Sucesso do V Simpósio Internacional sobre Unhas e Cabelos da SBD pode levar a adoção de formato híbrido em 2021




12 de novembro de 2020 0


O presidente da SBD, Sérgio Palma, entre os coordenadores e assessores do Departamento de Cabelos e Unhas da SBD

Sucesso de audiência neste ano, o tradicional Simpósio Internacional de Cabelos e Unhas da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD) pode sofrer as consequências da Covid-19 na sua próxima edição, prevista para maio de 2021. No que acaba de ser realizado, de 6 a 8 de novembro, as atividades aconteceram de modo online, inclusive com a participação à distância de convidados internacionais, coordenadas a partir de um estúdio montado especialmente para o evento. Contudo, o alto nível de participação e a boa avaliação do evento levam os organizadores a pensar num modelo híbrido no futuro, mesmo após o fim da pandemia.

“Temos aprendido com os novos tempos. Até o início de 2020, não tínhamos experiências na realização de grandes encontros, com a participação de congressistas e convidados à distância. Porém, a Covid-19 nos levou a buscar alternativas, inclusive por conta de avanços tecnológicos. A experiência tem nos mostrado ser possível manter a qualidade dos eventos. Talvez a solução esteja em conciliar o melhor do presencial e do remoto”, disse o presidente da SBD, Sergio Palma, um dos coordenadores do V Simpósio Internacional de Cabelos e Unhas.


A coordenadora e a assessora do Departamento de Cabelos e Unhas, Robertha Carvalho de Nakamura e Tatiana Villas Boas Gabbi, respectivamente, comandaram mesa que discutiu os exames microscópicos com a participação dos especialistas Adam Ruben (EUA); Josette Andre (Bélgica) e Alexandre Michalany (SP)

Exposições – Em 2020, o Simpósio contou com cerca de mil inscritos e 60 palestrantes. Dentre os nomes que contribuíram com exposições e debates, se destacam a belga Josette Andre, ex-presidente do European Nail Society; a polonesa Lidia Rudnicka, presidente da Polish Dermatological Society; e o alemão Eckart Haneke, um dos maiores especialistas em unhas do mundo.

As atividades, que foram também organizadas por Leonardo Spagnol Abraham e Robertha Carvalho de Nakamura – ambos coordenadores do Departamento de Cabelos e Unhas da SBD – , buscaram promover discussões aprofundadas sobre alguns dos tópicos mais relevantes nas áreas, inclusive envolvendo a incorporação de novas terapêuticas à prática nos consultórios. Na condução das diferentes sessões, seguindo nova lógica para estimular remotamente a participação dos dermatologistas, os expositores apresentaram casos clínicos e informações atualizadas sobre os temas, a partir do que há de mais recente na literatura científica.

“Conseguimos trazer nomes de peso, tanto nacionais quanto internacionais, e promovemos debates importantíssimos, com todos participando, mesmo à distância. O professor Nilton Di Chiacchio, por exemplo, palestrou no módulo sobre onicocriptose. Após apresentar vários casos clínicos, ele questionou outros palestrantes sobre quais condutas tomariam. Isso fomentou debate que envolveu todos os participantes.  Essa era a nossa proposta. Apesar de ter sido uma experiência nova, a dinâmica funcionou muito bem. Estamos muito contentes com o resultado”, ressaltou Robertha Carvalho de Nakamura.


Os dermatologistas Rodrigo Pirmez (RJ), Fabiane Andrade Mulinari Brenner (PR), Paulo Müller Ramos (PR) e o coordenador da mesa Leonardo Spagnol Abraham (DF) responderam às diversas questões sobre hot topics em alopecia androgenética, como o manejo do Minoxidil, os novos antiandrógenos e as terapias alternativas na alopecia androgenética

Além dos temas relacionados a unhas, a programação focada em cabelos, dentro do Simpósio, também chamou a atenção. Entre os assuntos colocados em perspectiva, tiveram destaque os antiandrôgenos nas alopecias: a interface dermatologia, urologia e mastologia; o impacto da pandemia nas diversas tricoses; e o lançamento do primeiro Consenso Brasileiro de Alopecia Areata. Debate sobre a visão atual dos alisantes no Brasil, que contou com a participação de um representante da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), também foi acompanhado com atenção.

“Apesar dos riscos, o formol continua sendo utilizado de forma irregular em salões de beleza. Já foram encontrados traços da substância em vários procedimentos, como as chamadas escovas inteligente, marroquina, egípcia, de chocolate, selagem, botox capilar etc”, lembrou Leonardo Spagnol Abraham, ao comentar o assunto, que continua sendo monitorado pela SBD.

Lembrando que as aulas do Simpósio foram gravadas e ficarão disponíveis em plataforma exclusiva para serem assistidas por 60 dias após o evento. Dessa forma, você poderá rever os temas de que mais gostou ou que não acompanhou ao vivo no momento da apresentação. Em breve, a SBD anunciará em seus canais de comunicação a data em que o conteúdo será disponibilizado aos congressistas.

 


5 de novembro de 2020 0

Assuntos institucionais

Desde abril, a SBD tem promovido uma série de encontros online, o SBD Live. A atividade contempla em uma plataforma digital exclusiva diversos assuntos da dermatologia, com a participação de renomados especialistas para debater sobre os avanços e as atualizações na área.

“A missão do projeto SBD Live é disseminar conhecimento e contribuir para o aprimoramento dos dermatologistas brasileiros, especialmente nesse período de crise. Essa é mais uma iniciativa da diretoria e dos Departamentos Científicos pela valorização dos associados. De forma geral, temos registrado audiência e repercussões bastante positivas. Por isso, convidamos todos os especialistas a continuar prestigiando as lives semanais da SBD”, afirma o presidente da SBD, Sérgio Palma, que atuou como moderador na maioria dos encontros.

Até então foram realizados 22 webinares − na última edição do JSBD mostramos o resumo dos onze primeiros. Neste número, você saberá um pouco mais sobre o que aconteceu nas lives realizadas de agosto a novembro. Quem perdeu ou deseja rever os debates basta acessar a plataforma de webinares da SBD.


#SBD Live 12 No início de agosto, a SBD promoveu o debate sobre as tecnologias fracionadas. O ponto central do encontro, em parceria com a Lummex Medical Devices, comparou o uso de tecnologias fracionadas no tratamento de estrias, cicatrizes, envelhecimento e outros problemas da pele. Participaram a coordenadora do Departamento de Lasers e Tecnologias da SBD, Taciana Dal’Forno Dini; a chefe do Ambulatório de Lasers do Hospital Universitário Evangélico Mackenzie (HUEM), Juliana Jordão; e a coordenadora do Ambulatório de Cosmiatria da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), Luiza Pitassi. Após as apresentações, os especialistas esclareceram as diferentes dúvidas encaminhadas pelos espectadores da live. Dentre as questões respondidas destacaram-se a diferença entre os resultados da luz intensa pulsada e do laser fracionado ablativo no tratamento de estrias; uso do laser para rejuvenescimento facial em pacientes com melasma e a utilização da radiofrequência cirúrgica.
Saiba mais em: http://www.sbd.org.br/noticias/tecnologias-fracionadas-sao-comparadas-na-12-edicao-do-sbd-live/.

#SBD Live 13 A live do dia 11 de agosto orientou dermatologistas na retomada dos atendimentos em consultório, com ênfase na realização de procedimentos estéticos. A atividade contou com o patrocínio da Allergan Aesthetics. No encontro, a professora adjunta de dermatologia na Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj) Daniela Antelo reforçou a necessidade de estabelecer protocolos de pré-atendimento, no intuito de fornecer, por meio das tecnologias digitais de comunicação, indicações úteis aos pacientes, como a obrigatoriedade do uso de máscaras. Já o assessor do Departamento de Lasers e Tecnologias da SBD Geraldo Magalhães Magela comentou aspectos de biossegurança para o médico e demais colaboradores, abordando o uso e manuseio de EPIs em procedimentos cosmiátricos com injetáveis, lasers e demais tecnologias. A live também teve a participação do presidente da SBD, Sérgio Palma, que fez a abertura do encontro. No final das apresentações, os especialistas responderam às questões encaminhadas pelos espectadores da live, entre elas: o que fazer quando o paciente chega ao consultório com febre; durabilidade das máscaras N95; e realização de procedimentos com tecnologias ablativas. Saiba mais em: http://www.sbd.org.br/noticias/covid-19-seguranca-na-retomada-dos-atendimentos-dermatologicos-e-discutida-em-nova-edicao-do-sbd-live/.

#SBD Live 14 O uso de injetáveis foi o tema da live realizada no dia 26 de agosto. Na moderação do encontro, o presidente Sérgio Palma ressaltou a importância da boa relação entre médico e paciente antes de realizar qualquer procedimento estético. Os associados puderam se aprofundar no assunto e tirar dúvidas com a coordenadora e duas assessoras do Departamento de Cosmiatria da SBD, Alessandra Romiti, Sylvia Ypiranga e Patricia Ormiga, respectivamente. Ao final das apresentações, os especialistas responderam ainda às perguntas dos espectadores sobre escolha de ácido hialurônico; utilização de cânula de preenchimento; uso da toxina botulínica no contorno facial; entre outros temas. Saiba mais em: http://www.sbd.org.br/noticias/no-14-sbd-live-dermatologistas-discutem-o-uso-de-injetaveis-e-a-importancia-da-relacao-medico-paciente/.

#SBD Live 15 O encontro ocorrido no dia 1º de setembro, reuniu a dermatologista Débora Ormond, membro da Comissão de Ética e Defesa Profissional da SBD e da Câmara Técnica de Dermatologia do CFM; a advogada Mariely Ferreira Macedo, coordenadora do Departamento Jurídico do Conselho Regional de Medicina do Estado de Mato Grosso (CRM-MT); o 3º vice-presidente do CFM e coordenador do processo de revisão do Manual de Publicidade Médica da Codame, Emmanuel Fortes; o consultor jurídico da SBD, Alejandro Bullon; além do presidente da SBD, Sérgio Palma, para a discussão sobre defesa profissional e marketing médico. A edição ofereceu atualização de conhecimento aos associados durante a vigência das medidas de distanciamento social, impostas pela pandemia de Covid-19 e estimulou o debate em torno de questões relacionadas às regras de publicidade e propaganda médicas. A promoção de produtos cosméticos dentro das clínicas; uso de redes sociais no marketing médico; divulgação de resultados sensacionalistas; exposição de dados de pacientes na internet foram alguns temas em pauta. Saiba mais em: http://www.sbd.org.br/noticias/em-live-a-sbd-recolhe-subsidios-para-levar-propostas-para-revisao-de-regras-de-publicidade-medica/.

#SBD Live 16 Com o tema “Nutroterapia do envelhecimento cutâneo”, a edição realizada no dia 8 de setembro contou com palestras da assessora do Departamento de Cabelos e Unhas Tatiana Gabbi; e da assessora do Departamento de Dermatologia Geriátrica Marcelle Nogueira. A moderação foi feita pelo presidente da entidade, Sérgio Palma. No início de sua apresentação Tatiana Gabbi falou sobre o expossoma. Segundo a especialista, desde o nascimento até a morte somos expostos a diversos fatores internos e externos que influenciam as funções biológicas e mecânicas de todos os nossos órgãos. Na sequência, Marcelle Nogueira falou sobre a importância de buscar a segurança para o paciente em relação ao tratamento de antienvelhecimento. A oxidação, ela explicou, serve para uma série de sinalizações intracelulares importantes para processos vitais. O encontro contou com o patrocínio da Nestlé Healthy Science. Saiba mais em: http://www.sbd.org.br/noticias/na-16-edicao-do-sbd-live-participantes-discutiram-a-influencia-da-nutroterapia-no-envelhecimento-cutaneo/.
 
#SBD Live 17 A décima sétima edição do SBD Live, realizada em 15 de setembro, debateu os conceitos gerais, a barreira cutânea e o microbioma na dermatite atópica. No mês de setembro, cabe lembrar, a SBD realizou uma série de ações relativas à dermatite atópica, cujo dia mundial, 14 de setembro, foi comemorado. Participou dessa live a assessora do Departamento de Dermatologia Pediátrica da SBD Clarissa Prati. Após as exposições da convidada, o diretor financeiro da SBD, Egon Daxbacher, juntamente com o presidente da entidade, Sérgio Palma, mediou as questões enviadas pelos espectadores. Entre os tópicos abordados com a especialista, estão questões como, orientações sobre o banho; uso de hipoclorito de sódio; qual sabonete syndet é mais adequado para qual momento; o uso de probióticos; a alergia alimentar e a DA; e quais óleos usar pré e pós-banho. Saiba mais em: http://www.sbd.org.br/noticias/17-edicao-do-sbd-live-aborda-os-conceitos-gerais-a-barreira-cutanea-e-o-microbioma-na-dermatite-atopica/.
 
#SBD Live 18 Aspectos da imunologia da dermatite atópica (DA) foram debatidos na 18ª edição do SBD Live, ocorrida no dia 22 de setembro. Caracterizada por lesões e erupções na pele a doença afeta a qualidade de vida do paciente e pode estimular problemas como insônia, ansiedade e depressão. A iniciativa recebeu o apoio da AbbVie. A aula expositiva foi conduzida pela dermatologista Ana Paula Galli Sanchez, e a mediação pelo professor adjunto de dermatologia da Santa Casa de Curitiba e coordenador do JSBD, Caio de Castro, e pelo presidente da SBD, Sérgio Palma. De acordo com Ana Paula, a DA está geralmente associada a níveis elevados de IgE no sangue e pode ocorrer simultaneamente com outras doenças inflamatórias do tipo 2, tais como a asma e a rinite alérgica. A especialista citou estudos que destacam outros subtipos de LT (além dos LTh2) responsáveis pela manutenção do processo inflamatório, como os LTh22. Além disso destacou que na dependência da idade, da fase do processo inflamatório e da etnia do paciente, os LTh17 e os LTh1 podem participar da resposta imunológica. Saiba mais em: http://www.sbd.org.br/noticias/aspectos-da-imunologia-da-dermatite-atopica-foram-debatidos-na-18-edicao-do-sbd-live/.

#SBD Live 19 Em live aberta ao público, especialistas da SBD elucidaram mitos e verdades sobre a dermatite atópica no encontro promovido em 23 de setembro, Dia de Conscientização sobre a doença. A iniciativa contou com o apoio da AbbVie e teve transmissão ao vivo pelo canal do Youtube da SBD. Milhares de pessoas assistiram à apresentação com a participação da assessora do Departamento de Dermatologia Pediátrica da SBD Clarissa Prati, do dermatologista Guilherme Muzi e do presidente da SBD, Sérgio Palma, que atuou como moderador da conversa. O presidente abriu o debate salientando que ao longo daquele mês a SBD promoveu ampla campanha sobre a doença em todos os seus canais de comunicação “a fim de sensibilizar os brasileiros para esse problema. A dermatite atópica pode atrapalhar muito a qualidade de vida dos pacientes quando não é adequadamente acompanhada”, observou. Durante o bate-papo, foram abordados diversos mitos e verdades, e durante as apresentações discutidas questões como a relação entre o estresse e a DA; se só crianças apresentam a doença; as manifestações da doença de acordo com a faixa etária; o elo entre DA e infecções de vias aéreas superiores; a necessidade de dietas restritivas. Também se falou sobre a relação entre o clima e a DA; a confusão entre dermatite e eczemas; manifestações no couro cabeludo; e o tratamento da doença em peles negras, entre outros assuntos. Saiba mais em: http://www.sbd.org.br/noticias/em-live-aberta-ao-publico-especialistas-da-sbd-elucidam-mitos-e-verdades-sobre-a-dermatite-atopica/.

#SBD Live 20 Especialistas debateram proteção solar e antioleosidade na 20a edição do SBD Live, em 29 de setembro. Em formato de simpósio patrocinado, a atividade reuniu Marco da Rocha, preceptor do Ambulatório de Cosmiatria da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp); Sérgio Schalka, diretor clínico do Medcin − Instituto da Pele; e Cristina Vendruscolo, gerente científica da Nivea Brasil.
 
#SBD Live 21 Casos desafiadores de melanoma ganharam destaque na live do dia 13 de outubro. A atividade levou aos espectadores atualização científica com base na exposição de casos clínicos reais, de difícil resolução, verificados no dia a dia do consultório de especialistas com ampla experiência no diagnóstico precoce do câncer da pele. A mediação das explanações técnicas ficou sob responsabilidade do vice-presidente da SBD e presidente da próxima gestão da entidade, Mauro Enokihara. Também participaram do evento compondo a mesa de debate: Flávia Bittencourt, 1ª secretária da SBD e chefe do Serviço de Dermatologia do Hospital das Clínicas da Universidade Federal de Minas Gerais (HC-UFMG); Mariana Dias Batista, membro do corpo clínico do Hospital Sírio Libanês e da Beneficência Portuguesa de São Paulo; e Tatiana Cristina Blumetti, médica assistente do Núcleo do Câncer de Pele do Hospital AC Camargo Cancer Center.

#SBD Live 22 A vigésima segunda edição do projeto SBD Live destacou o rejuvenescimento da região periorbitária com laser e tecnologias. A moderação esteve a cargo do presidente da SBD, Sérgio Palma, e da coordenadora do Departamento de Lasers e Tecnologias da entidade, Taciana Dal’Forno Dini. Na condução das explanações científicas, participaram Rachel Garcia (RS) e Shirlei Borelli (SP), médicas que possuem grande expertise no manejo de tecnologias em tratamentos faciais.

#SBD Live 23 Um novo debate científico sobre o melanoma marcou a primeira semana de novembro do SBD Live. Conduziram as explanações técnicas o professor associado da Faculdade de Ciências Médicas da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), Carlos Barcaui; a dermatologista do A. C. Camargo Cancer Center, Adriana Mendes; e o cirurgião oncológico e o oncologista clínico do Hospital Sírio Libanês, respectivamente Francisco Belfort e Rodrigo Munhoz. A coordenação do encontro ficou sob a responsabilidade do vice-presidente da SBD, Mauro Enokihara.

 

 


29 de outubro de 2020 0

Cinco milhões de brasileiros que vivem com psoríase passam a contar, a partir de agora, com um novo fluxograma de tratamento e um delineamento atualizado nas estratégias para ajustes em suas terapias. O documento, elaborado pela Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD), orientará o manejo dos pacientes com essa doença em diferentes fases de cuidados, prevendo a incorporação de avanços científicos e tecnológicos ocorridos ao longo dos últimos oito anos, data da edição de texto anterior (2012).

Do total de pessoas com diagnóstico de psoríase em torno de 3,7 milhões (73,4%) têm sua qualidade de vida comprometida. Isso em decorrência de manifestações dessa doença na pele que comprometem movimentos, causam desconforto e geram exposição dos portadores a situações de preconceito por conta de desconhecimento da população. Para o presidente da SBD, Sérgio Palma, muitos pacientes desenvolvem quadros de depressão e outros transtornos de saúde mental devido à reação de alguns diante das lesões.  “Por isso, é essencial levar informações sobre a psoríase e suas implicações aos brasileiros. É o que a SBD fez em campanha recém encerrada sobre o tema”, destacou.

Medicamentos – Entre as mudanças que são trazidas pelo Consenso Brasileiro de Psoríase 2020 e Algoritmo de Tratamento da SBD estão a definição de novos desfechos, de metas de tratamento e de critérios de gravidade, bem como o uso de medicamentos imunobiológicos. Essas substâncias terapêuticas consideradas de última geração têm grande eficiência no tratamento de doenças autoimunes, como é o caso da psoríase. Produzidos por sistemas biológicos vivos, com estrutura molecular complexa, de alto peso molecular e homóloga às proteínas humanas, esses medicamentos são capazes de atuar em locais específicos das vias imunológicas e inflamatórias.

O Consenso da SBD servirá como referência para formulação de protocolos de atendimento e de políticas públicas voltadas aos pacientes com psoríase – de moderada à grave, apostam os dirigentes da entidade. Segundo Sérgio Palma, esse documento terá grande repercussão nas práticas adotadas em serviços oferecidos pelo Sistema Único de Saúde (SUS) e pela área privada, com a incorporação, exclusão ou alteração de tecnologias. “Por meio dele, fica estabelecido um parâmetro moderno de assistência para pessoas com psoríase, o qual deve ser agregado à prática clínica para trazer maior efetividade, segurança e conforto no manejo dessa doença que não tem cura, mas que, com as orientações e suporte terapêutico corretos, pode causar menos desconforto aos seus portadores”, disse Palma.

Doença – Grande parte da população ainda desconhece a psoríase. Trata-se de uma doença inflamatória crônica da pele e das articulações, de caráter imunomediado e não contagioso, que afeta cerca de 125 milhões de indivíduos em todo o mundo. Pelo menos 5 milhões estão no Brasil. Lesões nos joelhos, cotovelos, couro cabeludo e genitais são as manifestações clínicas mais comuns.

“Entende-se que os cuidados com portadores de psoríase, principalmente os mais jovens, devem ser entendidos como tema prioritário para a agenda pública de saúde. Por conta de seu caráter sistêmico, essa doença, antes vista como agravo de pele, passou a ser relacionada a doenças do sistema cardiovascular, ou seja, o portador tem maior risco de desenvolver outros transtornos. Por isso, esse Consenso deve ser um instrumento de consulta voltado a quem enfrenta essa doença, seja como paciente ou como médico assistente responsável”, disse o dermatologista Ricardo Romiti, professor da Universidade São Paulo (SP) e responsável pela publicação.

Epidemiologia – Na avaliação dos especialistas da SBD, no Brasil, a composição étnica, aumento da longevidade, além de características climáticas e de insolação podem implicar em dados epidemiológicos únicos e diferentes prevalências regionais de psoríase. Essas características também influenciam, no País, as manifestações graves dessa doença e sua resposta às terapêuticas disponíveis.

Dados recentes da SBD estimam a prevalência da psoríase, no Brasil, em 1,31% da população, sendo 1,15%, em mulheres; e 1,47%, em homens. Houve, ainda, a identificação de um aumento da prevalência de psoríase quanto à faixa etária: abaixo dos 30 anos, de 0,58%; entre 30 e 60 anos, de 1,39%; e entre maiores de 60 anos, 2,29%. As regiões do país também diferem quanto à prevalência da doença, com maiores indicadores nas regiões Sul e Sudeste, em contraste com Centro-Oeste, Norte e Nordeste.

O tratamento desse transtorno visa a redução do desconforto que causa. Em pacientes com quadros leves, o Protocolo Clínico de Diretrizes Terapêuticas (PCDT), do Ministério da Saúde, ainda em vigor, orienta a prescrição de medicamentos externos, como cremes e pomadas com corticosteroides, calcipotriol e ácido salicílico. Nos casos moderados e graves, a opção prioritária é a fototerapia ultravioleta B (UVB) ou ultravioleta A (PUVA), assim como medicamentos orais sistêmicos. A SBD inova ao propor que seja agregado ao PCDT os chamados imunobiológicos e terapias-alvo, considerados os tratamentos mais modernos, pois atuam como anticorpos, bloqueando a proteína que causa a inflamação.

Apesar de não ter cura, é possível reduzir o aparecimento de episódios da doença em seus portadores, alertam os especialistas. Para tanto, recomenda-se a adoção de hábitos de vida saudáveis, como: alimentação equilibrada, prática de atividade física, não fumar e evitar situações de estresse emocional. Também é recomendado o uso de hidratante e controlar a exposição diária ao sol. No entanto, alerta Ricardo Romiti, “é essencial sempre contar com suporte de médico dermatologista para fazer o diagnóstico e acompanhar o paciente para fazer ajustes na terapêutica, caso necessário”.

O Consenso Brasileiro de Psoríase 2020 e Algoritmo de Tratamento da Sociedade Brasileira de Dermatologia foi elaborado sob a coordenação dos especialistas Sérgio Palma (PE), Ricardo Romiti (SP), André Vicente E. de Carvalho (RS) e Gleison V. Duarte (BA). O documento tem 35 capítulos e reúne a produção de 80 colaboradores, que fizeram a estratificação de níveis de evidência e seu grau de recomendação sobre diferentes tópicos relacionados à doença.


23 de outubro de 2020 0

Entrevista

Considerados pela Organização Mundial da Saúde (OMS) um dos maiores riscos à saúde no mundo, os movimentos antivacinas têm tomado proporções inimagináveis – ao contrário do que ocorre em países europeus e nos Estados Unidos, não existe um movimento antivacina estruturado no Brasil, mas sim fragmentado e impulsionado pelas redes sociais. E em tempos de pandemia do novo coronavírus e de retorno de doenças já controladas, como o sarampo e a febre amarela, a ideia de que alguém ou um grupo possa ser contrário à imunização é um risco para a população mundial. Essa situação, contudo, tem acontecido com frequência. E uma das causas é a forte concorrência entre informações oficiais sobre problemas de saúde pública e as fake news (notícias falsas) que desacreditam a eficácia e segurança das vacinas. No entanto, sem as vacinas, possivelmente não estaríamos vivos em um mundo repleto de doenças.

A dermatologista Cecília Bortoletto, membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD), explica que, embora muito se fale sobre o assunto de alguns anos para cá, essa oposição às vacinas não é exatamente um fenômeno recente – na realidade, teve início com a introdução da vacina de varíola no final do século 18. “Trabalhos recentes mostram que as crenças e os argumentos dos movimentos antivacinas mantiveram-se inalterados nos dois últimos séculos, mas as mídias sociais facilitaram a disseminação das informações contra as vacinas. E apesar do grande impacto da ação preventiva na saúde individual e coletiva, o número de indivíduos que questiona sua importância e se recusa a ser vacinado ou a vacinar seus filhos tem aumentado nos últimos anos”, pontua.
 
No Brasil, embora não existam dados precisos que mostrem a quantidade de pessoas ou grupos que tenham aderido ao movimento, a preocupação com seu impacto entre os profissionais de saúde é crescente. Cecília menciona que na página da Sociedade Brasileira de Pediatria de São Paulo, a infectologista Silvia Regina Marques, responsável pelo Departamento de Infectologia dessa instituição, comenta que “entre os possíveis fatores para a queda nas coberturas vacinais, estão a  falsa ideia de que não é mais preciso se vacinar, o desconhecimento dos esquemas vacinais recomendados, a falta de tempo e profissionais de saúde insuficientes para atender à demanda e sem a devida capacitação”. Silvia afirma, ainda, que a “atitude referente às vacinas varia de aceitação à recusa total, mas é, principalmente, no grupo intermediário a esses dois, o da hesitação, que nós, profissionais de saúde, devemos atuar para incrementar essas taxas de cobertura”.

Afinal, por que as vacinas têm sido mais temidas do que doenças? Podemos destacar alguns motivos, como a crise de confiança na ciência, nas instituições e no jornalismo como discurso da verdade. A busca pela informação com base em crenças, posicionamentos, desejos e preferências pessoais ou de grupos restritos está cada vez em mais em evidência na sociedade atual. Isso é explicado a partir das mídias sociais que criam bolhas afetivo-informacionais pautadas pela lógica do algoritmo: as pessoas buscam informações que reforcem seus preceitos, ainda que sejam mensagens com desinformação. Faz parte da dinâmica social contemporânea acreditar mais no que diz um membro da família, por exemplo, do que obter informações de fontes oficiais. Essa lógica atual baseada na experiência pessoal da realidade impede a compreensão da verdade como evidência científica. É sempre bom lembrar que respeitar a vacinação é responsabilidade coletiva, social e de respeito à vida.

A seguir, Cecília elucida um pouco mais o assunto e levanta, principalmente, a questão sobre como os médicos devem lidar com pacientes que não acreditam na importância das vacinas.

1. Como os médicos devem lidar com pacientes que declaram não pretender tomar vacinas?
Cecília Bortoletto: Os profissionais de saúde, especialmente os pediatras, que mantêm contato direto e frequente com pais, têm um papel fundamental na manutenção da confiança nas vacinas e são considerados a principal e mais confiável fonte de informação para os pacientes. O médico, na sua formação, é preparado para saber sobre anatomia, fisiologia, doenças e tratamentos, e na nossa formação na graduação aprendemos quais vacinas são necessárias, em quais períodos devem ser tomadas, quais seus efeitos colaterais e as consequências da não vacinação. Não podemos esquecer, porém, que os pacientes do século 21 não são os mesmos de 20 anos atrás. Cada vez mais nossos pacientes são participantes ativos na consulta médica, e muitas vezes já chegam nos nossos consultórios com uma lista de exames necessários para confirmar o diagnóstico feito pelo do “Dr. Google”, ou por meio de sites não médicos. Esse comportamento tem se tornado cada vez mais frequente nos últimos anos. Cabe a nós, profissionais da área da saúde, ouvir e esclarecer nossos pacientes se essas informações não científicas compartilhadas nas redes sociais são verdadeiras ou não, sempre nos baseando, é claro, em evidências científicas.

Na construção dessa nova forma de relação médico/paciente, mais do que nunca, precisamos ouvir nossos pacientes – no caso das crianças, seus pais – antes de julgar ou criticar, para que possamos, de fato, construir argumentos, aprimorando, assim, a forma de comunicação que poderá melhorar a confiança nos tratamentos que indicamos, incluído o que tange à necessidade da vacinação. O acolhimento durante a consulta é peça fundamental para que também possamos ser ouvidos pelo paciente.

 2. Que argumentos são imprescindíveis para abrir os olhos dos pacientes que pertencem ao movimento antivacina?
CB: Estar preparado para responder às dúvidas sobre as vacinas é fundamental. O profissional de saúde que foi vacinado, seus conhecimentos sobre o assunto e a sua própria confiança nas vacinas são fundamentais para orientar seu comportamento na indicação das vacinas aos seus pacientes. Em uma revisão de 185 artigos sobre hesitação vacinal entre profissionais da saúde feita em 2016, evidenciou-se que o conhecimento sobre as vacinas, sua eficácia e segurança constrói a confiança do profissional e suas indicações. Segundo a maioria dos artigos, o profissional adequadamente vacinado tem mais chance de prescrever vacinas. Por isso, é necessário conhecimento e educação continuada.
 
3. Além desse movimento, há também pessoas que se recusam a tomar vacinas em decorrência da religião. Como abordar um assunto tão sensível e mostrar a importância da vacina para essas pessoas?
CB: A recusa em receber vacinas por motivos religiosos parece ocorrer em grupos mais restritos. No livro do Professor Guido Levi Recusa de vacinas − causas e consequências, há um capítulo sobre esse tema. Dois fatos, especificamente dessa parte, chamaram minha atenção: um sobre uma epidemia de sarampo em 1994, nos estados de Missouri e Illinois, nos EUA, a partir de um caso em uma comunidade denominada Christian Science; e o caso dos fundamentalistas islâmicos do Taliban, que lançaram fatwas (pronunciamento legal no Islão, emitido por um especialista em lei religiosa, sobre um assunto específico) opondo-se à vacinação, o que levou a uma das maiores causas de falhas nas coberturas vacinais no Paquistão, Afeganistão e na Nigéria – estes grupos, aliás, estão entre os responsáveis pela ainda não erradicação da poliomielite no mundo, em decorrência da persistência de circulação endêmica do vírus nesses três países.
 
4. O que muda na relação médico/paciente quando um paciente se recusa, por exemplo, a seguir um tratamento que inclua vacinas, já que até em tratamentos para certas alergias as vacinas são indicadas?
CB: No artigo da pesquisadora Regina Célia de Menezes Succi “Recusa vacinal – o que é preciso saber”, ela menciona aspectos importantes da parte legal. No Brasil, uma lei federal de 1975, regulamentada por um decreto de 1976, dispõe sobre a organização das ações de vigilância epidemiológica, e o Programa Nacional de Imunizações estabelece, no parágrafo 27, que a vacinação é obrigatória em todo o território nacional. Esse mesmo decreto, no parágrafo 29, estabelece como dever de todo cidadão submeter-se, e os menores dos quais tenha a guarda ou responsabilidade, à vacinação obrigatória. Além disso, o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) estabelece que é dever da família assegurar a efetivação dos direitos à saúde, o que inclui a vacinação de rotina. Do ponto de vista da relação médico/paciente, parentes que se opõem à vacinação de seus filhos podem prejudicar seriamente essa relação, o que pode ser suficiente para permitir que o médico deixe de atender esse paciente (Código de Ética Médica, artigo 36). No caso de vacinas para tratamento de alergias, não ocorre a obrigatoriedade como no caso das vacinas do calendário vacinal e cabe ao médico e ao paciente, se não existe um consenso quanto à forma de tratamento (no caso da vacina), decidir se esse médico seria o mais adequado para atender esse paciente específico. Aqui, novamente, reforço que sem uma boa relação médico/paciente não conseguiremos mudar a maneira como aquele indivíduo enxerga o cuidado com a sua saúde ou a de seus filhos.      
 
5. Me parece que hoje os pacientes estão com mais medo das vacinas do que das doenças. E as fake news influenciam muito esse posicionamento… O que pensa sobre isso?
CB: Uma revisão sistemática publicada em 2020 mostra que as redes sociais têm papel muito importante na disseminação das informações falsas sobre as vacinas. Esses grupos desenvolvem seu próprio conteúdo sem qualquer evidência científica e confundem seus leitores, geralmente, utilizando histórias pessoais ou eventos supostamente ocorridos em crianças que teriam apresentado efeitos colaterais, o que acaba causando comoção em algumas pessoas e tendo maior impacto do que dados científicos fornecidos pelas agências de saúde. Essa revisão também mostra que, embora em menor número, esses grupos são muito mais ativos nas redes sociais do que grupos de pessoas a favor das vacinas – os grupos antivacinas geralmente utilizam os mesmos argumentos nos seus tweets ou posts (risco das vacinas, risco de autismo causado por algumas vacina e teorias de conspiração) e baseiam essas informações em "experiências pessoais".

Um relatório publicado pelo Center for Countering Digital Hate (organização não governamental que tem como objetivo romper a arquitetura de ódio e desinformação) e usado como referência para um artigo no Lancet identificou que 31 milhões de pessoas seguem grupos antivacinas no Facebook, e 17 milhões de pessoas estão inscritas em canais semelhantes no Youtube. Segundo o Professor Peter Hotez, reitor da National School of Tropical Medicine Baylor College of Medicine, os movimentos antivacinas ganharam força no mundo porque evoluíram de um grupo pequeno para se tornar um império na mídia com 500 websites impulsionados pelas redes sociais. Não é mais suficiente, portanto, que a comunidade científica se restrinja à comunicação por meio de artigos em revistas médicas; deve também utilizar a mídia e as redes sociais para divulgar informações verdadeiras e promover debates sobre as vacinas, especialmente neste momento tão delicado em que várias vacinas estão sendo testadas para o controle da pandemia do novo coronavírus
    
6. Na sua opinião, qual é a importância da imunização?
CB: A imunização foi considerada pelo Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos (CDC) a maior conquista de saúde pública do século 20. Segundo a OMS, a vacinação é uma das formas mais eficientes, em termos de custo, para evitar doenças. Ela atualmente evita de dois a três milhões de mortes por ano, e outro 1,5 milhão poderia ser evitado se a cobertura vacinal fosse ampliada no mundo. Não podemos esquecer que sem as vacinas não teríamos erradicado a varíola; e que a poliomielite já poderia ter sido erradicada em todo mundo por meio da vacinação, caso ainda não ocorressem falhas nas coberturas vacinais no Paquistão, Afeganistão e na Nigéria.

Um estudo realizado em 2016, com 65.819 pessoas em 67 países, o Brasil entre eles, para verificar a percepção sobre segurança, eficácia e importância das vacinas, além de compatibilidade com crenças religiosas, revelou que a confiança nas vacinas de modo geral é alta, mas varia nas diferentes regiões – países da Europa apresentaram maiores níveis de respostas negativas sobre importância, segurança e eficácia das vacinas, e a França foi o país com maior taxa de sentimentos negativos em relação à segurança das vacinas (41%). Dos nove países avaliados nas Américas, o Brasil se colocou entre os que apresentaram melhores níveis de confiança nas vacinas. Apesar desses dados otimistas, temos alguns números preocupantes: uma pesquisa realizada no Brasil mostra que, entre 2016 e 2017, ocorreu queda de 20% na cobertura das vacinas contra poliomielite, hepatite A e meningocócica C, em relação a 2015. Já em 2018, os dados do DataSus mostram queda acentuada nos índices de coberturas vacinais no estado de São Paulo. Trazendo essas informações para a realidade atual, neste momento de insegurança com a pandemia do coronavírus, ocorrem dois fatos extremamente importantes: a Organização Mundial de Saúde (OMS) emitiu um comunicado informando que mais de 117 milhões de crianças em todo o mundo correm risco de não receber a vacina de sarampo durante a pandemia; e outro fato de extrema importância é o que irá ocorrer quando as vacinas de coronavírus estiverem à disposição da população. Portanto, se os movimentos antivacinas, por meio dos seus sites e das redes sociais, divulgarem informações falsas sobre as novas vacinas, será que conseguiremos imunizar uma parcela importante da população mundial para que possamos construir o “novo normal”?

 


22 de outubro de 2020 0

O Conselho Deliberativo da Sociedade Brasileira de Dermatologia se manteve reunido por mais de oito horas para avaliar diversos relatórios de trabalho apresentados pela Diretoria, Comissões e Departamentos da entidade. O encontro, que pela primeira vez na história aconteceu à distância, em formato online, no dia 18 de outubro, das 9h às 17h, marcou a apresentação dos resultados do balanço dos dois anos de trabalho da Gestão 2019-2020.

O presidente da SBD, Sérgio Palma, e a secretária-geral, Cláudia Carvalho Alcantara Gomes, abriram as atividades com exposições destacando as iniciativas comandadas pela Sociedade, ao longo de 2019 e de 2020. Ações em áreas como defesa profissional, atuação político-institucional, educação continuada, modernização administrativa e comunicação estratégica foram abordadas, apontando os benefícios atingidos em cada uma.

Diretoria – Todos os diretores da SBD participaram da reunião. Em estúdio montado no Rio de Janeiro (RJ), além do presidente e da secretária-geral, estava o diretor-financeiro, Egon Daxbacher, que posteriormente falou de ações sob o prisma econômico. Por meio de plataforma de conversação, compareceram o vice-presidente, Mauro Yoshiaki Enokihara, já eleito para ocupar a presidência na Gestão que se inicia em janeiro de 2021; a 1ª secretaria, Flávia Vasques Bittencourt; e o 2º secretário, Leonardo Mello Ferreira.

Elogiado pela organização, eficiência e dinâmica dos debates, o formato online contou com a aprovação de 92% dos que acompanharam o encontro. Apesar de que muitos ainda entendem que reuniões presenciais devem voltar a ser realizadas após o fim da pandemia, o resultado indica que, mesmo à distância, é possível atingir efetividade nesse tipo de evento.

Avaliação – Com representantes de todos os estados, a reunião do Conselho Deliberativo foi cenário para uma minuciosa avaliação dos últimos meses de atividades. A maioria dos que acompanharam a discussão destacou a boa condução da SBD no período de 2019 e 2020, ressaltando os esforços dos seus diretores para ampliar serviços e benefícios aos associados, defender os interesses da especialidade (em diferentes instâncias) e qualificar a atuação dos dermatologistas, mesmo durante a pandemia de Covid-19.

Além das manifestações ao longo do dia, essa percepção se materializou na aprovação dos sucessivos relatórios que trouxeram informações sobre como a SBD, por meio de suas Comissões e Departamentos, desenvolveu esforços nos campos do ensino médico, científico e da titulação de especialistas, entre outros. Os comentários apresentados durante os debates trouxeram contribuições para o aperfeiçoamento dos trabalhos de agora em diante.

Contas – Da mesma forma, durante a reunião do Conselho Deliberativo da SBD foi aprovada a prestação de contas apresentada pela Gestão 2019-2020. Os participantes reconheceram os esforços dos diretores, em especial de Egon Daxbacher, para trazer maior eficiência no uso dos recursos dos associados. Isso ficou comprovado pelas medidas que trouxeram economia, mas também asseguraram investimentos importantes em produtos, que facilitam a relação dos especialistas com a Sociedade, e em serviços, como realização de cursos e eventos que oferecem aos participantes acesso à atualização de conhecimentos.

Os diretores acompanharam todas as sessões, distribuídas ao longo do dia, apresentando os esclarecimentos solicitados. De forma geral, o grupo manifestou sua satisfação com os avanços alcançados e acredita que a SBD tem condições de dar continuidade às experiências exitosas e desenvolver outros projetos. Alinhados com a instituição, manifestaram apoio à Gestão 2021-2022, sob a coordenação do paulista Mauro Enokihara.

Empenho – No encerramento, o presidente Sérgio Palma agradeceu ao apoio dos outros membros da Diretoria, dos presidentes de Regionais e dos coordenadores de Departamentos e Comissões que contribuíram com a Gestão que termina em dezembro. Também ressaltou o empenho dos funcionários e colaboradores, bem como das entidades parceiras e dos apoiadores da SBD.

“Não podemos esquecer do incentivo e da compreensão oferecidos por nossas famílias e amigos durante esse período de intenso trabalho. Afinal, foram generosos em entender nossas ausências e a necessidade de concentrar nossos esforços em prol desse projeto coletivo. A eles e elas, muito obrigado”, frisou.


Conselho Deliberativo elege novo editor dos ABD e integrantes de quatro Comissões técnicas da SBD

O dermatologista Sílvio Alencar Marques, de São Paulo, foi eleito pelo Conselho Deliberativo da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD) para ocupar o cargo de editor científico dos Anais Brasileiros de Dermatologia (ABD), a principal publicação técnica da especialidade no país. Ele recebeu o apoio dos participantes da reunião, que aconteceu no domingo (18), por meio de videoconferência. Reconhecido pelo trabalho realizado ao longo de sua trajetória, terá pela frente a missão de ampliar a repercussão dos ABD junto à comunidade acadêmica e aos pesquisadores da especialidade.

O eleito possui graduação em medicina pela Faculdade de Ciências Médicas e Biológicas de Botucatu (1973). Tem mestrado (1982) e doutorado (1988) em medicina (dermatologia) pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). É professor titular da Faculdade de Medicina de Botucatu da Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho, desde 2011.

Comissões – Além deste cargo, outros seis foram motivo de votação na reunião do Conselho Deliberativo. As vagas eram para quatro comissões técnicas e científicas da SBD. O Conselho avaliou as credenciais de 13 dermatologistas na disputa pelas posições. Em votação secreta, os eleitos foram escolhidos por maioria simples.

Luna Azulay Abulafia, do Rio de Janeiro, foi eleita para integrar a Comissão de Título de Especialista em Dermatologia (TED). Ela é professora associada da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) e do curso de pós-graduação do Instituto de Dermatologia Prof R D Azulay, na Santa Casa da Misericórdia do Rio de Janeiro. Atualmente, chefia o Serviço de Dermatologia da UERJ.

A escolhida para compor a Comissão Científica da SBD foi a dermatologista Ediléia Bagatin, de São Paulo. Graduada pela Faculdade de Ciências Médicas de Sorocaba (PUC-SP), em 1979, possui mestrado e doutorado, pela Unifesp, respectivamente, em 1985 e 1994.

Para compor a Comissão de Ética e Defesa Profissional da SBD, foi eleita a dermatologista Érica de Oliveira Monteiro, de São Paulo. Ela atua como médica colaboradora na Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).

Ensino – A Comissão de Ensino da SBD ganhou três novos membros, eleitos durante a reunião do Conselho Consultivo. São eles: Paulo Roberto Lima Machado, da Bahia; Pedro Dantas Oliveira, de Sergipe; e Luciana Archetti Conrado, de São Paulo. A votação se deu em três turnos, sendo que os nomes saíram de uma lista inicial com seis candidatos.

O dermatologista Paulo Roberto Lima Machado se graduou na Universidade Federal da Bahia (UFBA), em 1983. Sua trajetória inclui mestrado e doutorado na UFBA, em 1997 e 2003, respectivamente; e mestrado em epidemiologia clínica, na Weill Cornell Medicine, em Nova York (EUA), em 2014. Por sua vez, Pedro Dantas de Oliveira se graduou em Medicina pela Escola Bahiana de Medicina, em 2006. Tem doutorado em medicina e saúde pela UFBA (2015). É supervisor adjunto do Programa de Residência Médica de Dermatologia do Hospital Universitário da UFS (serviço credenciado), desde 2018. Quem venceu o pleito para a terceira vaga na Comissão de Ensino foi a dermatologista Luciana Archetti Conrado, formada em medicina pela Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho, em 1989. Possui mestrado (1999) e doutorado em dermatologia pela Universidade de São Paulo.


20 de outubro de 2020 0

Atualização científica
A dermatologia é uma das áreas da medicina em que mais novidades são lançadas. E alguns tratamentos, quando bastante inovadores, recebem atenção imediata da comunidade médica, como é o caso da microinfusão de medicamentos na pele, ou MMP, como comumente é chamada. Idealizada em 2011 pelo médico dermatologista Samir Abache, o primeiro artigo sobre o assunto foi publicado na Surgical & Cosmetic Dermatology em 2013, e, em 2015, a técnica foi registrada no Instituto Nacional da Propriedade Industrial (Inpi).

Considerada uma nova e eficaz ferramenta de trabalho para especialistas da área, a MMP ainda é usada apenas na dermatologia, mas a possibilidade de ser aproveitada em outras especialidades é considerável, já que a técnica tem-se mostrado segura, eficaz e com excelente custo/benefício para o paciente e para o médico.

Embora, até o momento, apenas nove artigos sobre o assunto tenham sido publicados na literatura médica – um ensaio pré-clínico, dois ensaios-piloto clínicos randomizados, uma série de caso e cinco relatos de casos –, algumas conclusões já são bastante explícitas: a técnica tem efeitos adversos mínimos, sem repercussão para a saúde dos pacientes, e semelhante aos de outras técnicas de drug delivery ou intradermoterapia, com os quais os dermatologistas estão habituados em suas rotinas.

A preceptora do Serviço de Dermatologia da Santa Casa de Porto Alegre, Francine Costa, conta que The International Journal of Dermatology publicou em 2019 um estudo com o objetivo de responder à questão sobre a quantidade de medicação infundida com a técnica para, dessa forma, avaliar a segurança do procedimento. “Os autores chegaram a uma fórmula matemática que permite calcular a dose de medicação que está sendo infundida na pele do paciente. Verificaram, ainda, que essa dose infundida pela MMP é muito pequena. Além disso, mostraram na análise histológica da pele, ex-vivo, que a substância infundida se dispersa entre as fibras de colágeno sem causar um efeito expansivo”, pontua.

De fato, a segurança é o principal norteador para o desenvolvimento da técnica. Samir Abache assinala que embora para muitos o mais importante seja saber sobre a eficácia e a efetividade de um procedimento, o questionamento sobre a segurança sempre foi sua primeira preocupação. “O assunto ‘segurança da MMP’ ocupou boa parte do meu tempo de pesquisas. Publiquei os parâmetros para o drug delivery pela técnica MMP, recentemente referenciados pela agência do governo alemão German Federal Institute for Risk Assessment (BfR), pelo Departamento de Química e Segurança de Produtos. O dispositivo obteve registro em 2015, e, desde então, não existem quaisquer notificações de efeitos adversos na Anvisa. Em relação à eficácia e efetividade dos tratamentos da MMP, minha tese de doutorado está em vias de ser defendida, e a intervenção obterá o nível de evidência 1B em leucodermias puntatas e cicatrizes acrômicas. Numa rápida pesquisa na plataforma Brasil, identificamos 22 ensaios sobre a técnica. Ou seja, muita coisa está por vir. A técnica é um campo aberto para pesquisas”, esclarece.

Indicações e uso da MMP
A MMP é, segundo Abache, insuperável para repigmentar leucodermias puntatas e cicatrizes acrômicas – e há relatos de tricologistas que a utilizam com relativa frequência em tratamentos da alopecia androgenética, além do uso em casos de psoríase, alopecia areata, melasma, estrias, siringomas, campo cancerizável, cicatrizes e verrugas vulgares. A técnica, entretanto, só consegue resolver dermatoses que não possuem tratamentos efetivos.

Uma questão permanente que aparece ao se falar em MMP diz respeito à sua diferença da injeção de medicamentos com seringas ou drug delivery com roller, laser ou por via oral. Francine explica que a entrega de medicamentos na pele pela MMP ocorre em microdoses, de forma ativa, independentemente da sua natureza química (lipofílica ou hidrofílica) e do seu peso molecular.

“O medicamento se difunde no tecido sem causar um efeito expansivo como ocorre mediante a intradermoterapia pressurizada e a injeção com seringas. Além disso, com esta última técnica é muito difícil termos precisão na injeção de uma dose muito pequena e o bólus pode aumentar o risco de efeitos adversos locais. Em relação à MMP versus a administração oral de medicamentos, a primeira evita a biodisponibilidade limitada, a intolerância gastrointestinal e a metabolização de primeira passagem hepática de alguns medicamentos. Já o drug delivery com roller ou laser ocorre de forma passiva e depende da natureza química e do peso molecular do medicamento. A superfície da pele serve de interface para a penetração do medicamento, que pode diminuir a segurança microbiológica do procedimento. Além disso, uma injúria profunda com o roller pode causar um fluxo retrógrado do medicamento devido ao exsudato”.

Samir informa ainda que a farmacocinética dos medicamentos na MMP é linfática, diferindo da injeção convencional por seringas e agulhas, que é predominantemente sanguínea. Existem estudos, aliás, comprovando que a vacinação realizada com máquinas de tatuagem, mesmo injetando-se um volume muito menor, tem um poder de imunização muito maior. “O cisalhamento provocado pelo rápido microagulhamento do equipamento faz toda a diferença, proporcionando uma grande dispersão dérmica do medicamento, ao contrário da injeção com seringas. Comparativamente ao uso oral, conseguem-se efeitos clínicos surpreendentes com quantidade muito menor de drogas, reduzindo-se drasticamente os efeitos adversos”, enfatiza.

É importante lembrar, porém, que, assim como em relação a todos os procedimentos, é preciso avaliar o histórico de cada paciente e suas possíveis contraindicações. “No caso da microinfusão, elas se restringem aos efeitos adversos do medicamento a ser injetado. Também é contraindicada a intervenção nos locais previamente acometidos por doenças infecciosas, como, por exemplo, herpes. Já os pacientes portadores de valvulopatias cardíacas podem se submeter ao procedimento, desde que seja feita cobertura antibiótica profilática”, observa Abache.


Para que e por quem
Por se tratar de uma nova via de introdução de medicamentos, muitos entusiastas da técnica a utilizam para injetar preenchimentos, despigmentantes, toxinas e afins. No entanto, não é essa a história da MMP. O racional dessa técnica de drug delivery foi concebido com medicamentos já aprovados para uso intradérmico e para doenças de difícil resolução. Além disso, para executar a técnica, é fundamental que o médico possua conhecimento clínico dermatológico, farmacológico, anatomopatológico, visão em 3D da pele e habilidade manual.

 

 

 

 


20 de outubro de 2020 0

Luis *, 51 anos, não tem um fio sequer na cabeça – também não possui cílios nem sobrancelhas. Nos anos 1980, quando adolescente, ostentava cabelo longo e loiro. Com o passar dos anos, porém, alguma coisa aconteceu, e ele começou a tirar fios. Para tentar parar o que lhe parecia uma mania passageira, raspou a cabeça, mas não adiantou. Quando os fios voltaram a crescer, novamente os arrancou. E assim foi até ficar totalmente careca. Luis não é o único a passar por isso. Mais comum do que se imagina, a tricotilomania afeta homens e mulheres de diferentes idades e até crianças. E quase todos os casos têm algo em comum: um problema de ordem psíquica que está por trás do impulso de puxar os fios.

Um indivíduo pode começar a apresentar sinais de tricotilomania em qualquer idade, mas as mulheres adultas são mais frequentemente acometidas, especialmente as que se encontram na perimenopausa. E embora a retirada de fios possa acontecer em qualquer área pilosa, o couro cabeludo e as sobrancelhas são normalmente os mais afetados – mas há episódios de pessoas que retiram até os pelos pubianos e axilares.

A psiquiatra e professora do Departamento de Psiquiatria da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP) Carmita Abdo explica que a idade média de início da tricotilomania é 13 anos, segundo alguns estudos. E que, quando essa prática se inicia na infância/adolescência, a evolução costuma ser benigna, com pouca necessidade de intervenção terapêutica. Quando, entretanto, o início se dá na vida adulta, o quadro se apresenta mais severo, se torna resistente aos tratamentos e frequentemente associado a comorbidades psiquiátricas. Sobre a origem do problema, se hereditário, genético ou "apenas" comportamental, Abdo pontua que embora tenha ocorrido significativo aumento no conhecimento a respeito da etiologia da tricotilomania, ainda não há consenso sobre os fatores que a determinam. “As hipóteses requerem mais estudos. Teorias biológicas focalizam os mecanismos fisiopatológicos relacionados ao ato de arrancar cabelo, enquanto as teorias do comportamento buscam entender a operação e a expressão desses mecanismos. Essas duas possibilidades parecem não ser conflitantes, mas complementares”, afirma.

Gatilhos e consequências
Assim como outros distúrbios de ordem psíquica, a tricotilomania pode ser desencadeada por determinados gatilhos. Quando na infância, em geral, esclarece a médica dermatologista Fabiane Brenner, é um sinal de alerta para algo que incomoda na escola ou em casa, como dificuldades escolares, separação dos pais, luto ou perda de alguém querido, nascimento de irmãos, mudança de endereço, entre outros problemas. Já em adultos, esses episódios podem ocorrer também em qualquer situação afetiva negativa e durar de minutos a horas. “Os pacientes referem, às vezes, interesse por cabelos com características diferentes, quanto à textura, e alguns arrancam os cabelos como um ritual. Condições pessoais inespecíficas, como menacme, fase do ciclo menstrual ou alguma doença, também se relacionam com os sintomas da tricotilomania. Além disso, lesão no couro cabeludo (por queimadura do sol, por exemplo) ou insatisfação com o cabelo (como após permanente, encrespamento mal feito etc.) são descritos como fatores precipitantes”, informa Carmita. Há, ainda, hábitos rotineiros que podem levar ao ato de arrancar os fios, como ler, assistir à televisão, falar ao telefone, permanecer deitado na cama ou dirigir automóvel. “Essas atividades, sedentárias ou contemplativas, são desencadeadoras ou mantenedoras desse comportamento”, complementa a psiquiatra.

É preciso observar, ainda, que a tricotilomania pode gerar problemas ainda mais sérios que a perda de fios, como o tricobezoar, que acontece pelo ato de mastigar e engolir os fios arrancados, que formam bolos de pelos e cabelos que ficam compactados no trato gastrointestinal. “Quando a massa de cabelo deglutido é volumosa, pode assumir formas graves, ocupando parte significativa do intestino. Nesse caso, pode causar dores abdominais, náuseas, vômitos, hematêmese, úlceras, pancreatite, anemia, abdômen agudo obstrutivo e perfuração intestinal. Há quadros em que o tricobezoar se estende do estômago até o cólon, com uma longa cauda, o que caracteriza a síndrome de Rapunzel”, exemplifica Abdo.

Ela lembra de um caso bastante emblemático de paciente adolescente, do sexo feminino, apresentando desde a infância medo excessivo e verdadeira obsessão relacionada à morte e ao contato com roupas pretas, porque “atrairiam o azar”. “Ela arrancava os cabelos há pouco mais de um ano, apresentando extensas áreas de falhas no couro cabeludo. Não tinha qualquer pensamento mais específico, antecedendo o ato de arrancar os cabelos, mas sentia necessidade imperiosa de fazê-lo, de forma repetitiva, o que lhe proporcionava alívio temporário. O quadro a dominava a ponto de ela ter abandonado a escola e as atividades sociais na tentativa de diminuir a oportunidade de encontrar pessoas vestidas com roupas escuras, mas também por constrangimento pela alopecia e garantia de liberdade para a prática da tricotilomania. Em alguns meses,  a situação se complicou, pois a adolescente passou a ingerir os fios de cabelo arrancados para os ocultar, o que resultou em abdômen agudo obstrutivo, motivando atendimento em pronto socorro e, naturalmente, identificação da causa”, conta Abdo. Outro exemplo bastante sério é o de uma jovem paciente de Fabiane Brenner, que, após o nascimento dos filhos, passou a arrancar a pele do couro cabeludo além dos fios e as áreas sem cabelos se misturavam com feridas abertas.

Tratamento multidisciplinar
Embora muitos associem o problema apenas a uma especialidade, o tratamento da tricotilomania geralmente é multidisciplinar, sendo realizado por médicos dermatologistas e psiquiatras. Antes mesmo de começar o tratamento em si, o médico deve ser muito cauteloso ao abordar o problema, já que é muito comum, especialmente as crianças, negarem o arrancamento – a ausência de procura por tratamento, aliás, muitas vezes acontece por forte sentimento de embaraço social. “Uma conversa cuidadosa com os pacientes, e com os pais quando o problema acontece com seus filhos, é fundamental para adequada compreensão”, diz Fabiane Brenner.

Do ponto de vista dermatológico, Fabiane explica, o primeiro passo é a pessoa parar de puxar o cabelo. “Precisamos ajudar o paciente a reduzir a vontade de puxar. Substituir o hábito por outro e tentar reduzir o impacto do motivo desencadeante é o ideal. Quando isso não é possível, precisamos usar medicamentos com essa finalidade, que auxiliem a pessoa a manter a terapêutica”, comenta.

Já em relação ao retorno dos fios, em tese, eles podem voltar a crescer. Caso, porém, isso não aconteça, existe a possibilidade do que é chamado de repilação. “Os produtos estimulantes de crescimento são coadjuvantes no tratamento. Mas em casos graves, em que a tração é repetida no mesmo local ou existem feridas associadas, é possível observar pequenas cicatrizes foliculares”, complementa. Quanto a substâncias auxiliares no tratamento, alguns psicotrópicos podem ajudar, mas a dermatologista procura evitá-los, principalmente em crianças. Já a N-acetilcisteína, tomada rotineiramente como xarope para tosse, em doses mais altas, pode ser usada como inibidora do impulso, com menos efeitos colaterais e maior segurança para o paciente.

Abdo observa, ainda, que quando as manifestações ocorrem na primeira infância, podem ser superadas a partir de mudanças na rotina dos cuidados, que podem ser suficientes para suprimir a sintomatologia. Para quadros de manifestação mais tardia, contudo, geralmente é necessário tratamento medicamentoso e/ou psicoterápico.

“O tratamento farmacológico consiste em antidepressivos tricíclicos (clomipramina) ou inibidores seletivos da receptação da serotonina (ISRS). Para pacientes que não respondem aos ISRS, faz-se associação medicamentosa com baixas doses de antipsicóticos (risperidona, por exemplo). Nos casos em que a coceira provoca o ato de arrancar cabelo, esteroide tópico combinado com clomipramina pode ser útil. O tratamento psicoterápico utiliza diversas modalidades, entre as quais biofeedback, treinamento da reversão de hábito, terapia cognitivo-comportamental e hipnose.

O tratamento comportamental de melhores resultados tem sido o treinamento da reversão de hábito, o qual associa técnicas que tratam os transtornos do hábito (arrancar cabelo, chupar o dedo, tiques). O tratamento combinado objetiva favorecer o reconhecimento da doença e a adesão do paciente, investigando os locais do arrancar o cabelo, a motivação para o tratamento e a presença de tricofagia, para, a seguir, providenciar o encaminhamento ao psiquiatra visando ao tratamento de possíveis comorbidades (transtorno de humor, transtornos ansiosos); o encaminhamento a grupo educacional e grupo de apoio; a introdução da reversão de hábito; a avaliação da necessidade de farmacoterapia; e as estratégias de prevenção da recaída. A combinação de farmacologia e terapia cognitivo-comportamental leva a melhores resultados, quando, é claro, há adesão do paciente”, esclarece a psiquiatra.


Tricotilomania em tempos de Covid
O momento que o mundo vive tem desencadeado distúrbios psicológicos de toda ordem nas pessoas. E com o isolamento e o medo de ser infectado, antigas condições podem novamente se manifestar, ainda que, em tese, estejam curadas. “Para indivíduos predispostos, sem dúvida, períodos de muito estresse podem desencadear bem como agravar essa condição. Incerteza e insegurança quanto ao futuro, perdas econômicas , confinamento, medo de adoecer e/ou de transmitir o vírus, medo de morrer, luto, entre outros fatores, devem ser considerados”, afirma Carmita Abdo.

 


20 de outubro de 2020 0

Política e Saúde
Nos últimos meses, verificou-se uma enorme quantidade de transmissões ao vivo (lives) pela internet. E, apesar de a maioria ter sido voltada para entretenimento, com shows e entrevistas, uma boa parte deteve a atenção do público por outro motivo: informações a respeito da Covid-19 e seus reflexos. É fato que a comunicação por meio de mídias sociais, seja Youtube, Instagram, Facebook ou qualquer outro veículo, veio para ficar e não é de hoje. Mas em 2020, com a chegada da pandemia e diante de tantas fake news, a necessidade de encontrar informações confiáveis e de fontes seguras se tornou fundamental. E os médicos – além de outros profissionais da área de saúde – se tornaram uma espécie de porto seguro em relação à veracidade das informações (muitas vezes conflitantes) que chegavam à população.

De acordo com Maurício Conti, conselheiro do CRM-SC, membro da Codame de SC e coordenador médico de Mídia Eletrônica da SBD, o contexto deste ano favoreceu o reconhecimento dos temas de saúde como imprescindíveis para a sociedade, ao mesmo tempo em que os atendimentos e encontros presenciais ficaram provisoriamente impedidos, o que acabou jogando para primeiro plano as ferramentas de comunicação digital.

“Agora, já passados alguns meses, é preciso que se façam análises sobre o que valeu a pena, o que não valeu, bem como o que não pode ocorrer, visto que as balizas da ética profissional são um dos diferenciais do ofício de médico”, pontua. E os conselhos regionais de medicina (CRMs), é claro, estão de olho.

Para Débora Ormond, conselheira do CRM-MT e membro da Comissão de Ética e Defesa Profissional da SBD, o uso de tecnologias em ambiente web como apoio à saúde é um caminho sem volta, e pode servir como instrumento de humanização e melhoria ao atendimento à sociedade, já que ela sempre impõe novos desafios na relação médico/paciente.

“Em tempos de pandemia, as lives proporcionam rápido acesso à informação, disponibilizam rapidamente orientações médicas na tranquilidade do lar, tanto para o médico como para o público. A despeito das consequências positivas, entretanto, existem muitos preceitos éticos e legais que precisam ser assegurados pelo profissional. O exercício da medicina mediado por tecnologias, mesmo para fins educativos e promoção de saúde, expõe em demasia a figura do médico, de forma que os mesmos problemas éticos que podem ser encontrados no atendimento médico pessoal estão presentes nas orientações durante as lives. Trata-se de ferramenta que deve ser usada de forma adequada, sempre com o objetivo de obter o bem-estar da sociedade e respeitando os preceitos ético e legal, como qualquer outra forma de publicidade médica”, esclarece.
 
Cuidado com propaganda
Embora boa parte dos médicos esteja preocupada em realmente passar informação de qualidade, não é difícil encontrar casos de profissionais que tentam se promover por meio das redes – casos como o do Doutor Bumbum são muitos. Entretanto, o Conselho Federal de Medicina (CFM) é claro em relação a propagandas e marketing pessoal.

“A mercantilização da medicina pode ser uma tentação para alguns, mas é um caminho ameaçador para a profissão no médio e no longo prazo, tanto no sentido específico do médico, que assim enfrentará denúncias e julgamentos éticos, quanto no sentido geral, ao aceitar uma visão que reduz o valor do trabalho médico a uma commodity”, comenta Conti.

Além disso, lembra Débora Ormond, o médico tem a liberdade de expressão disciplinada por um Código de Ética Profissional, bem como deve obediência a uma legislação civil e criminal, e ambos objetivam tanto fiscalizar como penalizar os que abusam do direito de informar. Ou seja, a publicidade médica deve obedecer, exclusivamente, a princípios éticos de orientação educativa, não sendo comparável à publicidade de produtos e práticas meramente comerciais (Resolução 2217/2018).

“O médico pode divulgar seu endereço do trabalho e telefone em suas mídias sociais, mas lhe é vedado realizar divulgação publicitária, mesmo de procedimentos consagrados, de maneira exagerada e fugindo de conceitos técnicos, para individualizar e priorizar sua atuação ou a instituição em que atua ou tem interesse pessoal. Os esclarecimentos à sociedade por meio das lives não podem ser usados para autopromoção, aferição de lucro ou para angariar clientela. Não é permitido, por exemplo, nessas oportunidades, a divulgação de endereço ou telefone de consultório. E caso não obedeça ao Código, esse médico poderá sofrer processo ético profissional”, complementa a conselheira do CRM-MT.

O futuro da “medicina digital”
Ainda que as lives com médicos devam grande parte de seu sucesso especialmente à procura de informações sérias em relação à pandemia e à falta de orientações oriundas de um órgão oficial do governo, é certo que elas chegaram para ficar, tanto os encontros para profissionais da área em plataformas online com conteúdo de educação médica continuada como também as lives direcionadas ao público externo.

Se algumas apresentações – e “apresentadores” – tenham levado o status do médico ao de educador, praticamente, é preciso deixar claro que as consultas presenciais e direcionadas jamais serão substituídas, assim como os eventos e congressos para a comunidade médica não deixarão de existir. As redes sociais, portanto, se tornaram mais um meio de comunicação, mas jamais serão o único


Troca de informações segura
Em abril, durante uma conferência que reuniu membros da Sociedade Brasileira de Imunologia, da Rockefeller University e da UFMG, a reunião foi invadida por neonazistas que usaram a transmissão para mostrar imagens de Hitler. Além do constrangimento para os participantes, todos ficaram preocupados com o vazamento de dados sigilosos.

“Em transmissões ao vivo feita por redes sociais, com abordagem de assuntos médicos ou mesmo reuniões fechadas em que se discutam casos clínicos e haja troca de informações de pacientes, a utilização dos recursos de segurança disponíveis é de extrema importância para preservar o sigilo médico. A má utilização desses mecanismos pode configurar uma quebra do dever de cuidado, gerando a responsabilização do organizador”, alerta Débora.

O episódio chama a atenção para um questionamento muito natural em relação à segurança da troca de informações durante lives e webinars. Ricardo Correa, diretor da LDA, empresa especializada em segurança da informação, explica que os principais players desse mercado garantem a segurança dos dados, desde que sejam seguidas suas diretrizes.

“Desde o início da pandemia, ferramentas como Zoom, Cisco WebEx, Microsoft Teams e Google Hangouts lançaram novos protocolos de segurança para garantir a privacidade dos dados trocados nas reuniões e encontros não presenciais com muitas pessoas. Porém, é preciso ficar atento ao que oferecem as diferentes versões de cada ferramenta e suas condições de uso. Para corporações, de uma forma geral, utilizar serviços pagos, com recursos de auditoria, criptografia e garantia de confidencialidade dos dados trafegados dentro da plataforma é fundamental”, pontua.

Correa lembra, ainda, que promover um acesso autenticado e com senhas às salas de evento, ter uma lista de usuários corporativos previamente cadastrados e autorizados a participar, não divulgar o link do evento a quem não esteja autorizado e eleger um moderador para que os microfones e câmeras só sejam ativados por ele ajudam a garantir a privacidade dos encontros virtuais.

“Curiosamente, muitas práticas de segurança já conhecidas dos eventos presenciais comungam com os eventos no mundo virtual/remoto e têm a sua aplicação de forma bastante similar. Os serviços de maior qualidade já oferecem todos os controles necessários para garantir não só a qualidade técnica como os mecanismos de gestão e mediação de cada evento”, comenta.


SBD Inovação 4.0
No ar desde março, o SBD Inovação 4.0 tem promovido a capacitação científica do associado e o aprimoramento na gestão de negócios por meio de cursos rápidos e atualizados. Médicos residentes que estão no início da carreira também se beneficiam com a iniciativa. Até o momento, estão em andamento as atividades: gestão de clínicas dermatológicas; curso de micologia; temas em dermatoscopia; além das ações voltadas para a equipe administrativa que atua no consultório/clínica.

"O Projeto de Inovação 4.0 começou com a ideia construir um elo de confiança entre a SBD e os dermatologistas, oferecendo capacitação e serviços que pudessem agregar valor aos seus negócios. Acabou se transformando em uma sofisticada plataforma de conteúdos científicos e de gestão. Mas a razão pela qual me orgulho desse projeto, é a integridade do propósito, que é amplificar a capacidade de crescimento dos médicos, através de um olhar mais amplo, respeitando o seu juramento pela medicina,adicionando uma visão estratégica de expansão", considera o CEO da MedConsulting, Leandro Cardoso.

Lembrando que esses conteúdos contam com o apoio da MedConsulting Consultoria Médica e estão disponível na área científica. Para acessar e iniciar as atividades, basta entrar no seguinte endereço: http://www.sbd.org.br//dermatologia/acoes-campanhas/sbd-inovacao-40/


20 de outubro de 2020 0

Temas em Dermatoscopia. Esse é o tópico norteador da nova iniciativa online voltada para atualização científica que a Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD) lança nesta semana, de forma totalmente gratuita, para seus associados. Elaborada para aprimorar os conhecimentos dos especialistas de forma ágil e prática, a ação traz uma série de aulas com duração média de 10 minutos, que ficarão disponíveis para acesso remoto na área restrita do site da entidade. 

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A 1º secretária da SBD e coordenadora do projeto, Flávia Vasques Bittencourt, salienta que o conteúdo dessa iniciativa foi desenvolvido de modo a apresentar aos médicos aulas objetivas e dinâmicas sobre Dermatoscopia, que podem ser assistidas conforme a demanda de cada especialista, sem a obrigatoriedade de seguir uma sequência pré-definida. 

“O primeiro módulo é composto por 13 aulas, com abordagens sobre nove temas, desse método diagnóstico de interesse de todo dermatologista, principalmente para a detecção precoce do câncer de pele, fator preponderante para a boa evolução do paciente. Sem perder o rigor exigido pela SBD, o formato mais curto das apresentações traz praticidade a quem acompanha as atualizações técnicas e, dessa maneira, o conteúdo pode ser acessado em qualquer lugar ou momento”, destaca.

Temário – As aulas do primeiro módulo disponibilizado pela SBD abordam os seguintes temas: “A escolha do dermatoscópio, parte I e II”; “Carcinoma basocelular, parte I e II”; “Ceratose seborreica, parte I e II”; “Dermatoscopia região palmo-plantar, parte I e II”; “Lesões queratinocíticas”; “Melanoma extensivo superficial”; “Melanoníquia estriada”; “Nevo de Spitz”; e “Nevos melanocíticos”. Além disso, segundo a proposta do projeto, ao longo das semanas novos temas devem ser incorporados paulatinamente.  

Conforme reforça o vice-presidente da SBD e presidente eleito para a Gestão 2021-2022, Mauro Enokihara, a produção de conteúdo para o aperfeiçoamento profissional corresponde a uma das funções primordiais da entidade: levar ensino e qualificar seus associados.  

“A dermatoscopia é fundamental aos dermatologistas, pois é o principal método que nos auxilia no diagnóstico diferencial dos mais variados tipos de lesões de pele. Além disso, com o avanço dessa área, esse instrumento tem sido empregado com sucesso na condução de várias outras doenças, como psoríase, escabiose e micoses. Atenta à necessidade constante de atualização, a SBD empreende mais essa ação de capacitação em prol de seus especialistas”, afirma. 

Expositores – Na condução das explanações científicas, além de Flávia Vasques Bittencourt, que também é professora associada da UFMG, e de Mauro Enokihara, dentre os expositores estão alguns dos principais especialistas da SBD na área de visualização da pele para rastreio e avaliação de lesões. No grupo, ainda estão: Bianca Soares Costa Sá, dermatologista do Núcleo de Câncer de Pele do Hospital A. C. Camargo Center; Carlos Barcaui, professor associado da UERJ; Guilherme Gadens, preceptor do ambulatório de Dermatoscopia Digital da Santa Casa de Curitiba; Renato Bakos, professor associado da UFRS; e Sérgio Hirata, professor adjunto da Unifesp. 

“Selecionamos alguns dos especialistas mais gabaritados do país para contribuir com a formação dos dermatologistas brasileiros. De maneira bastante prática, com exposição de casos clínicos e comentários oportunos, cada aula foi cuidadosamente desenvolvida para aprimorar a análise de aspectos clínicos e dermatoscópicos na busca por um diagnóstico. Certo da qualidade empreendida, convido todos a conhecerem mais essa iniciativa da nossa Sociedade”, concluiu o presidente da SBD, Sérgio Palma.


20 de outubro de 2020 0

Mídia e Saúde

Os perigos inerentes à realização de procedimentos estéticos invasivos por profissionais não médicos foram destacados no Fantástico (TV Globo), do domingo (4/10). Na reportagem, o presidente da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD), Sérgio Palma, defendeu a importância de que esses cuidados sejam manejados apenas por médicos, os únicos profissionais devidamente capacitados para este fim.

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“Essa modalidade de procedimentos deve ser realizada exclusivamente por médicos, preferencialmente pelos especializados. Isso é fundamental, pois caso ocorra qualquer evento adverso, é de suma relevância que a alteração seja identificada e tratada imediatamente para evitar danos ou sequelas à saúde e ao bem-estar do paciente”, ponderou.

A reportagem se insere dentre as iniciativas da SBD no intuito de denunciar as recorrentes tentativas de invasão de competências da Medicina por representantes de outras categorias profissionais, o que contraria o que determina a legislação (Lei nº 12.842/2013). “Ao dar maior publicidade a esses abusos praticados por outras categorias, como temos feito em inúmeras oportunidades, a SBD reforça a defesa da saúde e da segurança dos pacientes, mostrando ao Poder Judiciário os sérios riscos aos quais a população está exposta”, ressaltou Sérgio Palma.

Iniciativas – Há anos atuando em prol dos direitos dos dermatologistas e dos pacientes, a SBD se mantém a frente de diferentes iniciativas legais que visam coibir a prática irregular de procedimentos estéticos invasivos. A partir de ação movida pela entidade, a Justiça Federal anulou no último mês os efeitos da Resolução nº 241/14, do Conselho Federal de Biomedicina (CFBM), que erroneamente permitia a esses profissionais realizarem procedimentos de natureza estética e aplicação de substâncias.

Outro exemplo do trabalho contínuo da SBD é a ação legal movida contra a Resolução nº 198/2019, do Conselho Federal de Odontologia (CFO), que estabeleceu a chamada “harmonização orofacial” como especialidade odontológica.  A SBD – com apoio da Associação Médica Brasileira (AMB) e do Conselho Federal de Medicina (CFM) – repudiou a conduta e tem tomado todas as medidas cabíveis contra essa distorção. Na Justiça, o processo aguarda julgamento de seu mérito.

“Estamos atentos a essas resoluções unilaterais emitidas pelos conselhos de especialidade, uma vez que contrariam a Lei nº 12.842/2013. Os atos médicos devem ser praticados apenas por aqueles com formação em Medicina. Não é razoável flexibilizar uma prática profissional altamente especializada. A questão é gravíssima e fundamental, visto que um procedimento mal executado pode inclusive colocar a vida de pacientes em risco”, ponderou Sérgio Palma.





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