História da SBD

A Dermatologia no Brasil teve início como especialidade entre o final do século XIX e o começo do XX. No dia 4 de fevereiro de 1912, um grupo de 18 médicos idealistas fundou a Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD). A sessão inaugural ocorreu no Pavilhão Miguel Couto, da Santa Casa de Misericórdia do Rio de Janeiro, tendo seu estatuto registrado no dia seguinte, 05 de fevereiro, data em que se comemora, desde 2000, o Dia do Dermatologista.

Fernando Terra, professor e chefe do Serviço de Dermatologia da Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro, que hoje pertence à Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), foi o primeiro presidente da SBD, cargo que exerceu durante 13 anos (1912-1925).

No primeiro ano de atividade, a SBD contava com 81 sócios efetivos, sendo 52 do Rio de Janeiro. A primeira reunião científica ocorreu em 1o de março de 1912, no Anfiteatro Fernando Terra, sediado na 19a Enfermaria da Santa Casa. Foi em anfiteatros da Santa Casa que se realizaram de 1912 até 1992 as reuniões que ajudariam a formar e aperfeiçoar várias gerações de dermatologista de todo o país.

Em 1920, com a criação do Departamento Nacional de Saúde Pública, por Carlos Chagas, foi instituída a Inspetoria de Profilaxia da Lepra e Doenças Venéreas, primeiro órgão federal destinado à campanha contra a hanseníase.

Na época, o secretário-geral da SBD e também um dos criadores da entidade, Eduardo Rabello, ocupava o cargo de inspetor geral da lepra e elaborou a primeira legislação brasileira da hanseníase e das doenças venéreas. Rabello deu ainda contribuições originais nas áreas de leishmaniose tegumentar, hanseníase e sarcoidose.

Criada em janeiro de 1925 com o título Annaes Brasileiros de Dermatologia e Syphilographia, a revista Anais Brasileiros de Dermatologia (ABD) é uma das publicações mais prestigiadas e respeitadas em todo o meio científico nacional e internacional. Os artigos do primeiro número versaram sobre acantose nigricante, leishmaniose, bouba, pênfigo e cistos epidérmicos, sarcomatose múltipla hemorrágica de Kaposi, xeroderma pigmentoso, o bismuto na terapêutica da sífilis e a história da sífilis no Brasil. Além de presidente da SBD, Eduardo Rabello era redator-chefe da publicação. Na entidade, sua gestão durou 15 anos ininterruptos, ocupando a presidência de 1925 a 1940.

Considerada a maior e mais completa da especialidade na América Latina, a Biblioteca Professor Francisco Eduardo Rabello da SBD foi inaugurada em 1933, e tem em seu acervo livros raros e únicos datados do século XVIII. São ali abrigadas preciosidades, totalizando mais de três mil publicações. Atualmente, às vésperas de completar 80 anos, a Biblioteca funciona na sede da SBD, no Rio de Janeiro. Para atender às solicitações vindas de todo o Brasil ela conta com a parceria da Bireme e do Sistema Scad (Serviço Cooperativo de Acesso a Documentos).

Em 1944, na presidência de João Ramos-e-Silva, foi instituída a Primeira Reunião Anual dos Dermatossifilógrafos Brasileiros, cujo principal tema foi a leishmaniose e à qual compareceram cerca de 40 participantes. Em 1969, considerando o enorme número de participantes e seus temas, essas reuniões passaram a ser designadas Congressos Brasileiros de Dermatologia, e seu prosseguimento se deu nos anos subsequentes, sem qualquer interrupção.

No cinquentenário da SBD, em 1962, sob a presidência de Rubem David Azulay, a Sociedade foi reestruturada para tornar-se realmente nacional. Para isso, foram criadas as sociedades regionais afiliadas à SBD, e estabeleceu-se que a presidência da entidade deveria ser exercida, desde então, pelo presidente da Reunião Anual ocorrida em outros estados.

No mesmo ano, Ramos-e-Silva foi eleito para o International Committee of Dermatology, da International League of Dermatological Societies, sendo o primeiro brasileiro a ter assento nesse tão importante órgão. Depois dele, obtiveram o mesmo feito Padilha-Gonçalves, em 1967, Sebastião Sampaio, em 1982, e Márcia Ramos-e-Silva, em 2000.

Outra decisão marcante tomada pela SBD no final de 1962, e que só veio a ser implementada pela administração de João Ramos-e-Silva, em 1965, foi a retomada da denominação Sociedade Brasileira de Dermatologia, que fora alterada por 37 anos, isto é, desde 1925. Ainda na década de 1960 foi suprimido o termo sifilografia, e a publicação  oficial da entidade passou a se chamar Anais Brasileiros de Dermatologia.

Em outubro de 1967, a SBD criou o Certificado de Especialista em Dermatologia, em convênio com a Associação Médica Brasileira (AMB). A prova foi realizada pela primeira vez em Juiz de Fora, no Serviço do Professor Antônio Carlos Pereira Filho, em paralelo aos trabalhos do 24o Congresso Brasileiro de Dermatologia. O objetivo era, e continua sendo, melhorar a qualidade dos profissionais médicos. A primeira banca examinadora foi constituída pelos professores Clóvis Bopp, Rubem David Azulay, Ruy Noronha Miranda, Sebastião Sampaio e Tancredo Furtado. Desde então, todos têm que passar pelo concurso para conquistar o Certificado de Especialista e se tornar dermatologista.

Em 1971, sob a presidência de Clóvis Bopp, por proposta de René Garrido Neves, foi conferida à SBD a função de zelar pelos interesses éticos, sociais e econômicos dos dermatologistas. Na década de 1980, ela se situava entre as cinco maiores entidades dermatológicas do mundo, com 1.200 sócios efetivos.

Em 1984, alguns os associados começaram a filiar-se à Academia Americana de Dermatologia (AAD). Cerca de dez dermatologistas brasileiros, entre eles Sebastião Sampaio, Belliboni, Fernando Augusto Almeida e Paulo Cunha, participaram do Congresso Anual da AAD, em Las Vegas, em 1986, reforçando a presença brasileira em solo estrangeiro. Vinte e seis anos depois, o Congresso da AAD em Miami registrou a ida de quase mil dermatologistas brasileiros, dando provas de que a participação de médicos do nosso país tem crescido a cada edição. Anualmente, a SBD monta um estande no Encontro Anual da Academia Americana de Dermatologia, em conjunto com a Sociedade Brasileira de Cirurgia Dermatológica.

Realizada pela SBD-RJ, a primeira campanha de prevenção ao câncer da pele foi idealizada e lançada em 1987, por Jarbas Porto. Na década seguinte, ela seria institucionalizada pela SBD em todo o território nacional. Presidente da SBD na gestão 1987/1988, René Garrido Neves adquiriu a primeira sede própria da Sociedade Brasileira de Dermatologia fora da Santa Casa, em 1988. Dez anos depois, foram criados os Departamentos da SBD como grupos de estudo.

O dermatologista Sebastião Sampaio foi um dos fundadores da Sociedade Brasileira de Cirurgia Dermatológica, em 1988, durante a 11a Reunião Anual dos Dermatologistas Latino-americanos do Cone Sul (RADLA). No encontro, ministrou- -se pela primeira vez um curso de Cirurgia Dermatológica, dividido em uma parte teórica sobre as indicações e técnicas de cirurgia dermatológica e uma parte prática de cirurgia em pele de porco. Além de Sampaio, são considerados precursores da cirurgia dermatológica no Brasil, os médicos Luiz Henrique Camargo Paschoal, Ival Peres Rosa, Carlos Machado, Bogdana Kadunc e Cássio Villaça. No mesmo ano foi realizada a 1a Reunião de Cirurgia Dermatológica, promovida pela SBD-SP, sob a presidência de Maurício Alchorne.

Sob a presidência de Fernando Almeida (2001/2002), a SBD comemorou 90 anos de existência congregando o total de 4.751 especialistas. Os anos 1997 e 1998 foram marcados por profundas transformações em busca de uma mentalidade mais globalizada.

Fortaleceu-se o espírito associativo com a criação de grupos de trabalho e Departamentos, que mantiveram as subespecialidades emergentes atreladas à Dermatologia. As Regionais passaram a participar mais ativamente, reunindo-se com a direção central duas vezes por ano, por ocasião das reuniões do Conselho Deliberativo, juntamente com as comissões que também tiveram fortalecido seu papel na gestão da Sociedade. Os Serviços Credenciados ganharam espaço, reunindo-se uma vez por ano com a direção da SBD para discutir as questões por eles relacionadas. Também foi criado o Programa de Educação Médica Continuada em Dermatologia (EMC-D), que até hoje é um dos principais serviços prestados ao associado.

Em 2003, a AMB, o Conselho Regional de Medicina (CFM) e a Comissão Nacional de Residência Médica (CNRM) reconheceram a cirurgia dermatológica como área de atuação da Dermatologia, assim como a cosmiatria.

Atualmente, a SBD congrega mais de 8.100 mil associados, e os dermatologistas brasileiros têm colaborado com a especialidade no âmbito nacional e mundial com estudos originais, em especial na área das doenças infectocontagiosas e tropicais. A Dermatologia brasileira continua dando importante contribuição à ciência e ao desenvolvimento da Dermatologia mundial.