Pescadores e marisqueiras recebem orientações de primeiros socorros em ação social do Dermato Bahia 2017

18/05/2017 l 17h42

A cada congresso, a Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD) promove ações de prevenção e orientação para a população nos locais de realização do evento, que este ano ocorrerá de 7 a 10 de setembro, na Costa do Sauípe

 

Você já se queimou com água-viva ou caravela? Pisou num ouriço do mar? Essas e outras questões foram discutidas durante toda a quinta-feira (18/5), nas colônias de pescadores de Arembepe (Z-14) e Itapuã (Z-6). Quase 100 trabalhadores, entre pescadores e marisqueiras, foram orientados sobre o que fazer nesses e em outros casos e tiraram suas dúvidas. A iniciativa, em parceria com a Federação dos Pescadores e Aquicultores do Estado da Bahia (FEPESBA), faz parte das ações de responsabilidade social do 72º Congresso Brasileiro de Dermatologia – Dermato Bahia 2017, a ocorrer de 7 a 10 de setembro, na Costa do Sauípe, e visa esclarecer pescadores e suas famílias sobre medidas de primeiros socorros e de prevenção de ferimentos, envenenamentos e infecções causadas por acidentes com animais marinhos em seu cotidiano.

 

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As palestras foram ministradas pelo especialista Vidal Haddad Junior (foto acima) e autor da cartilha “História de Pescador: acidentes com animais marinhos”. Ele é dermatologista, professor, pesquisador da Faculdade de Medicina da Unesp e responsável pelo projeto “Pescadores do Brasil”.

“Procurei orientá-los para que saibam o que fazer na hora dos acidentes, muitos deles dolorosos, alguns até insuportáveis. Desenvolvemos alguns métodos muito importantes, sem a necessidade de orientação médica, em que a pessoa pode autoaplicar no local, como a água quente para tirar a dor de acidente de peixe, água gelada do mar com vinagre para acidentes com as águas-vivas e caravelas e além de esclarecimentos para evitar infecção”, disse.

Entre os principais desafios para pescadores e marisqueiras estão o acidente por bagre marinho, cujos ferrões são serrilhados e de difícil extração e os acidentes provocados por arraias. Apesar de mais raras, são mais graves. A dor é violenta e as feridas na pele, mais comuns. “Todo acidente por peixe venenoso deve ter o local atingido imerso em água quente, mas tolerável, por 30 a 90 minutos, pois o veneno dos peixes degenera no calor e a dor diminui. Existem complicações como pedaços de ferrão nos ferimentos e infecções”, explicou o especialista.

Já os acidentes causados por águas-vivas e caravelas provocam dor e linhas avermelhadas ou marcas redondas no local do contato. “No momento do acidente é útil o emprego de compressas de água do mar gelada ou gel gelado (gelox) envolto por um pano e banhos de vinagre no local atingido para controle da dor e inativação do veneno. “Se a dor continuar ou aparecer batedeira e falta de ar, procure auxílio médico”, completou o professor.

 

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O presidente da colônia de pescadores de Arembepe, Manoel de Brito, disse que a palestra esclareceu muito as dúvidas dos pescadores. “Sobre o niquim, por exemplo, que encontramos constantemente na região, o professor explicou como ter o alívio imediato”.

Para a marisqueira Ednalva Maria de Souza, 53 anos, a palestra foi muito importante, pois pode aprender que cuidados deve ter ao entrar em contato com animais marinhos. Ela atua na atividade desde os sete anos de idade e já foi atingida inúmeras vezes por baiacu e bagre. “Muitos peixes que eu vi aqui, como bagre e baiacu, eu não sabia que tinham tanto veneno”, disse.

“Levar informações para essas pessoas é um grande avanço. Orientá-los nos deixa muito satisfeitos, sobretudo porque vemos resultados muito bons ao longo desses anos de trabalho”, reforça Vidal. A iniciativa já foi realizada em várias colônias de pescadores em diversos locais do país.