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Eventos

Fórum Saúde da Pele: Especialistas debatem terapias mais eficazes no tratamento de doenças como a psoríase e o vitiligo

Encontro organizado pela Folha de S. Paulo em parceria com a SBD ocorreu nesta quinta-feira (26), em São Paulo

30/10/2017 10:38

A Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD) em parceria com a Folha de S. Paulo promoveu o primeiro Fórum Saúde da Pele, no dia 26 de outubro, em São Paulo. O objetivo do encontro foi abordar, em três mesas de debate, os novos tratamentos de doenças dermatológicas; o acesso a procedimentos e medicamentos no Sistema Único de Saúde (SUS) e nos planos de saúde para tratamento da psoríase; e o preconceito enfrentado pelos portadores de doenças dermatológicas estigmatizantes.

Cerca de 150 pessoas, entre dermatologistas convidados e estudantes de medicina participaram do encontro, que contou com a presença do presidente da SBD, José Antonio Sanches; do coordenador da Campanha de Psoríase da SBD, Caio de Castro; além dos dermatologistas, da presidente da Psoríase Brasil, Gladis Lima; e de representantes da Agência Nacional de Saúde (ANS) e do Ministério da Saúde. O encontro teve transmissão ao vivo para Grupo de Dermatologistas no Facebook da SBD. Também foi publicado no dia 28 de outubro um caderno especial do jornal sobre o encontro.

Na abertura, a estudante de direção de arte e modelo tocantinense Eliane Medeiros, portadora de vitiligo, diagnosticada com a doença aos cinco anos de idade, ressaltou que sofreu bastante preconceito, especialmente durante a adolescência, mas que hoje, seu trabalho assumiu um papel de agente de transformação social, incentivando as pessoas a repensar seus comportamentos e se aceitar do jeito que são. “Não conseguia me imaginar como seria se eu não tivesse vitiligo. Então, abracei a doença e a transformei em oportunidade de crescimento”, declarou.

Na primeira mesa “Novos tratamentos: o que podemos esperar?”, o presidente da SBD, José Antonio Sanches, argumentou que doenças como a psoríase e o vitiligo, por exemplo, “são de baixa mortalidade, e por isso foram negligenciadas durante muito tempo, mas que trazem um sofrimento muito grande por questões de autoestima e preconceito”, ressaltando a necessidade do diagnóstico precoce para ampliar as opções de tratamento, e da devida atenção para enfermidades de pele, "apesar de as opções de tratamento para doenças como melasma, psoríase, dermatite atópica, alopecia areata e vitiligo terem melhorado ao longo do tempo". 

Em seu depoimento, a médica dermatologista Elisabeth Barboza contou sua experiência após ter descoberto, em 2015, ser portadora de artrite psoriática, o que a fez a abandonar as funções acadêmicas e profissionais. Após tentativas sem sucesso com tratamentos clássicos, Elisabeth recorreu a terapia com medicamentos biológicos. Atualmente, Elisabeth tem a doença sob controle e luta pelos direitos do pacientes. “Depois do que passei, me tornei levantadora da bandeira da qualidade e restauração da vida com as terapias inovadoras.”

Estima-se que cinco milhões pessoas tenham psoríase no Brasil, sendo 500 mil com a forma mais grave, precisando de tratamento com medicamentos inovadores. Sobre o assunto, o coordenador da campanha de Psoríase da SBD, Caio de Castro, ressaltou que fototerapia é a primeira opção terapêutica para a psoríase de moderada a grave. Além de ser um tratamento de fácil manejo e eficaz, seu custo é baixo. No entanto, são poucos os hospitais públicos no Brasil que dispõem do equipamento. O médico observou ainda que as doenças com tratamento de baixo custo são ignoradas no Brasil, citando o vitiligo, que afeta 0,5% da população mundial.

Fazer a informação chegar à população por meio de campanhas de conscientização foi a ação destacada pela professora adjunta do Departamento de Dermatologia da Unifesp Adriana Porro como fundamental para obter avanços na área. “Essas ações também devem ser voltadas para os médicos de outras especialidades para que sejam capazes de encaminhar o paciente o mais cedo possível para avaliação e tratamento adequados”, afirmou. Segundo a médica, o desafio não é só agilizar o diagnóstico, mas investir em ações de vigilância e informação para combater a ignorância.

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