos, sendo quatro deles em seis meses. “Não considero um número expressivo, mas no Brasil, infelizmente, acabamos publicando por paixão e não por profissão. Ou seja, para nos debruçar sobre um paper, temos que acabar sacrificando tempo da vida pessoal ou de consultório para conseguir produzir artigos de qualidade”, complementa.

Para o futuro, mestrado e doutorado estão em seus planos. Mas com um porém: que o tema central seja empolgante e traga impacto para a sociedade científica. “Estou aguardando surgir uma boa ideia”, pontua. Ninguém duvida de que ela logo aparecerá.

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